Mudança na Perspectiva do Citi Sobre o Real
O Citi revisou sua posição a respeito da moeda brasileira, passando de "overweight" (acima da média, com recomendação de compra) para neutro. Essa alteração ocorreu devido às "crescentes tensões geopolíticas".
Tensão no Oriente Médio
No último sábado, dia 28, Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados ao Irã, resultando na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país. A situação provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crítica responsável pelo escoamento de aproximadamente um quinto do petróleo mundial. O impacto dessa crise já teve reflexos no mercado, com o preço do petróleo subindo mais de 15% nos últimos dois pregões.
Efeitos Sobre o Real
Segundo análise do banco, a escalada nas tensões e o aumento da volatilidade após o início do conflito impactaram significativamente as divisas emergentes, especialmente o real. O Citi observou um aumento considerável das posições "compradas" em real no primeiro trimestre. A moeda brasileira passou a exibir uma posição comprada relevante no último período, sustentada por um carry trade atrativo e condições favoráveis nas trocas comerciais.
De acordo com o banco, esse movimento deixou o real "mais vulnerável ao recente cenário de aversão ao risco".
Desempenho Recentes do Real
Nos últimos dois pregões, o real apresentou uma desvalorização de quase 2,8% frente ao dólar. Contudo, no acumulado do ano, a moeda ainda registra um saldo positivo de 3,8% em relação à divisa norte-americana. Apesar de sua nova classificação neutra, o Citi continua a manter posições compradas em real, peso mexicano e lira turca, tendo como referência o dólar canadense, franco suíço e baht tailandês, na busca de capturar o carry das moedas que oferecem maior rendimento, mantendo uma postura moderada.
Postura Mais Cautelosa do Banco Central
Os analistas do Citi também abordaram a "surpresa" altista no Índice de Preço ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) divulgada na semana passada, que reforça a expectativa de que o Banco Central conduza o ciclo de cortes de forma cautelosa.
A prévia da inflação, divulgada na última sexta-feira, dia 27, apresentou um aumento de 0,84% no segundo mês do ano, ultrapassando as expectativas do mercado, que estavam em 0,56%. No entanto, no acumulado dos doze meses, o IPCA-15 desacelerou de 4,50% para 4,10%.
Expectativas para a Selic
Esse cenário se alinha com as expectativas dos economistas do Citi, que preveem um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Esse encontro, que representa o início do ciclo de afrouxamento monetário, está agendado para os dias 17 e 18 deste mês.
Atualmente, a taxa de juros no Brasil está em 15% ao ano, refletindo um contexto de preocupação e especulação a respeito de sua eventual alteração.
Fonte: www.moneytimes.com.br


