CDBs do Master: Quais cuidados tomar ao reinvestir na renda fixa?

CDBs do Master: Quais cuidados tomar ao reinvestir na renda fixa?

by Rafael Martins
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Ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos

Aplicações de até R$ 250 mil serão ressarcidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC estima que cerca de 1,6 milhão de credores receberão um total de R$ 41 bilhões. Embora não haja um prazo definido para a execução dessa garantia, a expectativa é que o processo leve entre 30 e 40 dias.

De acordo com o FGC, os pagamentos podem ocorrer ainda neste ano. Isso significa que mais de R$ 40 bilhões poderão ser reintegrados ao mercado brasileiro, ficando a cargo dos investidores a tarefa de superar a insegurança gerada pela situação e decidir como reinvestir esses recursos de maneira eficiente.

Tendência de Reinvestimento

Fernando Gonçalves, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, afirma que uma significativa parte desse montante deve ser direcionada novamente para a renda fixa conservadora. Após uma liquidação bancária, especialmente para aqueles investidores que enfrentam essa situação pela primeira vez, é comum que adotem uma postura mais cautelosa.

“Projeções indicam uma realocação dos recursos em aplicações como Tesouro Selic, CDBs de bancos sólidos, LCIs, LCAs e fundos DI. Atualmente, o mercado oferece uma ampla gama de opções dentro da renda fixa, com taxas bastante competitivas, especialmente em um cenário de Selic elevada e inflação mais estável”, destaca Gonçalves.

Considerações para Escolha de Novos Investimentos

Investidores que receberão os recursos anteriormente alocados no FGC se depararão com uma ampla variedade de produtos de renda fixa disponíveis nas corretoras. Antes de selecionar uma opção, é fundamental considerar o objetivo financeiro desse dinheiro, como explicam os especialistas. Isso inclui determinar o prazo de aplicação, se o investidor pode optar por um ativo de vencimento mais longo ou se prefere uma liquidez diária maior.

“É importante notar que as taxas podem variar. Em geral, quanto mais líquido for o dinheiro, menor será o retorno em comparação ao CDI”, esclarece Carlos Castro, planejador financeiro e CFP pela Planejar.

Com a taxa Selic em 15% ao ano, os investidores têm a oportunidade de buscar bons retornos sem a necessidade de correr grandes riscos. Esse se configura como um momento propício para os investidores equilibrarem suas operações entre liquidez e rentabilidade. Gonçalves enfatiza que “existem oportunidades atraentes em títulos prefixados de curto a médio prazo, além de papéis atrelados ao IPCA com taxas reais vantajosas”.

Avaliação de Prazos e Liquidez

Um aspecto central, segundo Fernando Gonçalves, é a análise cuidadosa dos prazos e da liquidez dos títulos disponíveis no mercado, evitando a concentração total dos recursos em aplicações de longo prazo ou sem flexibilidade. Além disso, é importante alinhar as aplicações aos objetivos do investidor, que podem incluir reserva financeira, geração de renda ou valorização dos ativos.

“Este é um período que demanda um equilíbrio entre segurança, diversificação e busca por um retorno real consistente”, avalia Gonçalves.

No que diz respeito ao tipo de ativo a ser escolhido, é essencial que se olhe além das taxas. Em geral, uma remuneração mais alta indica que um ativo pode ser mais arriscado. Como exemplo, um CDB pós-fixado de um banco sólido e consolidado raramente oferecerá remunerações superiores a 100% do CDI.

Esse fator está intimamente ligado ao risco do emissor, que os investidores devem conhecer para que não tenham que depender novamente do FGC. “Taxas que superam em demasia a média do mercado são sinal de alerta. Informações sobre a solidez e o histórico da instituição, assim como o rating dos emissores dos títulos, são fundamentais”, ressalta Perri, representante da Dom Investimentos.

Liquidação do Banco Master

O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master na terça-feira (18) da semana passada, encerrando um processo que se arrastava desde o final de março. Nesse período, o banco havia sido adquirido pelo Banco de Brasília (BRB) em uma operação que posteriormente foi embargada pelo Banco Central.

Desde o anúncio da liquidação, o futuro do Banco Master, fundado pelo empresário Daniel Vorcaro, ficou em destaque no mercado. O modelo de negócios da instituição era considerado problemático, devido à sua carteira de crédito de alto risco e a uma estratégia agressiva de emissão de CDBs a taxas significativamente superiores à média do mercado.

Os CDBs oferecidos pelo Master tornaram-se populares entre investidores individuais, graças aos altos rendimentos, que chegavam a 140% do CDI. Porém, essa tendência gerou preocupação entre especialistas em relação à representatividade do volume emitido pelo banco na liquidez total do FGC.

Além da liquidação do banco, Daniel Vorcaro foi detido em uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de crimes associados à venda do banco para o BRB. O presidente da instituição estatal do governo do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, também foi afastado do cargo.

Outros executivos estão igualmente envolvidos nas investigações e foram detidos durante a operação da Polícia Federal. Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e atualmente à frente do Banco Pleno, é um dos casos destacados. Informação secundária revela que os CDBs do Pleno experimentaram um aumento significativo em suas taxas.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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