Como a JBS (JBSS32) tem progredido após a listagem nos EUA e quais são os planos para os dividendos? Entrevista com o CFO.

Como a JBS (JBSS32) tem progredido após a listagem nos EUA e quais são os planos para os dividendos? Entrevista com o CFO.

by Ricardo Almeida
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Estreia da JBS na NYSE

Após um longo período de expectativa, 2025 marcou a estreia da JBS (JBSS32) na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), nos Estados Unidos, ocorrendo em 12 de junho.

Um dos principais objetivos dessa dupla listagem da companhia, pertencente aos irmãos Batista, era aumentar sua visibilidade entre investidores internacionais e obter acesso a fundos que possuem restrições para investir diretamente em mercados como o brasileiro. Além disso, essa reestruturação visava liberar valor para as ações da empresa e reduzir seu custo de capital.

Valorização das ações

Nos primeiros meses de 2025, as ações da JBS acumularam uma valorização de 33%. Conforme informações divulgadas pela própria companhia, em cerca de seis meses, a JBS superou um volume diário de negócios de US$ 115,2 milhões, o que representa um incremento de 210% em relação à média de 2024.

Comparação de Múltiplos

A JBS está sendo negociada entre 5 e 5,5 vezes o valor de Enterprise Value/Ebitda (EV/Ebitda), enquanto suas concorrentes na América do Norte e na Europa apresentam, em média, uma negociação em torno de 8 a 8,5 vezes EV/Ebitda. O índice EV/Ebitda é um indicador que mede quanto o mercado está disposto a pagar pelo lucro operacional de uma empresa, antes da consideração de juros, impostos, depreciação e amortização. Um múltiplo mais baixo pode ser interpretado como uma oportunidade de investimento mais atraente.

Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS, comentou que essa comparação evidencia o potencial de crescimento da empresa no mercado acionário dos Estados Unidos.

Agenda Intensiva de Relações com Investidores

Com o intuito de aumentar seu reconhecimento entre investidores estrangeiros, a JBS tem investido em uma agenda intensa de reuniões e conferências. Cavalcanti mencionou que o número de interações aumentou em 14% no acumulado do ano em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Em uma rápida, mas esperada, evolução, já em setembro, a JBS passou a fazer parte do índice FTSE dos Estados Unidos, um índice que reúne 537 companhias listadas no país, totalizando mais de US$ 50 trilhões em valor de mercado. O executivo expressou a intenção da empresa de ser elegível para inclusão em índices importantes de ações americanas, como o S&P, CRSP e Russell.

Histórico de Dividendos

O CFO destacou que a JBS possui um histórico consolidado como boa pagadora de dividendos. Nos últimos cinco anos, a companhia distribuiu, em média, cerca de US$ 1 bilhão anualmente.

Cavalcanti também mencionou que, em anos de desempenho excepcional e na ausência de oportunidades de fusões e aquisições (M&A), a JBS pode considerar distribuições adicionais ou programas de recompra de ações. Recentemente, a empresa concluiu um programa de recompra de ações das classes A e BDRs, totalizando US$ 600 milhões.

Quando questionado sobre a possibilidade de implementar uma política de dividendos regulares, o CFO preferiu não entrar em detalhes. Ele lembrou que, com a listagem na NYSE, a empresa não está mais sujeita à legislação brasileira, que exigia a distribuição de um mínimo de 25% do lucro líquido.

“A política de dividendos da JBS continuará a depender da geração de caixa da companhia. A listagem nos Estados Unidos elimina a necessidade de seguir a legislação brasileira, que estipulava um mínimo de 25% do lucro líquido, mas a prática da empresa já era de pagamentos acima desse limite. A natureza cíclica do setor não permite previsões fixas ou progressivas para dividendos”, acrescentou.

Avaliação do Papel da JBS

As ações da JBS são acompanhadas por cerca de 20 instituições financeiras e casas de análise, a maioria das quais recomenda a compra dos papéis. O Bank of America, por exemplo, reafirmou sua recomendação de compra em um relatório publicado em 16 de novembro, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, elevando o preço-alvo das ações de US$ 20 (R$ 110) para US$ 21 (R$ 114).

No relatório, os analistas destacaram os seguintes motivos para a recomendação de compra: 1) um impulso resiliente nos lucros para 2026; 2) oportunidades de crescimento, tanto orgânico quanto inorgânico; e 3) uma avaliação atrativa a 6,0 vezes EV/Ebitda, em comparação com a avaliação de 7,9 vezes para a Tyson, enquanto a JBS demonstra confiança em gerar US$ 1 bilhão em dividendos em 2026, resultando em um rendimento de 7%.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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