CEO descarta saída da Bolsa e anuncia codeshare com a American Airlines após conclusão do Chapter 11.

CEO descarta saída da Bolsa e anuncia codeshare com a American Airlines após conclusão do Chapter 11.

by Ricardo Almeida
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Reestruturação da Azul Aéreas

A ordem na Azul (AZUL53) após a finalização do Chapter 11 (processo de recuperação judicial nos Estados Unidos) é focar na redução da alavancagem e na geração de caixa, conforme declarou o CEO da empresa, John Rodgerson, em uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, dia 23 de outubro.

Encerramento do Processo de Recuperação Judicial

A companhia aérea concluiu o processo de recuperação em menos de nove meses. O CEO ressaltou que a rapidez dessa conclusão deve-se, em grande parte, ao fato de a companhia ter iniciado o processo com um plano bem estruturado e claro sobre o que necessitava. Além disso, não houve disputas significativas entre a empresa e seus credores, um fator que contribuiu para a efetividade do processo.

Rodgerson mencionou: “Não tivemos disputas porque todos estavam olhando para o futuro. Não tentamos proteger o acionista, nem nada parecido. Fizemos tudo para proteger a Azul, que sempre foi uma companhia muito competente, mas nosso balanço ficou comprometido devido a fatores que estavam além do nosso controle”.

O CEO também comentou sobre os últimos seis anos, que foram especialmente desafiadores para o setor aéreo. Fatores como a pandemia de coronavírus, o aumento da taxa de juros, a valorização do dólar e as enchentes no Rio Grande do Sul impactaram negativamente a performance financeira da empresa.

Situação das Ações e Diluição

Diferentemente do que ocorreu com a Gol após a saída do Chapter 11, Rodgerson afirmou que uma possível saída da bolsa de valores não é uma alternativa considerada neste momento. Isso se dá mesmo com a considerável diluição das ações da companhia no decorrer do processo de recuperação.

O CEO declarou que essa diluição é um componente natural do processo de recuperação, uma vez que é necessário que os credores se tornem acionistas para que as dívidas possam ser reduzidas.

Saída do Chapter 11

A Azul quitou integralmente o financiamento DIP (debtor-in-possession financing, um tipo de financiamento destinado a garantir liquidez a empresas em recuperação judicial) e finalizou a oferta pública de ações feita em fevereiro, o que oficializa a sua saída do processo na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York.

Com a reestruturação, a Azul conseguiu reduzir aproximadamente US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento. Desse montante, cerca de US$ 1,1 bilhão se referem a empréstimos e financiamentos. A dívida relacionada ao leasing de aeronaves caiu quase 40%.

A empresa projeta uma redução superior a 50% em suas despesas anuais com juros e um corte de cerca de um terço nos custos recorrentes relacionados a arrendamentos. A alavancagem líquida proforma (ajustada) ao final do processo ficou abaixo de 2,5 vezes.

Com a cotação do real em R$ 5,50 frente ao dólar, a Azul busca uma alavancagem reduzida para 2,1 vezes, conforme os comentários do CEO John Rodgerson.

A companhia também levantou aproximadamente US$ 1,375 bilhão através da emissão de notas seniores e US$ 950 milhões em compromissos de equity. As companhias American e United Airlines se comprometeram a fornecer um aporte de US$ 100 milhões cada, totalizando US$ 200 milhões em novos recursos, destinados a fortalecer a estrutura de capital da Azul e apoiar suas operações após a recuperação judicial.

Perspectivas Futuras

Rodgerson negou qualquer possibilidade de reinício de negociações para uma fusão com a Gol neste momento. Ele destacou que uma fusão foi considerada anteriormente como uma solução para enfrentar a situação financeira da empresa, antes do processo de Chapter 11.

Contudo, uma vez que a Azul lançou mão do processo de recuperação judicial, essa alternativa se tornou pouco viável. Rodgerson disse: “Essa era uma opção, antes do Chapter 11, para resolver os mesmos problemas que lidamos durante o processo. Agora que saímos, não há necessidade de fusão”.

O executivo ressaltou que a efetividade do Chapter 11 permitiu à Azul emergir com um balanço mais equilibrado e com uma alavancagem inferior à de seus concorrentes, incluindo a Gol.

O investimento da United e da American Airlines resultará em uma participação de cerca de 8% para cada uma delas na companhia. A Azul já mantinha um codeshare com a United Airlines há mais de 12 anos, e está em um estágio avançado na construção de um acordo semelhante com a American, um movimento natural, dada a participação acionária que ambas estarão ocupando, segundo o CEO.

Em relação às rotas da companhia, Rodgerson declarou que houve uma significativa reavaliação das operações nos últimos anos. Embora novas cidades estejam sendo contempladas para expansão, todas as movimentações serão realizadas com cautela.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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