Encontro Entre Líderes da China e dos EUA
Beijing — No último domingo, o principal diplomata da China, Wang Yi, destacou os benefícios da interação entre os Estados Unidos e a China. Ele também sinalizou que estão em andamento os preparativos para uma reunião planejada entre os líderes dos dois países, em meio a divergências relacionadas à guerra no Irã e às tarifas comerciais.
Preparativos para o Encontro
"O agenda das trocas de alto nível já está na mesa", afirmou Wang a repórteres em mandarim, segundo tradução oficial. "O que as duas partes precisam fazer agora é realizar preparações meticulosas, criar um ambiente adequado, gerenciar os riscos existentes e eliminar interrupções desnecessárias”.
Implicações de um Conflito
"Virarmos as costas um para o outro apenas nos levaria a percepções equivocadas e erros de cálculo," observou. "Deslizar para o conflito ou a confrontação apenas arrastaria o mundo inteiro para baixo."
Após uma reunião presencial na Coreia do Sul no outono, o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, expressaram a intenção de visitar os países um do outro.
Visita de Trump à China
Trump está agendado para visitar a China de 31 de março a 2 de abril, o que representaria a primeira visita de um presidente americano em exercício ao país desde 2017. No entanto, Pequim ainda não confirmou as datas exatas da visita de Trump. Wang não forneceu detalhes adicionais, mas ressaltou que as interações de alto nível entre os presidentes americano e chinês "fornecem uma importante salvaguarda estratégica para que as relações entre China e EUA melhorem e avancem".
Dúvidas sobre a Viagem
Alguns analistas levantaram preocupações sobre a possibilidade de a viagem ocorrer conforme o programado, especialmente porque provavelmente acontecerá logo após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã, que resultaram na morte do líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, e na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA.
Wang não mencionou nenhum desses indivíduos em suas declarações à imprensa na manhã de domingo, mas reiterou os apelos de Pequim por um cessar-fogo no conflito no Irã. "Esta é uma guerra que não deveria ter ocorrido," ele disse. "É uma guerra que não traz benefícios a ninguém."
Comunicações com Outros Países
Desde o início dos ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, Wang realizou telefonemas com pelo menos sete ministros das Relações Exteriores, incluindo os da Rússia, Irã e Israel, conforme relatórios oficiais. Ele se dirigia aos repórteres durante a reunião parlamentar anual da China, que dura oito dias e que está programada para ser encerrada na quinta-feira. Os principais líderes da China, incluindo o presidente Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Qiang e o vice-primeiro-ministro He Lifeng, estão reunidos em Pequim com delegados de todo o país.
Tarifas em Questão
As discussões bilaterais ocorrem em um momento em que os EUA e a China alcançaram uma trégua frágil em outubro, visando a redução das tarifas sobre os produtos um do outro para menos de 50% por um ano. Até o momento, os dois países já haviam elevado as taxas para mais de 100% durante o pico das tensões na primavera passada.
Relações EUA-China
Em resposta a uma pergunta sobre a caracterização das relações EUA-China por Trump como uma nova "G2" para liderar o mundo, Wang se opôs à ideia de que apenas dois países teriam tal papel, enfatizando a necessidade de multipolaridade.
Wang, sem mencionar os EUA diretamente, alertou contra a "instalação de barreiras tarifárias e a busca por um desacoplamento econômico e tecnológico". "Isso não é diferente de usar lenha para apagar um incêndio," ele disse. "Você só vai acabar se queimando."
Fonte: www.cnbc.com


