Impactos da Guerra EUA-Israel no Setor Petroquímico Brasileiro
A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã tem potencial para elevar os custos do setor petroquímico no Brasil, que depende de matérias-primas importadas, como a nafta, para suas operações. A informação foi divulgada na terça-feira, 3 de outubro, pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
Efeitos Indiretos nas Cadeias de Suprimento
De acordo com a Abiquim, embora não haja, neste momento, uma ruptura nas cadeias de suprimento para produtos químicos que atendem ao Brasil, o impacto é observado principalmente por meio de efeitos indiretos e sistêmicos. Isso inclui setores como energia, fertilizantes, petroquímicos básicos e também a variação cambial.
Aumento dos Preços da Nafta
A associação destacou que a alta nos preços do petróleo eleva também o custo da nafta importada, a qual é uma base essencial para a produção de eteno e propeno. Esses insumos são fundamentais para várias indústrias, incluindo a de plásticos. Segundo a Abiquim, caso o preço do Brent aumente em US$ 20, o custo variável dos petroquímicos pode ter um acréscimo significativo, resultando em uma redução do spread petroquímico entre 10% e 25%, variando conforme as condições do mercado.
Comportamento do Mercado de Petróleo
Na mesma terça-feira, os indicadores de referência do petróleo apresentaram uma alta de cerca de 7%, marcando esta a terceira sessão consecutiva de crescimento. Essa valorização foi impulsionada pela continuidade do conflito entre Estados Unidos e Israel e o Irã.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançaram US$ 6, ou 7,7%, alcançando US$ 83,75 o barril por volta das 12h15, horário de Brasília, após registrar seu maior preço desde julho de 2024, atingindo US$ 85,12. Por sua vez, o petróleo West Texas Intermediate, que é negociado nos Estados Unidos, subiu US$ 5,72, ou 8%, para US$ 76,92, após também alcançar uma alta significativa, de US$ 77,58, o maior preço desde junho.
Importação de Fertilizantes e Impactos no Agronegócio
A Abiquim também ressaltou que o Irã é um importante exportador de ureia e amônia. O Brasil depende da importação de cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Nesse contexto, uma eventual restrição nas exportações iranianas poderá resultar em um aumento nos preços da ureia nitrogenada, afetando diretamente o agronegócio. Além disso, isso encareceria os insumos nitrogenados utilizados pela própria indústria química do Brasil.
Outros Insumos e Estrangulamento do Mercado
Adicionalmente, a entidade alertou que a restrição na exportação de outros insumos também deve ocorrer, já que o Irã é um grande exportador de metanol, assim como de intermediários como formaldeído, resinas termofixas, MTBE e ácido acético. A Abiquim afirmou que, se houver uma limitação na oferta desses produtos, é provável que os preços globais aumentem, o que pressionaria os custos de fabricação de resinas e especialidades no Brasil.
Diante do cenário atual, é fundamental que empresas e investidores do setor petroquímico analisam cuidadosamente as repercussões das tensões geopolíticas e suas possíveis implicações para o mercado interno brasileiro.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br