Com a redução da Selic, é vantajoso aguardar por juros mais baixos antes de contratar um financiamento habitacional?

Decisão do Banco Central e a taxa Selic

Com a recente decisão do Banco Central (BC) de iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros, surge a dúvida sobre se vale a pena esperar por novos cortes na Selic antes de financiar um imóvel. Especialistas consultados pela IstoÉ Dinheiro afirmam que a escolha de entrar em um financiamento não deve ser baseada exclusivamente na taxa Selic.

Cenário econômico incerto

O cenário para o futuro continua incerto, já que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual. No comunicado emitido após a decisão, o Copom enfatizou a necessidade de cautela, mencionando o agravamento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio e utilizando a palavra “incerteza” em várias ocasiões.

De acordo com Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, “quando a decisão de comprar um imóvel depende apenas da expectativa de queda de juros, o risco aumenta, pois se trata de uma aposta em cenário macroeconômico”.

Relação entre financiamento e taxa Selic

Além disso, os juros aplicados aos financiamentos imobiliários não estão diretamente relacionados à Selic. Daniela Akamine, advogada e especialista em financiamento imobiliário, comenta: “Quando o Banco Central eleva a Selic, o custo de captação das instituições financeiras aumenta, o que tende a pressionar as taxas do crédito imobiliário. Contudo, essas taxas também estão relacionadas a outras fontes de financiamento, como a poupança e as letras de crédito imobiliário, bem como à curva futura de juros e à política interna de risco de cada instituição.”

Mesmo que os juros do financiamento imobiliário apresentem uma diminuição, o impacto sobre o custo total do financiamento pode ser o inverso do esperado. A redução nas taxas de juros pode aumentar a demanda por imóveis, o que poderia elevar os preços e, consequentemente, reduzir o benefício das taxas mais baixas.

Conforme informações do Banco Central, a taxa média de juros cobrada pelos bancos para financiamento imobiliário foi de 10,4% ao ano em janeiro, em comparação com 11,6% em dezembro do ano anterior.

Decisões antes de financiar um imóvel

Especialistas sugerem que a decisão sobre o momento de iniciar um financiamento deve focar nas características pessoais de cada comprador. Akamine destaca: “A pergunta central não é se a taxa vai subir ou cair, mas se a sua vida financeira está organizada para assumir essa responsabilidade com tranquilidade.”

Ela também acrescenta que decisões relacionadas a imóveis muitas vezes são influenciadas por alterações na vida pessoal que não esperam pela Selic cair, como o nascimento de um filho, casamento, divórcio, mudança de cidade ou reorganização familiar, que podem tornar a compra de uma casa necessária imediatamente.

Os potenciais compradores devem observar suas finanças e considerar alguns pontos importantes, como:

  • Sua renda é estável para assumir este compromisso? A falta de pagamento das parcelas pode resultar na perda do imóvel e no valor investido.
  • Você tem condições de arcar com a parcela? A recomendação é que as parcelas não ultrapassem 30% de sua renda mensal. “Aprovação bancária não significa, necessariamente, conforto financeiro”, alerta Akamine.
  • Você possui um valor significativo para a entrada? Quanto mais recursos próprios você tiver, incluindo o saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), menor será o valor das parcelas mensais.

Após planejar suas finanças de maneira adequada, é o momento de buscar uma boa oportunidade no mercado. Marcelo Milech, planejador financeiro e integrante da Planejar, destaca que o comprador deve agir rapidamente caso encontre um imóvel com valor abaixo da média de mercado ou se o valor atual do aluguel for igual ou superior à projeção da parcela do financiamento.

Avaliação das condições de financiamento

Uma vez que as contas estejam organizadas e o imóvel selecionado, é essencial avaliar as condições oferecidas por diferentes instituições financeiras. Os especialistas ressaltam que a taxa de juros é apenas um dos aspectos a serem considerados. É fundamental observar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui seguros obrigatórios, tarifas e outros encargos.

Outro aspecto que merece atenção são as condições de portabilidade. Akamine enfatiza: “Se as taxas de juros caírem no futuro, há a possibilidade de transferir seu financiamento para outra instituição que ofereça condições mais vantajosas. Portanto, contratar agora não implica imediata limitação às condições atuais por 20 ou 30 anos.”

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro da B3.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

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