Cacau atinge maior preço em 5 meses; açúcar bruto em alta

Cacau

Os contratos futuros do cacau na bolsa ICE alcançaram novos máximos em cinco meses nesta quinta-feira, impulsionados por preocupações de que as condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño possam afetar negativamente a produção da safra 2026/27. Além disso, o açúcar bruto também apresentou alta.

Em Londres, o cacau fechou com um aumento de £179, ou 4,8%, atingindo um valor de £3.932 por tonelada métrica, após alcançar um pico de cinco meses de £4.014.

A corretora StoneX declarou que “as preocupações com o El Niño, as previsões de atrasos nas safras principais da Costa do Marfim e de Gana, além da suspensão das vendas a termo para 2026/27 pelo órgão regulador do cacau da Costa do Marfim, têm mantido os preços elevados”.

Entretanto, alguns operadores enfatizaram que, apesar da alta, o cacau permanece tecnicamente sobrecomprado, e a incerteza quanto a novos ganhos no curto prazo tem aumentado entre os participantes do mercado.

O Citi informou que estava desaguardando uma posição comprada que mantinha no cacau para a realização de lucros, mas acrescentou que continua otimista em relação ao mercado e poderá reabrir uma posição comprada no caso de um recuo nos preços.

Por outro lado, o Rabobank manifestou uma perspectiva “baixista”, prevendo um excedente na safra 2026/27, e considerando os prêmios de risco associados ao El Niño como um pouco supervalorizados.

No mercado de Nova York, o contrato de cacau subiu 5,5%, alcançando a marca de US$ 5.247 por tonelada.

Café

O café arábica teve uma queda de 0,8 centavo, ou 0,3%, com o preço finalizando a US$ 2,764 por libra-peso, após atingir na quarta-feira um máximo de quase seis semanas, de US$ 2,8480 por libra-peso.

As chuvas recentes ligadas ao fenômeno El Niño no Brasil, que é o maior produtor de café do mundo, provocaram problemas de qualidade e atrasaram o andamento da colheita.

A Cooxupé, a principal cooperativa cafeeira do Brasil, reportou que seus produtores haviam colhido 20,1% da safra de 2026 até o dia 19 de junho, em comparação com 24,3% no mesmo período do ano anterior.

“O mercado permanece dividido entre fundamentos restritos no curto prazo e uma perspectiva mais flexível no médio prazo. Mantemos a opinião de que os preços estarão sob pressão à medida que a grande safra brasileira chegue aos mercados de destino”, afirmou o Rabobank.

O café robusta, por sua vez, subiu 1,6%, com o preço atingindo US$ 3.662 a tonelada.

Açúcar

O açúcar bruto apresentou uma alta de 0,13 centavo, ou 1%, fechando a 13,55 cents por libra-peso, após ter alcançado, mais cedo, uma mínima de dois meses, registrada na segunda-feira, com o preço de 13,26 cents.

Os preços mais baixos da energia continuam a impactar negativamente o mercado de açúcar, aumentando a possibilidade de que mais cana-de-açúcar seja utilizada para produzir o adoçante, em vez de ser convertida em etanol, que é um biocombustível.

Adicionalmente, o clima quente e seco na Europa tem prejudicado a produção de beterraba sacarina, enquanto as chuvas de monção abaixo do normal na Índia — o segundo maior produtor de açúcar — também podem resultar em uma diminuição da produção neste país.

Os corretores observaram que a chegada de mais chuvas nas áreas de cultivo de cana no Brasil também pode prejudicar a colheita.

O valor do açúcar branco permaneceu praticamente inalterado, cotado a US$ 444,70 a tonelada.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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