China supera Rússia como fornecedora de fertilizantes ao Brasil
A China tornou-se a principal fornecedora de fertilizantes para o Brasil em 2025, superando a Rússia.
Alterações no perfil de compra
Essa mudança no cenário de importações é atribuída à alteração no perfil de compra dos importadores brasileiros. Com a alta nos preços dos insumos, os produtores passaram a preferir produtos que possuem uma menor concentração de nutrientes.
Fatores que influenciam os preços
Diversos fatores contribuíram para o aumento dos preços dos fertilizantes. Entre esses fatores estão os conflitos no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia, além do aumento dos custos de produção devido à valorização da matéria-prima.
Busca por alternativas
Por conta do aumento no preço da ureia — que ficou 13% mais cara em outubro de 2025 em comparação a outubro de 2024 —, os produtores têm buscado produtos alternativos, como o sulfato de amônio. A ureia contém 46% de nitrogênio, enquanto o sulfato de amônio possui apenas 21%, de acordo com Bruno Castro, especialista em adubos da Argus.
Aumento nas importações de sulfato de amônio
As compras de sulfato de amônio pelo Brasil aumentaram 44% em relação a 2024, sendo que a China foi responsável por 99% desse volume. Castro ressalta que “a alta nos preços dos produtos de maior concentração elevou a demanda pelos volumes chineses”.
Movimentos no mercado de fosfatados
Um padrão semelhante foi observado no mercado de fosfatados, que são amplamente utilizados no cultivo de soja. O MAP 11-52, que é um dos principais insumos do mercado brasileiro — com 45% do total utilizado no país vindo da Rússia —, teve seu preço elevado. Como resultado, os produtores redirecionaram suas compras para o Super Fosfato Simples (SSP), que apresenta uma concentração menor: o MAP 11-52 tem 52% de fósforo, enquanto o SSP varia entre 18% e 24%.
A China forneceu 24% do SSP importado pelo Brasil durante o período de dez meses, conforme explica o especialista. Essa troca de fornecedores, com a China superando a Rússia, ocorre porque os produtos chineses estão amplamente disponíveis no mercado.
A relevância da Rússia no mercado brasileiro
É importante notar que a Rússia ainda mantém uma posição relevante no mercado de fertilizantes do Brasil. De janeiro a outubro, o Brasil importou um total de 38,3 milhões de toneladas de fertilizantes. Juntas, China e Rússia foram responsáveis por 50% desse total, com cada um fornecendo 25%, uma diferença de apenas 40 mil toneladas a favor da China.
A dependência crescente de fertilizantes chineses
O aumento da dependência em relação aos fertilizantes chineses gera preocupações, conforme argumenta a Argus. O mercado chinês é fortemente regulado e, em situações de alta demanda interna, o governo pode optar por restringir as exportações. Isso deixaria o Brasil com poucas alternativas, forçando-o a buscar fornecedores mais caros.
Implicações logísticas
Outro aspecto crítico é que os produtos de menor concentração exigem volumes maiores para que a mesma quantidade de nutrientes seja aplicada. Isso resulta em um aumento na demanda por transporte, requer mais espaço para armazenamento nos portos e pressiona os hubs de distribuição. Portanto, embora o custo dos insumos possa cair, as despesas logísticas aumentam.
Volumes garantidos para safra atual
Para a safra atual de soja (2025/26) e para o milho da primeira safra, que já foi plantado, os volumes de fertilizantes estão garantidos. Em relação ao milho safrinha do próximo ano, aproximadamente 75% dos nutrientes já foram adquiridos.
Anticipação nas compras para 2026
O foco neste momento recai sobre as safras de soja e milho de 2026/27, que ainda não têm todos os volumes adquiridos. Castro aponta que já se observa uma forte antecipação nas compras de produtos de menor concentração, uma tendência que deverá persistir em 2026.
O futuro das importações de sulfato de amônio
No que diz respeito aos nitrogenados, a China não possui políticas que restrinjam as exportações de sulfato de amônio. Isso pode aumentar ainda mais o volume importado pelo Brasil, caso o preço da ureia não sofra uma redução significativa.
Riscos geopolíticos
Fatores geopolíticos continuam a representar um risco, visto que qualquer nova instabilidade global tem o potencial de impactar o abastecimento de fertilizantes no Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br

