Casa Branca revisa previsão de empregos; situação impacta o Fed

Casa Branca revisa previsão de empregos; situação impacta o Fed

by Fernanda Lima
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Crescimento do Emprego nos Estados Unidos

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, informou nesta segunda-feira (9) que o crescimento do emprego nos Estados Unidos poderá apresentar uma desaceleração nos próximos meses. Essa situação é atribuída ao crescimento mais lento da força de trabalho e ao aumento da produtividade, e está contribuindo para discussões que também ocorrem no Federal Reserve (Fed), instituição que deve considerar essas informações em suas próximas decisões políticas.

Análise do Crescimento do Emprego

Em novembro e dezembro do último ano, o número de empregos formais aumentou em média 53.000 vagas. Esse número é consideravelmente inferior ao ganho médio de 183.000 empregos por mês observado na década anterior à pandemia de Covid-19. Durante o período de boom de empregos no final do governo de Joe Biden, os números foram ainda mais expressivos.

Parte desse crescimento, no entanto, foi favorecida por um aumento rápido na oferta de trabalhadores, resultado de uma política de imigração mais flexível. Essa abordagem foi revertida pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, e agora dificulta a análise dos economistas sobre se a desaceleração do mercado de trabalho se deve a uma economia enfraquecida ou à insuficiência de mão de obra disponível.

Hassett, que também é diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, traz uma terceira possibilidade: a produtividade dos trabalhadores está aumentando, o que permite que a economia cresça, mesmo com um número limitado de empregados e baixos ganhos mensais de trabalho.

Fatores que Influenciam o Mercado de Trabalho

A combinação de um PIB em expansão e uma diminuição da força de trabalho, especialmente devido à saída de migrantes ilegais dos Estados Unidos, pode ocasionar uma redução nos números de emprego, explicou Hassett em uma entrevista à CNBC.

"Portanto, é esperado que os números de emprego sejam ligeiramente menores, em linha com o crescimento elevado do PIB que observamos atualmente. Não devemos entrar em pânico se nos depararmos com uma sequência de números mais baixos do que o habitual, uma vez que a taxa de crescimento populacional está diminuindo e o crescimento da produtividade está em alta. Trata-se de um cenário singular", afirmou.

Expectativa de Dados sobre Emprego

O Departamento do Trabalho está programado para revelar o relatório de emprego não agrícola referente a janeiro nesta quarta-feira (11). Esse relatório, que teria sido divulgado na última sexta-feira (6), foi adiado devido ao fechamento parcial do governo que se encerrou na terça-feira (3). A previsão de uma pesquisa da Reuters indica um aumento de 70.000 empregos, depois de um incremento de 50.000 em dezembro.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos registrou 4,4% em dezembro, e economistas consultados pela Reuters apostam que esse número se mantenha inalterado em janeiro.

Desafios no Mercado de Trabalho e a Política Monetária

As declarações de Hassett foram feitas em um contexto que reflete as observações do presidente do Fed, Jerome Powell, durante uma coletiva de imprensa há duas semanas. Powell destacou que os formuladores de políticas nos Estados Unidos estão lidando com uma “situação muito desafiadora e bastante incomum”, na qual tanto a demanda quanto a oferta de trabalhadores estão em declínio.

Esse cenário é emblemático de um crescimento de emprego mais lento do que o habitual, ao mesmo tempo em que a taxa de desemprego se mantém estável. Essa situação torna a interpretação do mercado de trabalho complexa, uma vez que a resposta do Fed pode variar com base em se a limitação do crescimento de emprego é causada por problemas de oferta ou demanda.

Se a oferta de trabalho estiver restrita devido a deportações, isso pode resultar em dificuldades de contratação e aumento salarial, possíveis indícios de inflação e uma razão para o Fed proceder com cautela ao considerar cortes nas taxas de juros. Por outro lado, uma desaceleração do crescimento de emprego provocada por uma fraca demanda significaria que o Fed deveria reduzir as taxas de juros para estimular tanto o crescimento econômico quanto a criação de empregos.

A Perspectiva de Produtividade e Suas Implicações

Assim como Hassett, Kevin Warsh, indicado por Trump para substituir Powell em maio e que está aguardando a confirmação do Senado, também comentou sobre como a produtividade em alta pode ajudar a moderar a inflação, alterando as perspectivas da política do banco central. Powell e a maioria dos formuladores de políticas do Fed afirmaram estar abertos à possibilidade de que o recente crescimento da produtividade se mantenha, embora hesitem em fundamentar decisões de política monetária de curto prazo nessa hipótese.

A questão entre demanda e oferta é crucial para a definição da política monetária. Se a causa das dificuldades no mercado de trabalho é a demanda, isso implicaria que o Fed deve intervir. Em contrapartida, se a oferta é a fonte do problema, a inflação poderá se mostrar mais persistente, exigindo do Fed uma posição mais firme. Essa análise foi feita por Dario Perkins, diretor-gerente de macroeconomia global da TS Lombard, que ressaltou a importância da correta interpretação desses fatores.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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