As novas diretrizes estabelecidas pela China para a importação de carne bovina agitaram o setor brasileiro no mês de abril de 2026.
O país asiático, que é o maior comprador da carne brasileira, implementou limites anuais para a entrada do produto e uma taxa adicional sobre os volumes que excederem esses limites.
Esta mudança impacta diretamente os exportadores brasileiros, que estão em busca de alternativas para mitigar as perdas e garantir a continuidade dos embarques.
“Atualmente, estima-se que cerca de 300 mil toneladas de carne estejam a caminho dos portos chineses, e as autoridades estão tentando garantir que esse volume não seja contabilizado como parte da cota para 2026. Isso é crucial, pois, se a situação continuasse dessa forma, alcançaríamos o limite já em setembro”, afirmou Rodrigo Costa, analista de pecuária da Pine Agronegócios, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
O que são salvaguardas?
Salvaguardas referem-se a mecanismos utilizados por países para proteger suas economias internas, especialmente em contextos de aumento nas importações. Em suma, elas funcionam como barreiras temporárias que regulam a entrada de produtos estrangeiros no mercado nacional.
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No contexto da carne bovina, a China optou por estabelecer cotas anuais para alguns fornecedores, incluindo o Brasil. Quando esses limites forem ultrapassados, uma tarifa adicional será aplicada.
Qual é a cota do Brasil?
O cronograma estipulado para o Brasil prevê um aumento gradual das cotas até 2028. Em 2026, a cota será de 1,10 milhão de toneladas. Em 2027, esse limite aumentará para 1,12 milhão, e, em 2028, chegará a 1,15 milhão de toneladas.
É essencial que o setor acompanhe de perto esses volumes para evitar custos adicionais e prejuízos à competitividade.
O que acontece se ultrapassar?
Se o Brasil exportar uma quantidade acima da cota anual estipulada, sobre o excedente será aplicada uma tarifa adicional de 55%. Essa tarifa encarecerá a carne brasileira no mercado chinês e poderá diminuir o interesse dos importadores pelo produto.
Por essa razão, empresas e entidades do setor defendem um controle rigoroso dos embarques e a negociação para assegurar que as cargas já enviadas não sejam contabilizadas dentro do limite de 2026.
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Por que a China ainda deve comprar?
Apesar das novas regras, as expectativas do mercado indicam a continuidade das importações chinesas. O principal fator que justifica essa previsão é a competitividade do preço da carne brasileira em comparação com a de concorrentes como Estados Unidos e Argentina.
Além disso, a China enfrenta uma robusta demanda por alimentos e precisa assegurar o abastecimento interno. Dada a oferta global mais restrita em 2026, o Brasil mantém-se como um fornecedor estratégico para o país asiático.
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O que o governo pode fazer?
As medidas consideradas incluem a criação de linhas de crédito emergenciais voltadas para frigoríficos e exportadores. Essas linhas ajudariam no capital de giro e no armazenamento de estoques.
Outra possibilidade é promover a redistribuição de cotas não utilizadas por outros países. Existe também uma mobilização diplomática para proteger as cargas que já estão a caminho dos portos chineses.
“Diversas opções estão sendo discutidas, incluindo uma linha de crédito emergencial para o setor exportador, destinada principalmente aos frigoríficos, onde os recursos podem ser utilizados tanto para capital de giro quanto para investimentos em armazenagem e estoque, além da redistribuição de cotas não utilizadas por outros países”, disse Rodrigo.
Setor busca novos mercados
Enquanto ajusta as suas vendas para a China, a indústria brasileira também se empenha na abertura de novos mercados. Países como Vietnã e Japão estão entre os destinos mais promissores.
A estratégia visa reduzir a dependência de um único comprador e expandir as oportunidades para cortes premium e produtos de maior valor agregado.
Apesar das medidas protecionistas adotadas pela China, o especialista acredita que a competitividade dos preços da carne brasileira deve dar continuidade aos negócios. “Quando comparamos os preços em dólar, constatamos que somos mais de 56% mais baratos que os americanos e mais de 3% mais acessíveis que os argentinos. Além disso, a necessidade de segurança alimentar da China vai continuar a demandar a nossa carne, assim como já ocorreu recentemente com os Estados Unidos”, ressaltou.
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As novas regras impõem um planejamento mais rigoroso para as exportações brasileiras de carne bovina. O setor precisará acompanhar atentamente os volumes embarcados, negociar alternativas e expandir os mercados internacionais.
Fonte: timesbrasil.com.br