Ações de software enfrentam o 'Dilema do Inovador' enquanto caem devido ao temor da IA

Ações de software enfrentam o ‘Dilema do Inovador’ enquanto caem devido ao temor da IA

by Patrícia Moreira
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Queda nas Ações de Empresas de Software

As ações de empresas de software estão perdendo prestígio após anos de liderança no mercado, à medida que os investidores temem que esse grupo possa ser uma das primeiras grandes vítimas dos avanços em inteligência artificial (IA). Companhias de software de grande porte, como Intuit, ServiceNow, GoDaddy, AppLovin e Adobe, estão entre as piores desempenhadoras do S&P 500 até o momento, com esse ranking sendo atualizado até o fechamento de sexta-feira.

Preocupações com a Adoção de IA

Com a aceleração da adoção de IA, que inclui experimentos com agentes de IA, as ações parecem refletir a crescente preocupação de que a automação possa transformar fundamentalmente os negócios de software empresarial e afetar o poder de precificação das empresas. Os novos agentes de IA, como o Claude Cowork da Anthropic, são projetados para tarefas de produtividade básica, como gestão de arquivos, que se sobrepõem ao que as principais empresas de software oferecem.

Muitas dessas empresas, incluindo Adobe e Salesforce, utilizam modelos de assinatura do tipo "por assento", que cobram uma taxa recorrente das empresas para cada usuário individual, ou assento. É possível que os agentes de IA possam substituir esses assentos humanos, comprometendo, assim, as fontes de receita previsíveis, que são um grande atrativo para os investidores dessas ações.

Análise de Especialistas

"O mercado é bastante esperto e começa a perceber qual é o rumo das coisas", afirmou Ben Reitzes, chefe de pesquisa em tecnologia da Melius Research. Ele destacou que muitas empresas de software como serviço (SaaS) são movidas pela lógica de IA e agentes em um cenário onde o primeiro modelo é o de assento, caracterizando um "Dilema do Inovador". Reitzes, que declarou pela primeira vez que "IA está devorando o software" em abril de 2024, referia-se a um conceito popularizado pelo professor da Harvard, Clayton Christensen, que explica por que tecnologia disruptiva substitui incumbentes anteriormente bem-sucedidos.

"A estrutura de precificação e a forma como o mercado global é atendido poderiam mudar com a IA. E é uma daquelas situações em que é muito difícil lutar contra isso", disse Reitzes em entrevista à CNBC. Ele comentou que as empresas de software se beneficiaram de aumentos significativos de preços realizados durante a pandemia de Covid-19 e das contratações robustas na era da pandemia que aumentaram o crescimento dos assentos. "Essas duas questões isoladamente são muito preocupantes, já que elas dependem de aumentos de preços e de assentos artificiais para crescer", completou.

Redução nos Custos de Programação

Alguns analistas sustentam que a IA não substituirá completamente o software, uma vez que carece de contexto mais profundo. Reitzes, no entanto, acredita que essa barreira pode ser exagerada, dado que os agentes de IA podem extrair contexto diretamente a partir dos dados dos clientes, em vez de sistemas corporativos tradicionais. "Muitos dos obstáculos para a implementação de software empresarial serão eliminados porque o custo da programação se aproximará de zero, permitindo que uma variedade de soluções sejam testadas, desde que haja acesso à camada de dados. E com o tempo, as capacidades de IA em compreender o contexto irão melhorar", afirmou Reitzes. "O crucial é saber se os agentes conseguem acessar os dados e a precisão necessária."

Expectativa de Recuperação das Ações

É importante notar que muitos analistas acreditam que essa queda nas ações de software pode ser de curta duração, à medida que líderes em Software como Serviço (SaaS) integrem ainda mais a IA em suas ofertas. Os fornecedores de software começaram a combinar modelos de monetização baseados em uso com a cobrança por assento, na tentativa de capitalizar sobre a IA.

Separação entre os Vencedores e Perdedores

Tanto Arjun Bhatia, analista da William Blair, quanto Gil Luria, responsável pela pesquisa em tecnologia da D.A. Davidson, acreditam que a venda excessiva pode ter sido exagerada. Bhatia escreveu em uma nota a clientes que os temores de descontentamento relacionados ao modelo de IA e saídas cíclicas "não justificam a venda indiscriminada em larga escala que estamos observando em todo o setor". Segundo ele, se as empresas de software escalarem a monetização da IA e observarem uma reaceleração geral nas taxas de crescimento, isso poderia melhorar o sentimento do grupo.

Luria acrescentou que a venda recente abriu uma boa oportunidade de investimento. Ele destacou que as empresas de software continuam a ser negócios escaláveis, recorrentes e com altas margens incrementais. "A IA não disruptou efetivamente nenhum desses negócios, mas a sabedoria convencional é de que ela o fará com todos eles. Quanto melhores os modelos de IA se tornam, mais os investidores se convencem de que não precisaremos mais de software empresarial e tudo será substituído por codificação intuitiva", comentou Luria à CNBC.

Ele prevê que o processo de distinção entre os vencedores e perdedores está em andamento neste ano, e demonstrar uma aceleração nas receitas será crucial. "Destacamos que esses ventos são volúveis e podem mudar de direção rapidamente — ações como CRM, ADBE, PATH e ESTC passaram por fases de serem consideradas grandes vencedoras de IA e depois grandes perdedoras. É por isso que agora nos encontramos com várias empresas de software sendo negociadas a múltiplos de fluxo de caixa previamente inéditos", escreveu Luria em uma nota de 14 de janeiro, reafirmando suas recomendações de compra para Snowflake, DataDog e Box. Reitzes também expressou preferência por Snowflake e MongoDB como nomes de software menos vulneráveis à disrupção da IA, considerando que essas empresas se enquadram na categoria de "conectores de dados", que tornam os dados utilizáveis e seguros entre sistemas, em vez de focar em aplicações para o usuário final.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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