Banco projeta alta na receita da Cogna e desempenho superior no ensino presencial
Na sexta-feira, 24 de abril, o JPMorgan reiterou sua preferência por Cogna Educação (BOV:COGN3) em comparação com Yduqs (BOV:YDUQ3) para a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O banco destacou as perspectivas de crescimento mais robustas e a execução operacional mais eficiente da Cogna no setor de ensino presencial.
Expectativa de crescimento da receita
A recomendação de compra para as ações da Cogna (COGN3) fundamenta-se na expectativa de um crescimento na receita de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, com uma projeção de receita líquida de R$ 2,1 bilhões, valor que se encontra cerca de 7% acima do consenso do mercado. Em comparação, a Yduqs (YDUQ3) deverá apresentar uma expansão mais modesta, limitada a 3,2%, reflexo das dificuldades operacionais, em especial no segmento digital.
Desempenho da Kroton e cenário no ensino presencial
O relatório do banco norte-americano também observou que a Cogna se beneficia de um ambiente mais favorável para o ensino presencial, especialmente por meio de sua controlada Kroton, que deve ter um aumento de 20% na captação de alunos neste período. Esse desempenho contribui para compensar a retração de 15% observada no ensino a distância (EAD), reforçando a tese de que o ensino presencial está recuperando força no Brasil.
Aumento na receita da Kroton e pressão nas margens
Além disso, espera-se que a receita da Kroton avance 11% no 1T26, superando o crescimento de 8% registrado no quarto trimestre de 2025. No entanto, as margens operacionais ainda enfrentam pressão, com uma expectativa de compressão de 3,2 pontos percentuais, o que levará a margem consolidada a 31%.
Impacto do cenário macroeconômico
O cenário macroeconômico também é um fator relevante na análise. De acordo com o JPMorgan, a expectativa de uma desaceleração mais lenta na taxa básica de juros (Selic) pode pressionar as despesas financeiras das empresas do setor educacional. Por conta disso, o banco revisou para baixo a estimativa do lucro por ação (LPA) da Cogna em 10% para 2026 e em 16% para 2027. Apesar disso, a previsão é de um lucro líquido ajustado de R$ 247 milhões no trimestre e um Ebitda ajustado de R$ 651 milhões, o que representa um aumento de 16% em relação ao ano anterior.
Desafios enfrentados pela Yduqs
O cenário para a Yduqs se mostra mais desafiador. Embora tenha havido um leve ajuste positivo nas previsões de curto prazo, as estimativas de longo prazo foram reduzidas. O banco estima uma receita de R$ 1,3 bilhão para o 1T26 e um lucro ajustado de R$ 139 milhões, valor que está 15% abaixo do consenso oferecido pela Bloomberg.
Dificuldades no ensino digital e crescimento do segmento premium
A Yduqs continua a enfrentar dificuldades na conversão de matrículas no setor de ensino digital, com uma previsão de queda nas receitas desse segmento de 18,6% até 2027. Em contrapartida, o segmento premium, impulsionado pela marca IBMEC, deve registrar um crescimento de 13% no trimestre, com margens elevadas, próximas de 49%.
Recomendação e movimentação das ações
Apesar do cenário adverso, o banco mantém uma recomendação neutra para as ações da YDUQ3, com o preço-alvo sendo reduzido de R$ 21,00 para R$ 18,50, refletindo uma realidade mais incerta para a companhia.
Na data em questão, por volta das 15h19, as ações da Cogna (BOV:COGN3) estavam sendo negociadas a R$ 2,92, mostrando uma queda de 1,02%. O papel iniciou o pregão a R$ 2,96, atingiu um pico de R$ 2,97 e uma mínima de R$ 2,89, indicando uma volatilidade moderada ao longo do dia.
A Yduqs (BOV:YDUQ3) estava em uma trajetória de maior recuo, sendo cotada a R$ 10,41 com uma queda de 3,16%. O papel abriu a R$ 10,77, atingiu uma máxima de R$ 10,78 e uma mínima de R$ 10,40, sugerindo uma reação mais negativa dos investidores diante das perspectivas menos otimistas indicadas no relatório.
A Cogna Educação no cenário educacional brasileiro
A Cogna Educação se destaca como uma das maiores empresas do setor educacional no Brasil, atuando em diversas frentes, como ensino superior, educação básica e soluções digitais. A companhia administra marcas significativas, como Kroton, Vasta e Saber, competindo diretamente com outras entidades, como Yduqs (YDUQ3) e Ânima (ANIM3) na bolsa de valores brasileira.
Mesmo diante das revisões negativas nas estimativas, a Cogna (COGN3) se solidifica como a principal aposta do JPMorgan no setor educacional para o 1T26, sustentada por uma execução mais sólida no ensino presencial e por um crescimento superior à média do mercado.
Os investidores devem manter atenção aos resultados que serão divulgados e aos desdobramentos no ambiente macroeconômico, especialmente em relação à trajetória da Selic, que se constitui como uma variável crucial para a performance financeira do setor educacional.
Fonte: br.-.com