Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) enfrentou a segunda semana consecutiva de perdas, iniciando o mês de março com um viés negativo, em meio ao aumento das tensões geopolíticas. Durante esse período, a temporada de balanços e os dados econômicos locais passaram para um segundo plano.
O principal índice da bolsa brasileira registrou uma desvalorização de 5% na semana, encerrando a última sessão em 179,4 mil pontos. Em relação ao câmbio, o dólar à vista (USDBRL) fechou a R$ 5,2438, apresentando um avanço de 2,14% em relação ao real no acumulado da semana.
Tensões Geopolíticas e Impactos no Mercado
O cenário externo ganhou destaque. No último sábado, 28 de fevereiro, os Estados Unidos, juntamente com Israel, lançaram ataques ao Irã, resultando na confirmação da morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
Como consequência, os preços do petróleo Brent aumentaram 27% durante a semana, sem qualquer expectativa de retomada do tráfego no Estreito de Ormuz ou de negociações para um cessar-fogo.
No dia 6 de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a “rendição incondicional” do Irã, seus comentários surgindo logo após o anúncio do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, sobre mediadores de alguns países que iniciaram esforços para a resolução do conflito, o que representou um dos primeiros sinais de diplomacia na crise.
A escalada das tensões e o aumento nos preços do petróleo levaram o mercado brasileiro a reevaluar as expectativas em relação a uma possível redução da taxa Selic. Originalmente, esperava-se uma diminuição de 0,50 ponto percentual durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mas agora as apostas indicam um corte menor de 0,25 ponto percentual.
Dados Econômicos
Os dados econômicos locais acabaram sendo ofuscados. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025. O crescimento econômico acumulado para o ano de 2025 foi de 2,3%, alinhado às expectativas do mercado.
Além disso, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelou que 112.334 novas vagas formais de trabalho foram criadas em janeiro, cifra que superou as projeções de economistas. A Reuters havia indicado uma expectativa de criação de aproximadamente 92 mil postos com carteira assinada durante o mês.
Sobe e Desce do Ibovespa
No âmbito das ações que lideraram crescimentos no Ibovespa, a Braskem (BRKM5) destacou-se. Na sexta-feira, 6 de março, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a transferência de controle da petroquímica para a gestora IG4 Capital, anteriormente pertencente à Novonor (ex-Odebrecht).
Entretanto, o grande destaque da semana foi a Petrobras (PETR4), uma das ações de maior peso no principal índice da bolsa brasileira. Os papéis da empresa, tanto PETR3 quanto PETR4, apresentaram um aumento de 7% na semana. Esse desempenho foi impulsionado pelo balanço do quarto trimestre (4T25), pela distribuição de dividendos e pela valorização do petróleo.
Entre outubro e novembro, a petroleira reportou um lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, revertendo um prejuízo de R$ 16,9 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. No entanto, comparado ao terceiro trimestre, esse resultado representa uma queda significativa em relação aos R$ 32,8 bilhões apurados anteriormente.
A companhia também anunciou a distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos referentes ao período e sinalizou, durante a teleconferência de resultados, uma provável retomada dos pagamentos de dividendos extraordinários.
Esse forte desempenho fez com que a estatal superasse pela primeira vez R$ 580,1 bilhões em valor de mercado durante um pregão. A turbulência geopolítica observada na primeira semana de março resultou em apenas oito ações fechando em alta, de um total de 85 componentes da carteira teórica do Ibovespa.
Altas do Ibovespa de 2 a 6 de março
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| BRKM5 | Braskem PN | 30,34% |
| PRIO3 | PRIO ON | 8,99% |
| PETR3 | Petrobras ON | 7,14% |
| PETR4 | Petrobras PN | 7,07% |
| BRAV3 | Brava Energia ON | 5,85% |
| RECV3 | PetroReconcavo ON | 4,46% |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 2,44% |
| VBBR3 | VIBRA Energia ON | 2,14% |
Do outro lado, a ponta negativa foi liderada por CSN (CSNA3). De acordo com informações recentes, a companhia está avançando em negociações e se aproxima da conclusão de um empréstimo com um grupo de bancos, tendo as ações da CSN Cimentos como garantias.
O montante deste empréstimo varia de US$ 1,35 bilhão a US$ 1,5 bilhão. O valor final ainda está sujeito a negociações em torno dos termos do empréstimo, incluindo taxas de juros e demais garantias. Fontes próximas às discussões afirmam que as perspectivas para a conclusão do empréstimo em março são positivas.
Maiores quedas na semana
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| CSNA3 | CSN ON | -16,59% |
| BEEF3 | Minerva ON | -13,79% |
| EMBJ3 | Embraer ON | -13,29% |
| RAIZ4 | Raízen ON | -12,70% |
| MBRF3 | MBRF ON | -12,62% |
| ASAI3 | Assaí ON | -12,31% |
| CSAN3 | Cosan ON | -11,13% |
| VALE3 | Vale ON | -10,86% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | -10,55% |
| RENT4 | Localiza PN | -10,55% |
Fonte: www.moneytimes.com.br


