China eleva importações de soja da Argentina e Uruguai, desconsiderando pressão de Trump.

China eleva importações de soja da Argentina e Uruguai, desconsiderando pressão de Trump.

by Juliana Torres
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Aumento das Compras de Soja da Argentina e Uruguai pela China

Importadores de soja da China estão aumentando suas aquisições da Argentina e do Uruguai ao longo do próximo ano. Essa estratégia visa preencher a lacuna de oferta deixada pela falta de embarques dos Estados Unidos, devido à continuidade da guerra comercial entre Washington e Pequim, conforme afirmaram duas fontes do setor.

Volume de Compras Previsto

Processadores chineses podem adquirir até 10 milhões de toneladas métricas de soja destes dois exportadores sul-americanos durante o ano comercial de 2025/26, que termina em agosto do próximo ano. Essa quantidade representaria um recorde, segundo informações de um trader com sede em Cingapura em uma empresa internacional e de uma segunda fonte que também negocia soja para a China.

Até o momento, já foram reservadas 2,43 milhões de toneladas da Argentina e do Uruguai para embarque entre setembro e maio do próximo ano. De setembro de 2024 a julho de 2025, a China importou 5 milhões de toneladas de soja desses países, conforme dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Impacto nas Exportações dos EUA

O aumento do fornecimento de soja da Argentina e do Uruguai irá complementar as grandes importações do Brasil para a China, marcando mais um desafio para os exportadores dos Estados Unidos, que enfrentam uma redução na dependência do mercado chinês em relação aos produtos agrícolas americanos.

Uma das fontes, trader baseado em Cingapura, destacou que com a diversificação de fornecedores de soja para a China, o país passará a depender menos dos produtos dos EUA, o que pode influenciar a dinâmica da guerra comercial. Neste ano, a China não efetuou compras de soja dos EUA para embarque no quarto trimestre, período tradicionalmente crucial para as vendas americanas, quando os estoques recém-colhidos são disponibilizados no mercado.

Tarifas e Efeitos no Comércio

As duas maiores economias do mundo impuseram tarifas de importação recíprocas, o que prejudicou o comércio, especialmente em relação a produtos agrícolas, como a soja. Até meados de agosto, compradores chineses já haviam reservado 1,575 milhão de toneladas para embarque em setembro da Argentina e Uruguai, além de 660 mil toneladas para outubro e volumes menores para os meses de novembro, dezembro e maio de 2026, conforme informaram traders.

Redução da Dependência dos EUA

Desde o início da guerra comercial com a China no primeiro mandato do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, o governo chinês tem adotado medidas para diminuir sua dependência de produtos agrícolas americanos, visando reforçar sua segurança alimentar. Em 2024, os EUA forneceram 12% das importações agrícolas da China, uma queda em relação aos 20% registrados em 2016. Em contrapartida, o Brasil aumentou sua participação para 22% no ano passado, superando os 14% de 2016, segundo dados alfandegários chineses.

A segunda fonte destacou que o crescimento das importações da Argentina e do Uruguai é, principalmente, uma consequência da decisão chinesa de não adquirir soja dos EUA, além das safras abundantes desses países. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a colheita de soja da Argentina em 2024/25 foi de 50,9 milhões de toneladas, em comparação com 48,2 milhões no ano anterior, e 25 milhões em 2022/23, quando uma seca severa impactou os rendimentos. No Uruguai, a produção de soja foi de 4,2 milhões de toneladas no período de 2024/25, contra 3,3 milhões no ano anterior, conforme as informações do USDA.

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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