Índice de Confiança do Comércio
O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), divulgado pelo FGV IBRE, apresentou um avanço em abril, interrompendo uma sequência de resultados negativos, o que indica uma melhora pontual na percepção do setor. No mês, o indicador subiu 1,6 ponto, alcançando 86,2 pontos. Contudo, na média móvel trimestral, houve um recuo de 1,7 ponto, reduzindo para 86,0 pontos, o que evidencia que o ambiente continua a ser pressionado.
Análise do Avanço da Confiança
“A confiança do comércio avançou após dois meses consecutivos de queda, tendo como sustentação a reversão das avaliações sobre o momento atual. Essa alta foi influenciada, sobretudo, por uma recuperação na demanda atual, que havia sido deteriorada nos últimos meses. Apesar dessa melhora, as perspectivas sobre a demanda futura se enfraqueceram pelo terceiro mês consecutivo, já sinalizando um pessimismo em relação à sua sustentação nos próximos meses. O varejo inicia o segundo trimestre de 2026 em um ambiente ainda desafiador, marcado pelo cenário vigente e as expectativas desfavoráveis. Esse quadro reflete a situação dos juros elevados e a pressão inflacionária sobre o poder de compra, perpetuando a percepção de demanda fragilizada e expectativas mais pessimistas no setor”, afirma Geórgia Veloso, economista do FGV IBRE.
Segmentos Analisados
O avanço da confiança foi identificado em quatro dos seis segmentos analisados, destacando-se a melhoria na avaliação da situação atual. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) subiu 3,2 pontos, alcançando 88,0 pontos, impulsionado principalmente pela recuperação do volume de demanda, que aumentou 5,6 pontos, elevando-se para 89,2 pontos. Já o indicador referente à situação atual dos negócios registrou um aumento mais moderado, de 0,8 ponto, chegando a 87,1 pontos.
Expectativas para o Futuro
Por outro lado, as expectativas para os próximos meses permanecem frágeis. O Índice de Expectativas (IE-COM) ficou estabilizado em 85,1 pontos, refletindo movimentos divergentes entre os seus componentes. Enquanto a percepção sobre a tendência dos negócios registrou um avanço de 2,9 pontos, chegando a 84,5 pontos, o indicador que mensura a demanda prevista apresentou uma queda pelo terceiro mês consecutivo, recuando 3,0 pontos, para 86,2 pontos.
Análise por Tipo de Consumo
Na análise por tipo de consumo, os dados demonstram uma perda de impulso na recuperação observada ao final de 2025. O segmento de bens duráveis, embora ainda lidere em termos de nível de confiança, apresentou um leve recuo no início de 2026. Os bens não duráveis também desaceleraram, revertendo parte dos ganhos recentes. Por sua vez, os bens semiduráveis continuam com o menor nível de confiança e uma trajetória mais instável.
Considerações Finais sobre o Segmento de Bens Duráveis
“Apesar de continuar no patamar mais elevado, o segmento de bens duráveis apresenta uma perda de fôlego no início de 2026, sinalizando uma maior sensibilidade às condições financeiras ainda restritivas”, completa Veloso.
Fonte: br.-.com