Como é feita a produção de biocombustível a partir do trigo?

Como é feita a produção de biocombustível a partir do trigo?

by Ricardo Almeida
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Debate sobre o Etanol no Brasil

O assunto envolvendo o etanol no Brasil tem se intensificado, assumindo contornos de um verdadeiro "derby". À medida que o biocombustível produzido a partir do milho avança, conquistando uma fatia de mercado historicamente dominada pela cana-de-açúcar, novas rotas para a produção de etanol começam a emergir no setor.

Investimentos em Etanol de Trigo

Com a crescente popularidade do etanol de milho, os primeiros investimentos em etanol de trigo no Brasil estão começaram a tomar forma. Em janeiro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a CB Bioenergia, uma usina localizada em Santiago, no Rio Grande do Sul, para iniciar suas operações.

A expectativa da CB Bioenergia é processar cerca de 100 toneladas do cereal diariamente e produzir até 12 milhões de litros de etanol hidratado anualmente. Até 2027, a empresa projeta expandir a unidade de Santiago para uma capacidade de produção entre 45 e 50 milhões de litros por ano, o que demandará investimentos adicionais estimados em R$ 500 milhões.

Outro destaque é a parceria entre a Kepler Weber (KEPL3) e a Be8, que está prevista para ser implantada em Passo Fundo, também no Rio Grande do Sul. Este projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão na construção de uma planta para a produção de etanol de trigo.

Com uma capacidade de processamento anual de 525 mil toneladas de grãos, a nova unidade está projetada para produzir 220 milhões de litros de etanol, 155 mil toneladas de farelo e 35 mil toneladas de glúten vital. O investimento total está calculado em R$ 1,26 bilhão, e a Kepler Weber será responsável pela construção de oito silos, que terão uma capacidade de armazenamento total de 160 mil toneladas, com conclusão esperada para o segundo semestre de 2026.

Custos do Etanol de Trigo

De acordo com a StoneX, o panorama dos custos para o etanol de trigo ainda apresenta incertezas. Diferentemente do milho, que possui uma série de indicadores de preços e um histórico de custos, além de uma interação ampla com usinas já estabelecidas, o etanol de trigo carece de referências claras, especialmente em relação ao preço do cereal entregue na usina.

No geral, o etanol de trigo tem características que o tornam mais similar ao etanol de milho do que ao etanol de cana-de-açúcar. Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX, enfatiza que "é possível armazenar a matéria-prima, ao contrário da cana, que deve ser processada em até 48 horas para evitar perda de açúcar e rendimento de etanol. Além disso, existem possibilidades de criação de subprodutos a partir do trigo".

Segundo a consultoria, uma tonelada de trigo é capaz de gerar entre 400 e 420 litros de etanol. Esse rendimento é bastante próximo ao do milho, que atualmente varia entre 430 a 450 litros por tonelada nas usinas mais eficientes. Em relação ao manejo e à produtividade industrial, as semelhanças com o milho permanecem. No entanto, a incerteza em torno dos custos continua a ser um fator crítico, visto que ainda não existem referências bem estabelecidas sobre o preço do trigo nas usinas ou sobre os métodos de processamento e tecnologia a serem adotados.

Produção de Trigo no Brasil

A maior parte da produção nacional de trigo, um cereal de clima de inverno, está concentrada na região Sul do Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao ano de 2024, indicam que cerca de 80,85% da produção total de trigo do país se localiza nessa região, favorecida por condições climáticas propícias para essa cultura.

Os principais estados produtores são o Rio Grande do Sul, que responde por 47,53% da produção nacional, e o Paraná, cuja contribuição é de cerca de 33,32%.

“Não por acaso, os dois projetos atuais de etanol de trigo estão situados nessas regiões: um já está em operação e o outro está em construção. No Rio Grande do Sul, a criação desse mercado é bastante lógica. O estado possui uma produção substancial de trigo, mas apresenta baixa autossuficiência em etanol, resultando na importação do combustível de outras regiões”, observa Di Bonifácio.

Nesse contexto, o etanol de trigo apresenta-se como uma oportunidade significativa para a economia gaúcha, ao agregar valor a uma cultura já tradicional no estado. Por outro lado, a situação no Paraná é mais complexa, uma vez que o estado enfrenta a concorrência do etanol de cana, especialmente nas áreas do norte paranaense e nas divisas com o oeste paulista, onde a influência do setor sucroenergético é predominante.

“Além disso, o Sul do Brasil de forma geral possui uma forte presença de milho, o que o torna uma região tradicional na produção de cereais, como trigo, milho e soja. Este conjunto de fatores ajuda a explicar por que o mercado de etanol de trigo começou a se desenvolver primeiro no Rio Grande do Sul”, conclui o analista.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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