A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) alerta para os riscos econômicos associados ao fim da escala 6×1. Segundo Renato Correia, presidente da entidade, essa proposta pode causar impactos significativos no setor, que já enfrenta desafios devido ao alto nível de juros praticados no Brasil.
Emprego e Jornada de Trabalho no Setor da Construção Civil
Atualmente, o setor da construção civil é responsável por empregar mais de 3 milhões de pessoas. De acordo com Correia, a redução da carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais significaria uma diminuição de aproximadamente 10% na jornada, o que poderia resultar em uma demanda adicional de cerca de 288 mil trabalhadores.
“Se a redução de carga horária acontecer, é como se criássemos 288 mil novas vagas de emprego, disponíveis a partir do dia seguinte”, comentou Correia. Este cenário teria um impacto direto nos prazos de entrega das obras, especialmente em um mercado de trabalho já aquecido e com escassez de mão de obra qualificada.
Aumento dos Custos e Preços dos Imóveis
Outro ponto destacado por Correia é o aumento do custo da hora trabalhada. Com a manutenção dos salários e a redução das horas trabalhadas, o custo unitário da mão de obra aumenta.
Além disso, o aumento nos preços dos materiais de construção, como cimento, concreto e argamassa—que também dependem de mão de obra para serem produzidos—acaba resultando em uma estimativa de elevação de 7% a 10% no preço dos imóveis, de acordo com os cálculos da entidade.
“Inicialmente, o empresário tentará absorver esses custos adicionais usando a margem de lucro. Caso isso não seja possível, ele irá repassar esses aumentos para o preço final do imóvel”, explicou.
O incremento nos preços dos imóveis, aliado à ausência de uma elevação real da renda das famílias, pode resultar na exclusão de muitas famílias do acesso à habitação, além de reduzir a capacidade do governo em investir em infraestrutura.
A CBIC, composta por 98 sindicatos e associações representantes dos diversos estados brasileiros, já está em contato com parlamentares para discutir os impactos desta proposta em pauta.
A entidade defende que, no caso de aprovação da PEC, seja estabelecido um período de transição mais extenso—sugerindo uma redução de uma hora por ano, o que levaria até quatro anos para atingir a carga de 40 horas semanais.
“Dessa forma, ganharíamos tempo para desenvolver a produtividade, um grande desafio a ser superado”, afirmou Correia, enfatizando que o foco deve ser na produtividade do processo como um todo, e não no rendimento do trabalhador individualmente.
Alternativas à PEC e Informalidade no Mercado
Correia também comentou sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo senador Rogério Marinho, que é descrita como uma “abordagem mais moderna do trabalho”.
Conforme Correia, essa proposta deveria ser considerada positivamente, uma vez que promete maior flexibilidade e ampliação do acesso ao mercado de trabalho formal, inclusive para as mulheres.
O representante da CBIC sublinhou que a informalidade no trabalho é uma questão que merece mais discussão dentro do contexto das reformas: “O arcabouço de proteção ao trabalhador abrange apenas metade dele, deixando a outra metade sem qualquer tipo de proteção e alheia ao apoio estatal”.
Referente à proposta de diminuição da alíquota do FGTS de 8% para 4% como uma forma de mitigar os impactos para a produção, Correia expressou cautela.
A entidade defende que o fundo deve manter suas funções originais: proteger os trabalhadores em caso de perda do emprego e financiar habitação, saneamento e mobilidade.
Como proposta alternativa, a CBIC sugere a redução da burocracia estatal como uma maneira de compensar os custos adicionais e aumentar a produtividade do setor.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br