Brendan Carr sobre a Proposta da Paramount
Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), declarou à CNBC que a proposta da Paramount para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) é “mais limpa” em comparação com a oferta da Netflix, e manifestou a expectativa de que a aprovação aconteça “de forma bastante rápida”.
Carr comentou que “existem muitas preocupações” em torno da possibilidade da Netflix como compradora, destacando que essa combinação específica levantou várias questões relacionadas à competição.
Detalhes da Proposta e Concorrência
Recentemente, a Paramount Skydance apresentou uma oferta revisada para adquirir a totalidade da Warner Bros. Discovery, elevando o preço de compra para 31 dólares por ação, em comparação aos 30 dólares por ação anteriormente oferecidos. O conselho da WBD considerou essa nova proposta superior à proposta da Netflix.
A Netflix estava inicialmente disposta a comprar os negócios de estúdio e streaming da Warner por 27,75 dólares por ação, mas decidiu que essa proposta “não era mais financeiramente atraente”, devido à nova oferta da Paramount.
Carr participou de uma conversa abrangente com Arjun Kharpal, da CNBC, sobre a fusão entre WBD e Paramount, que deve receber a aprovação dos reguladores. Ele afirmou que a Netflix “teria um caminho muito difícil” para obter a aprovação regulatória, acrescentando que a proposta da Paramount “é muito mais limpa e não levanta os mesmos tipos de preocupações”.
O presidente da FCC também ressaltou que “acredito que há benefícios reais para os consumidores que podem emergir disso”.
Implicações para a Indústria Cinematográfica
Ambas as propostas levantaram questões antitruste relacionadas à indústria cinematográfica dos Estados Unidos, suscitando preocupações sobre possíveis demissões ou a redução do número de filmes produzidos em Hollywood. A proposta da Netflix também gerou questionamentos sobre a dominância no streaming, uma vez que combinaria duas das mais populares plataformas, Netflix e HBO Max da WBD.
Na segunda-feira, a Paramount anunciou planos para lançar pelo menos 30 filmes por ano, ou 15 por estúdio. Executivos da Paramount também informaram que pretendem combinar seu serviço de streaming Paramount+ com o HBO Max em uma única plataforma assim que a transação for finalizada.
Processo Regulatório e Fiscalização
Ainda não está claro qual será o processo regulatório para a fusão entre a Paramount e a WBD. A FCC geralmente revisa acordos que envolvem uma das emissoras do país, incluindo a CBS, que é propriedade da Paramount. No passado, a FCC já apoiou a fusão da Paramount com a Skydance no ano passado.
Carr indicou que “se houver algum papel da FCC, será bem limitado. E eu acho que esse é um bom negócio, e deverá ser aprovado rapidamente”.
Diferente da proposta da Netflix, a oferta da Paramount inclui as redes de TV a cabo da WBD, como CNN, TBS e TNT.
Condições e Preocupações em Torno do Acordo
A Paramount ofereceu uma taxa de rescisão de 7 bilhões de dólares caso o acordo não obtenha a aprovação regulatória. Além disso, a Paramount já pagou a taxa de rescisão de 2,8 bilhões de dólares que a WBD devia à Netflix devido ao cancelamento de um acordo anterior.
Algumas das preocupações em torno do negócio entre Netflix e WBD incluíam o aumento dos preços para os consumidores e a redução da concorrência. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em dezembro que a potencial fusão “poderia ser um problema” por causa do aumento da participação de mercado que conferiria à Netflix. No entanto, um mês depois, ele recuou desses comentários, salientando que a questão seria revisada exclusivamente pelo Departamento de Justiça.
A senadora democrata Elizabeth Warren, do Massachusetts, caracterizou a fusão entre Paramount e WBD como um “desastre antitruste, ameaçando elevar preços e reduzir opções para as famílias americanas”.
Opinião dos Analistas e Oportunidades no Mercado
Analistas do banco de investimentos Raymond James afirmaram na semana passada que o acordo entre a Paramount e a WBD é “significativamente mais fácil” do que a proposta da Netflix. Eles apontaram que existem novos desafios com este negócio em torno de notícias, redes de cabo e redes lineares internacionais, mas ainda acreditam que a fusão WBD/PSKY é mais aceitável no geral.
Adicionalmente, considerando a reação ao acordo WBD/NFLX, os analistas expressaram a opinião de que a posição política da PSKY com o atual governo dos Estados Unidos é muito mais forte do que a da Netflix.
Entretanto, Paren Knadjian, sócio da firma de consultoria EisnerAmper, observou que o acordo entre Paramount e WBD não pode ser considerado garantido, definindo o caminho à frente como mais sutil. Ele destacou que o foco do acordo Netflix-WBD era principalmente em conteúdo de biblioteca, enquanto a proposta da Paramount representa uma “consolidação horizontal” entre redes de televisão a cabo, esportes, streaming e notícias.
Knadjian enfatizou a concentração de propriedade intelectual sob um único teto, levantando a questão do poder que essa nova entidade teria em relação à capacidade de cobrar mais pelos seus serviços.
Além disso, permanece a dúvida sobre se o Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos identificaria problemas na estrutura do acordo, dado que a oferta da Paramount inclui aproximadamente 24 bilhões de dólares de fundos soberanos de estados do Golfo.
Fonte: www.cnbc.com