Braskem (BRKM5) cai 17% e é destaque negativo do Ibovespa; confira os principais acontecimentos da semana no índice.

Ibovespa Apresenta Desempenho Negativo

O Ibovespa (IBOV) voltou a registrar um desempenho negativo na semana, marcada por importantes decisões de política monetária.

Desempenho do Índice

O principal índice da bolsa brasileira acumulou uma perda de 1,64% ao longo da semana, encerrando a última sessão em 168.333,61 pontos. Em contraste, o dólar à vista fechou a R$ 5,1648, com uma valorização de 2,04% no total da semana.

Contexto Político e Econômico

No cenário local, as questões eleitorais continuaram a chamar a atenção do mercado, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato à reeleição, ampliando sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), conforme indicam as pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo CNT/MDA e Futura/Apex. O mercado aguardava um novo levantamento do Datafolha.

Um ponto destacado na semana foi a decisão relacionada às taxas de juros. Na quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) deliberou para reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, marcando a terceira redução consecutiva do Banco Central, conforme antecipado por analistas. Essa decisão foi tomada de forma unânime pelos membros do colegiado.

Sinalização do Banco Central

O Banco Central (BC) chamou a atenção para uma leve deterioração nas projeções de inflação e ressaltou as incertezas do cenário externo, especialmente as tensões no Oriente Médio. O comunicado do Comitê enfatizou a necessidade de um "ajuste total" na política monetária, ao invés de se concentrar exclusivamente no ritmo dos cortes.

Mesmo com essa posição, o comunicado deixou uma "porta aberta" para novos cortes na Selic, deslocando-se da tendência observada nos principais bancos centrais globais, na análise de economistas.

Um aspecto que provocou grande interesse no mercado foi a antecipação da chamada “rolagem” do horizonte relevante da política monetária para a próxima reunião do Copom. Com isso, o BC ajustou a meta de 3% para o primeiro trimestre de 2028, quando anteriormente era prevista para o quarto trimestre de 2027. Essa mudança reforçou a percepção de que poderá ocorrer um novo corte da Selic em agosto, o que foi interpretado por muitos como uma postura mais permissiva do BC em relação à inflação.

Situação Internacional: O Federal Reserve dos EUA

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) adotou uma postura mais cautelosa em suas políticas monetárias. O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc), como esperado, decidiu manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, representando a quarta manutenção consecutiva com uma decisão unânime.

O gráfico de pontos, atualizado trimestralmente no Resumo de Projeções Econômicas (SEP), indicou que é provável uma alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro. Uma questão de destaque foi a coletiva de imprensa que marcou a primeira aparição do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, onde ele indicou que o banco pode reformular sua estratégia de comunicação com o mercado.

Avanços nas Negociações EUA e Irã

A semana apresentou um progresso notável nas negociações entre Estados Unidos e Irã. No último domingo (14), o presidente norte-americano e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador, anunciaram que um memorando de entendimentos havia sido alcançado entre Washington e Teerã. A expectativa inicial era que a assinatura oficial ocorresse na sexta-feira (19), na Suíça. No entanto, o país que sediaria a cerimônia anunciou o cancelamento das negociações na data prevista.

Como consequência, os preços do petróleo experimentaram uma alta na última sessão da semana, embora tenham encerrado o saldo semanal em um patamar negativo, refletindo uma leve diminuição das tensões. O contrato mais líquido do petróleo Brent, que serve como referência para o mercado internacional, para agosto, recuou 7,80% na semana, finalizando a última sessão cotado a US$ 80,57 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Desempenho Variado do Ibovespa

Na semana, a Embraer (EMBJ3) destacou-se entre os ganhos do Ibovespa, com um contrato de serviços e suporte para a operação da frota KC-390 da Força Aérea Brasileira, anunciado na última quinta-feira (18). O acordo foi visto como um desenvolvimento positivo para a fabricante de aeronaves, destacando o suporte operacional da plataforma multimissão. A Embraer também anunciou a aprovação do Parlamento da Grécia para a aquisição de três aeronaves C-390 Millennium.

Principais Variações do Ibovespa

Maiores Altas

Entre os destaques de alta, as ações da Embraer lideraram com uma variação semanal positiva de 8,72%. A seguir, segue a lista das principais valorizações do índice:

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO SEMANAL
EMBJ3 Embraer ON 8,72%
WEGE3 Weg ON 5,98%
CXSE3 Caixa Seguridade ON 5,59%
CSAN3 Cosan ON 4,49%
SUZB3 Suzano ON 4,12%
PSSA3 Porto ON 3,98%
CURY3 Cury ON 3,61%
BBSE3 BB Seguridade ON 2,72%
POMO4 Marcopolo PN 2,22%
CYRE3 Cyrela ON 2,20%

Maiores Quedas

Por outro lado, as ações da Braskem (BRKM5) apresentaram as maiores perdas, alcançando um mínimo intradia de R$ 6,85 na quinta-feira. Os papéis enfrentaram pressão devido a novos desdobramentos do desastre socioambiental em Alagoas e a negociações com credores.

Recentemente, a companhia tornou-se ré em um processo por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió. Informações do Ministério Público Federal indicam que a empresa tinha ciência da instabilidade do solo desde 1980. Além disso, dificuldades foram relatadas na obtenção de apoio de credores para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial.

Quadro de Quedas da Semana

CÓDIGO NOME VARIAÇÃO SEMANAL
BRKM5 Braskem PN -17,58%
USIM5 Usiminas PNA -15,48%
CSNA3 CSN ON -13,06%
NATU3 Natura ON -12,38%
VAMO3 Vamos ON -11,55%
MGLU3 Magazine Luiza ON -11,49%
BRAV3 Brava Energia ON -9,66%
CEAB3 C&A Modas ON -9,58%
HAPV3 Hapvida ON -9,56%
GGBR4 Gerdau PN -9,30%

Os movimentos recentes revelam a complexidade do cenário econômico e os desafios enfrentados pelas empresas, refletindo nas ações do Ibovespa.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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