Queda na Confiança do Setor de Serviços no Brasil
A confiança do setor de serviços brasileiro sofreu um novo recuo em abril, intensificando uma tendência negativa que já vinha sendo notada nos meses anteriores. O Índice de Confiança de Serviços (ICS), que é medido pelo FGV IBRE, apresentou uma diminuição de 0,6 ponto, alcançando 87,8 pontos, o que representa o nível mais baixo desde agosto de 2025. Na média móvel trimestral, o indicador registrou uma queda de 1,0 ponto, atingindo 88,8 pontos e solidificando uma trajetória de declínio iniciada em março.
Causas da Queda
De acordo com Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, “A confiança do setor de serviços caiu pelo terceiro mês consecutivo, com uma mudança na composição das razões para essa queda. Nos meses anteriores, o declínio era atribuído de forma exclusiva ao componente de expectativas, sendo parcialmente compensado por uma avaliação favorável da demanda corrente. No entanto, em abril, a deterioração afetou ambos os componentes, o que sugere que o ambiente econômico adverso pode começar a impactar também a atividade atual. O alto endividamento das famílias, que está em níveis recordes, e as taxas de juros elevadas já estavam influenciando a confiança. A esse cenário se agregou a turbulência externa, particularmente o conflito no Oriente Médio, que pressiona a inflação e adia a expectativa de um alívio nas condições monetárias, diminuindo as chances de uma recuperação da confiança em um horizonte próximo.”
Componentes do Índice de Confiança de Serviços
O recuo do ICS foi impactado pela deterioração simultânea de seus dois principais componentes. O Índice de Situação Atual (ISA-S) caiu 0,4 ponto, chegando a 92,1 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) experimentou uma diminuição de 0,7 ponto, atingindo 83,7 pontos. Este último índice acumula uma queda total de 6,6 pontos nos últimos três meses, evidenciando um enfraquecimento consistente na percepção futura sobre o setor.
Comportamento do Índice de Situação Atual
Dentro do ISA-S, os dados revelaram comportamentos distintos entre seus indicadores. O indicador que mede o volume da demanda atual teve uma queda mais acentuada, de 2,6 pontos, reduzindo-se para 92,2 pontos. Em contrapartida, o indicador de situação atual dos negócios apresentou uma leve alta de 1,7 ponto, alcançando 91,9 pontos.
Análise do Índice de Expectativas
Na análise do IE-S, a demanda prevista para os próximos três meses caiu 1,5 ponto, estabelecendo-se em 84,5 pontos. Por outro lado, a tendência dos negócios para os próximos seis meses permaneceu praticamente estável, com uma leve alta de 0,2 ponto, atingindo 83,1 pontos.
(FGV)
Fonte: br.-.com

