A Queda das Ações do Banco do Brasil
A queda das ações do Banco do Brasil (BBAS3) nesta quinta-feira, dia 13 de setembro, em resposta ao balanço do terceiro trimestre de 2025, já era uma expectativa analisada pelo Safra. Entre os papéis mais negociados na bolsa brasileira, as ações do Banco do Brasil apresentaram uma desvalorização de cerca de 2%.
Reação às Provisões
Segundo a análise do banco, essa reação negativa é justificada pelas provisões, que novamente impactaram os resultados financeiros. As provisões líquidas ultrapassaram em 4% as estimativas do Safra, com um custo de risco situado em 6,4%, refletindo uma alta de 70 pontos-base na comparação com o trimestre anterior.
Desempenho Financeiro
Entre os números apresentados, o lucro líquido ajustado foi de R$ 3,8 bilhões, o que representa uma queda de 60% em relação ao ano anterior. Entretanto, esse valor ficou 9% acima das expectativas do banco, devido a uma taxa efetiva de imposto negativa de 31%, correspondente a R$ 716 milhões.
Ademais, o EBT (lucro antes dos impostos) totalizou R$ 4,3 bilhões, que é 11% inferior à projeção do Safra, refletindo provisões que foram mais altas do que o esperado.
Cenário da Carteira de Crédito
Em relação à carteira de crédito, os números permaneceram estáveis quando comparados de um trimestre ao outro: houve uma alta de 2,3% no segmento de varejo (individual), uma queda de 2,2% nas empresas e um recuo de 0,8% no setor rural.
Segundo os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, a carteira de crédito individual ainda se encontra “poluída” pela exposição ao setor rural, o que reforça as preocupações do Safra em relação ao Banco do Brasil. Eles também observaram que várias métricas de qualidade de ativos deterioraram-se durante o trimestre, com destaque para a inadimplência de curto prazo, a formação de NPL (sigla em inglês para Empréstimos Não-Pagos) e a carteira rural repactuada.
Expectativas e Renegociações
A equipe de analistas destacou a expectativa em torno do programa de renegociação para o setor agropecuário, que está previsto pela Medida Provisória (MP) 1.314, mencionada durante a teleconferência de resultados pela administração do banco. O atraso na implementação da MP, que foi promulgada no início de setembro, resultou no adiamento das negociações. Como consequência, “as provisões ficaram sob pressão no terceiro trimestre e permaneceram em outubro”, afirmaram os analistas em relatório.
Além disso, eles comentaram que a situação desafiadora enfrentada pelo banco no segmento rural carece de clareza em relação ao momento da recuperação, citando que o Banco do Brasil sinalizou que ainda é cedo para esperar um ponto de inflexão no quarto trimestre.
Revisão de Guidance Inesperada
Os analistas do Safra mencionaram que não esperavam uma nova revisão nas projeções da empresa. “Na nossa análise do segundo trimestre, consideramos a projeção de lucro líquido fornecida na época como exagerada, mas nós (ou qualquer pessoa com quem conversamos) não esperávamos outra revisão no terceiro trimestre”, destacaram Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre.
O Banco do Brasil reduziu sua expectativa de lucro de um intervalo de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões para R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões para o ano corrente.
Aumento nas Provisões
Em relação às provisões líquidas, o intervalo foi elevado para um valor entre R$ 59 bilhões e R$ 62 bilhões. Essa alteração foi atribuída aos desafios enfrentados no segmento rural e também a um caso específico de inadimplência corporativa, conforme afirmado pela equipe do Safra. O guidance anterior previu valores entre R$ 53 bilhões e R$ 56 bilhões.
Fonte: www.moneytimes.com.br

