Expectativas do Mercado
Com a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano, os investidores estão agora buscando compreender como o Ibovespa se comportará nas negociações desta quinta-feira, dia 19.
Desempenho do Índice EWZ
No mercado internacional, o índice EWZ — que replica o desempenho do índice MSCI Brasil, refletindo as principais ações da bolsa brasileira — apresentou uma queda de 0,46%, sendo cotado a US$ 36,09, por volta das 20h04, horário de Brasília. No pregão regular anterior, o índice já havia encerrado com uma queda mais acentuada de 1,25%, a US$ 36,25.
Com essa antevisão do EWZ, espera-se que o Ibovespa (IBOV) reaja de maneira menos intensa à decisão do Copom, enquanto fatores externos continuarão a influenciar o desempenho do índice doméstico.
“Embora o início do corte dos juros seja um sinal positivo, a bolsa não deve registrar grandes oscilações”, declarou Rafael Rondinelli, economista da Mag Investimentos, durante uma discussão especial sobre a reunião do Copom.
Na jornada anterior, dia 18, o principal índice da bolsa brasileira finalizou as negociações com uma queda de 0,43%, atingindo 179.639,91 pontos.
Perspectivas para os Juros Futuros
Analistas da Warren Rena projetam um movimento moderado de steepening na curva de juros, uma vez que a comunicação do Copom não modificou a perspectiva, apesar das recentes surpresas em relação à inflação e à atividade econômica.
Os especialistas Luis Felipe Vital e Cecilia Mazzoni sinalizam que a decisão do Copom deve ser superada por incertezas elevadas no mercado externo.
De forma resumida, steepening refere-se à abertura da curva de juros, caracterizada pelo aumento da diferença entre as taxas de curto e longo prazos. Isso normalmente ocorre quando os juros de longo prazo se elevam mais rapidamente do que os de curto prazo, ou quando os de curto prazo caem mais rápido que os longos.
Nesta quarta-feira, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027, que é de curtíssimo prazo, encerrou a 14,200%, em comparação com 14,135% da última atualização. Por outro lado, a taxa de DI com vencimento em janeiro de 2036, de longo prazo, fechou a 13,880%, subindo de 13,790% do ajuste anterior.
Movimentações do Dólar
No mercado, o dólar à vista (USDBRL) concluiu a sessão na quarta-feira (18) a R$ 5,2468, registrando uma alta de 0,90%.
O economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, antecipa que a valorização do dólar em relação ao real deve continuar seguindo o mesmo ritmo nesta quinta-feira, dia 19.
Decisão do Banco Central
Na quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, reduzindo-a de 15% para 14,75% ao ano. Esta é a primeira flexibilização da taxa de juros e a decisão foi unânime.
O corte na Selic também se alinhou às expectativas do mercado. Na atualização mais recente, com dados de referência de segunda-feira (16), o contrato de Opções de Copom da B3 indicava uma probabilidade de 64% de que o Banco Central (BC) reduzisse os juros em 0,25 p.p.
“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano e considera que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para próxima da meta ao longo do horizonte relevante”, consta no comunicado oficial.
Uma nova informação no comunicado abordou a situação do conflito no Irã, que teve início em 28 de fevereiro através de ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel. Na declaração, os diretores do Banco Central enfatizaram que o ambiente externo se tornou mais incerto.
“Esse cenário exige cautela particular dos países emergentes em um contexto caracterizado pela elevação da volatilidade dos preços de ativos e commodities”, indicou a nota do Copom.
Os diretores ainda analisaram os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, especialmente seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities, que indiretamente afetam a inflação no Brasil.
Fonte: www.moneytimes.com.br

