Comportamento do Ibovespa e Dólar
Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em manter a taxa Selic a 15% ao ano já assimilada pelos mercados, os investidores estão atentos às expectativas sobre o desempenho do Ibovespa durante o pregão desta quinta-feira (29).
Internacionalmente, o índice EWZ — que reflete o desempenho do índice MSCI Brasil, englobando as principais ações da bolsa brasileira — apresentou uma alta de mais de 1% logo após a divulgação do comunicado do Copom, mantendo o tom positivo observado no fechamento anterior. O índice encerrou a sessão com um aumento de 1,16%, cotado a US$ 38,33.
Com essa “prévia” do EWZ, o Ibovespa (IBOV) deve vivenciar um dia de novas máximas, conforme a avaliação de Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo. Ele afirmou: “A manutenção dos juros nessa decisão era a grande expectativa, mas um comunicado tão claro sobre o próximo movimento ainda não estava completamente incorporado nos preços”, durante o Giro Especial do Copom.
Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, projetou que o Ibovespa deve continuar em alta, prevendo que o índice encerre o ano de 2026 na marca de 200 mil pontos. No fechamento do pregão anterior, em 28 de janeiro, o principal índice da bolsa brasileira registrou uma elevação de 1,52%, alcançando 184.691,05 pontos, estabelecendo um novo recorde nominal histórico.
Expectativas para os Juros Futuros
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) já precificaram a decisão do Banco Central. Ele observou que houve redução nas taxas durante a sessão desta quarta-feira, com a expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic em março.
A taxa de DI para janeiro de 2027 fechou em 13,515%, comparada a 13,576% do fechamento anterior, representando um recuo pela sexta sessão consecutiva. Da mesma forma, a taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou a 12,78%, ante 12,862% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2029 ficou em 12,785%, comparada a 12,865% da véspera (27).
No total, nas últimas seis sessões, as taxas para janeiro de 2028 e janeiro de 2035 recuaram 41 e 48 pontos-base, respectivamente. A equipe da Warren Rena acredita que a sinalização explícita do Copom quanto a um possível corte na próxima decisão deve gerar um “movimento relevante” de queda na parte curta e intermediária da curva de juros, com o mercado passando a considerar cortes implícitos adicionais, dado que a incerteza sobre o início do ciclo de cortes foi removida.
Movimentação do Dólar
Durante o fechamento da quarta-feira, o dólar à vista (USDBRL) finalizou a sessão a R$ 5,2066. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, antecipa que a queda do dólar em relação ao real deverá persistir nesta quinta-feira (29).
Por outro lado, Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, assinalou que o dólar já está perdendo força não apenas frente ao real, mas também em relação a outras moedas globais, considerando o desempenho recente do DXY — índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes. Segundo ele, “O DXY se aproxima de um nível de estabilização em torno de 96 pontos, e o real provavelmente já alcançou seu melhor momento, atingindo a marca de R$ 5,20.”
Decisão do Banco Central
O Copom decidiu mantiver a taxa Selic em 15% ao ano na quarta-feira (28), nível mais alto desde meados de 2006. Essa manutenção representa a quinta vez consecutiva em que a taxa permanece estável e foi amplamente esperada pelos participantes do mercado. A decisão foi unânime.
No comunicado divulgado, os diretores do Copom reiteraram que o cenário internacional permanece repleto de incertezas, especialmente em relação à política econômica dos Estados Unidos, e destacaram que a realidade atual exige “cautela” por parte dos países emergentes, em um ambiente marcado por tensões geopolíticas.
Ainda segundo o Banco Central, os indicadores de atividade econômica no Brasil seguem apresentando, como era esperado, uma trajetória de moderação no crescimento, embora o mercado de trabalho ainda demonstre sinais de resiliência. De maneira adicional, o Copom observou que as expectativas de inflação seguem desancoradas.
Desta vez, o Copom sinalizou a possibilidade de um corte na taxa de juros em março. “O Comitê antevê, se confirmar o cenário projetado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição necessária para assegurar a convergência da inflação à meta.”
O colegiado destacou que a magnitude e o ritmo dos cortes dependerão da “evolução de fatores que possibilitem maior confiança na realização da meta de inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.”
Fonte: www.moneytimes.com.br


