Consequências do fracasso dos EUA no conflito com o Irã, segundo Roubini.

Consequências do fracasso dos EUA no conflito com o Irã, segundo Roubini.

by Editoria Bolsa e Mercado
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A tensão entre os Estados Unidos e o Irã

Com o ultimato de Donald Trump ao Irã para que o país abra o Estreito de Ormuz até o final da terça-feira, 7, o mundo se interroga: trata-se de mais uma ameaça sem consequência ou de um indicativo de uma escalada militar iminente?

Em uma postagem recente nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “uma civilização inteira vai morrer esta noite” caso Teerã não aceite um acordo em caráter emergencial, elevando as tensões geopolíticas entre as nações.

A visão de Nouriel Roubini sobre o conflito

O economista Nouriel Roubini, durante sua participação no evento do Bradesco BBI, o 12º Brazil Investment Forum, realizado em São Paulo, apresentou sua análise sobre a situação. Ele considera que o panorama já está delineado. “Ele vai escalar, não há outra alternativa”, afirmou Roubini.

De acordo com o economista, os Estados Unidos enfrentam um dilema binário: optar pela escalada do conflito e conquistar uma vitória, ou tentar estabelecer um acordo. No entanto, uma escalada malsucedida se traduziria, segundo ele, em “um desastre econômico, financeiro e geopolítico”.

Roubini observa que Trump subestimou a resposta do Irã ao iniciar o conflito. “Ele errou ao acreditar que o Irã não reagiria, que não bloquearia o estreito”, comentou. A possibilidade de recuo, neste momento, acarreta custos políticos elevados, especialmente nas proximidades das eleições de meio de mandato. “Caso ele desista agora, poderá comprometer suas chances de reeleição. No entanto, se optar por escalar e triunfar, será visto como um herói.”

O economista foi claro ao identificar o erro estratégico que deu origem ao problema: iniciar a guerra. Contudo, ele pondera que permitir que o Irã saia vitorioso seria igualmente prejudicial. “Deixar o Irã ganhar seria um desastre”, ressalta.

Desafios econômicos: O maior choque da história da humanidade

Na esfera econômica, Roubini considera que o conflito já representa um choque significativo, ainda que suas características sejam distintas das crises do petróleo vividas no século passado. Ele enfatiza que o impacto sobre os preços de energia tende a ser considerável, especialmente no caso de interrupções prolongadas no Estreito de Ormuz, uma localidade pela qual transita uma parte substancial do petróleo global. No entanto, o economista também observa que, atualmente, o mundo é menos dependente da Opep e apresenta uma base de produção mais diversificada.

“É um choque grande, mas não como nos anos 70”, afirmou.

O cenário base que Roubini esboça combina desaceleração do crescimento global com aumento da inflação, resultando em uma dinâmica similar a um quadro de estagflação, embora de forma mais moderada. Ele descarta, por enquanto, a possibilidade de uma espiral inflacionária aguda, com taxas de dois dígitos, contanto que o conflito permaneça contido ao longo do tempo.

“Quanto mais prolongada for a guerra, maior será o impacto sobre a inflação e o crescimento”, adverte.

Reconfiguração econômica: ganhos e perdas

O economista também destaca a reconfiguração assimétrica dos efeitos econômicos. Países que são exportadores líquidos de commodities energéticas, como o Brasil, tendem a se beneficiar, pelo menos no curto prazo, da valorização do petróleo e seus derivados, o que pode resultar em uma melhoria nos termos de troca.

Entretanto, os efeitos líquidos não são inteiramente positivos. Mesmo nessas economias, o aumento nos preços pode pressionar o custo de vida e diminuir o poder de compra, enquanto o endurecimento das condições financeiras globais pode restringir o crescimento.

Do setor empresarial, as companhias ligadas à cadeia de petróleo e gás estão entre as principais favorecidas, obtendo lucros diretos com o aumento das cotações. Em contrapartida, o impacto negativo se difunde amplamente sobre as famílias, por meio da inflação elevada e do aumento nos custos de energia e combustíveis.

A magnitude e a duração dos efeitos dependem, essencialmente, do tempo em que o conflito persistir. Um choque passageiro tende a ser absorvido ao longo do tempo, resultando em ajustes marginais na atividade econômica e nos preços.

Por outro lado, uma disrupção prolongada no mercado de energia poderá gerar efeitos mais estruturais, exigindo respostas mais rigorosas em termos de política econômica, tanto no âmbito fiscal quanto monetário.

“A resposta da economia global dependerá se esse choque será transitório ou permanente”, conclui Roubini.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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