Desempenho das ações da MRV&Co
As ações da MRV&Co (MRVE3), grupo que congrega as marcas MRV, Resia, Urba e Luggo, reagiram de forma negativa ao divulgado balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), apresentado nesta segunda-feira (9). A análise por parte dos especialistas indica que os resultados vieram com características mistas.
Por volta das 13h30 (horário de Brasília), os papéis da empresa registravam uma queda de 6,8% na bolsa de valores (B3), sendo negociados ao preço de R$ 8,66, após inicialmente apresentarem uma queda superior a 7% no início do pregão.
O peso da Resia no resultado
De acordo com o Banco Safra, os números revelaram duas realidades distintas dentro da empresa. Por um lado, a trajetória de recuperação das operações principais foi mantida, com um aumento na participação das vendas recentes na receita, além de uma margem bruta ajustada de 34,6%, o que representa um crescimento de 30 pontos-base em relação ao trimestre anterior.
Por outro lado, a Resia, subsidiária do grupo que opera nos Estados Unidos (EUA), continuou a impactar negativamente o balanço consolidado. A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 110 milhões no 4T25, desempenho que ficou aquém da expectativa do banco, que previa perdas de R$ 60 milhões.
O Banco Safra observou: “A unidade norte-americana continuou a impactar os resultados, o que compensou a performance das operações principais, que apresentaram um ganho em margem bruta e melhores números de lucros”. Contudo, ressaltou que a empresa já havia reduzido pela metade as despesas gerais e administrativas da Resia no primeiro trimestre de 2026, o que poderá mitigar o impacto dessa divisão nos resultados consolidados nos próximos meses.
O banco mantém uma recomendação neutra para as ações da MRVE3 e afirmou que aguarda um avanço mais consistente na desalavancagem da companhia.
Perspectiva da Empiricus
Conforme o especialista, a empresa tem sido capaz de se aproveitar do cenário resiliente do segmento de baixa renda, especialmente devido ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
De fato, a MRV Incorporação, a principal divisão da companhia, obteve um lucro líquido de R$ 268 milhões no 4T25, um aumento expressivo de 243% em comparação aos R$ 48 milhões reportados no mesmo período do ano anterior.
No total acumulado de 2025, essa unidade registrou um lucro líquido de R$ 611 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 132 milhões em 2023 e superando o saldo positivo de R$ 274 milhões observado em 2024.
Entretanto, Araujo apontou que alguns fatores não recorrentes, juntamente ao resultado negativo da Resia, ainda pressionam os números gerais do conglomerado. “Os resultados vieram um pouco abaixo das estimativas de mercado em algumas linhas. Considerando a queda das ações, adiciono que a situação macroeconômica também gera um efeito adverso para o papel na data de hoje [9]”, afirmou.
Análise da Ativa Investimentos
A Ativa Investimentos ressaltou que a MRV&Co conseguiu atingir, em 2025, metade do guidance previamente proposto, apresentando falhas tanto no lucro líquido quanto na geração de caixa.
O relatório também mencionou que o balanço foi afetado pelas operações norte-americanas, além do descompasso entre produção e repasse.
Segundo o analista Lucas Dias, “Apesar de um resultado ainda impactado pela Resia e pela discrepância entre produção e repasse, o grupo reportou um resultado sem grandes surpresas, apresentando uma receita líquida de R$ 3 bilhões no ano passado, comparada a R$ 2,8 bilhões estimados”.
Ele destacou que o crescimento da receita foi alimentado por um ticket médio marginalmente maior e pelo aumento nos lançamentos, embora a empresa tenha registrado uma queima de caixa anual consolidada de R$ 159 milhões.
“Além disso, a Resia está em um processo gradual de melhora, mas continua a pressionar o resultado consolidado”, observou Dias. Ele também lembrou que a MRV&Co está implementando seu plano de desinvestimento nos Estados Unidos, que deve totalizar US$ 800 milhões até 2026, com US$ 167 milhões já concretizados.
A Ativa Investimentos mantém uma recomendação neutra para as ações da MRVE3.
Fonte: www.moneytimes.com.br

