Desempenho das Construtoras na B3
As ações da Even e Helbor, duas incorporadoras focadas nos segmentos de média e alta renda, apresentaram desempenhos opostos nesta sexta-feira, dia 15, em resposta às divulgações dos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 (1T26), que foram tornados públicos na noite anterior, dia 14.
Por volta das 14h (horário de Brasília), os papéis EVEN3 apresentavam uma queda de 1,8%, sendo negociados a R$ 5,50, enquanto as ações HBOR3 subiam 3,2%, alcançando o patamar de R$ 2,25. No mesmo horário, o principal índice da B3, o Ibovespa, registrava uma diminuição de 0,83%.
Resultados Financeiros da Even no 1T26
No primeiro trimestre de 2026, a Even reportou um lucro líquido ajustado de R$ 47 milhões, o que representa uma diminuição de 42,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, em 2025.
A receita líquida da empresa totalizou R$ 330,2 milhões, refletindo um recuo aproximado de 2% em relação ao ano anterior.
De acordo com previsões compiladas pela LSEG, os analistas esperavam um lucro líquido de R$ 37,5 milhões e uma receita líquida de R$ 342,6 milhões.
O banco Safra classificou os resultados da incorporadora como “neutros”, embora apresentassem algumas variações. A empresa enfrentou um desempenho de vendas mais fraco, que resultou em uma contração de 2% na receita em comparação ao ano anterior.
Por outro lado, a Even obteve uma margem bruta ajustada de 35,6%, o que foi 4 pontos percentuais mais robusto do que o esperado, junto a uma redução nos gastos com vendas, administrativos e gerais, que ajudaram a minimizar o impacto do aumento das provisões.
No entanto, o banco destacou que um maior ônus fiscal e a participação dos acionistas minoritários pressionaram o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que ficou em 7%, apresentando uma queda de 4,5 pontos em um ano.
Adicionalmente, a Even registrou uma queima de caixa de R$ 56 milhões, inferior à estimativa de R$ 86 milhões, sendo esta impulsionada, segundo o Safra, por pagamentos elevados na compra de terrenos, resultando em uma alavancagem líquida de dívida sobre capital próprio de 24,8%, com um aumento de 13,6 pontos em um ano.
O Safra ressaltou que “o desempenho de vendas mais fraco, causado pela falta de lançamentos no trimestre, pressionou o balanço da empresa, resultando em um ROE modesto de 7%.” O banco anunciou a manutenção da classificação neutra para as ações da companhia, considerando o aumento nos níveis de estoque, com 19 meses de vendas e um pipeline de grandes empreendimentos em um contexto macroeconômico desafiador.
O Itaú BBA, por sua vez, caracterizou os resultados da Even como “fracos em todos os aspectos.” O banco destacou que a receita líquida caiu 4% abaixo das projeções, enquanto as despesas operacionais superaram as expectativas em 5%, especialmente devido a provisões elevadas para contingências.
Resultados Financeiros da Helbor no 1T26
A Helbor, entre os meses de janeiro e março de 2026, reportou um lucro líquido atribuível aos sócios controladores de R$ 1,9 milhão, o que representa uma queda de 74,5% em comparação ao mesmo período de 2025.
No consolidado, o lucro da companhia alcançou R$ 24,2 milhões, apresentando um recuo de 31,9% em relação ao ano anterior.
A receita operacional líquida somou R$ 346,6 milhões, refletindo um crescimento de 15,8% comparado ao 1T25, e um aumento de 11,5% em relação ao 4T25, em resposta a alterações no mix de vendas.
Entretanto, o Itaú BBA categoricamente classificou os números da Helbor como “fracos”. O banco observou que, apesar da receita líquida ter superado as estimativas em 45%, as despesas operacionais impactaram negativamente os resultados, especialmente devido a um aumento nos gastos gerais e administrativos.
O lucro líquido finalizou em quase R$ 2 milhões, inferior à projeção do banco, que estimava R$ 8 milhões, resultando em um ROE anualizado de 1%. O banco também destacou que o fluxo de caixa livre não atingiu as expectativas e que a alavancagem aumentou.
A Helbor registrou uma queima de caixa de R$ 55 milhões no 1T26, um resultado muito pior do que a projeção de R$ 8 milhões e em contraste com a geração de caixa de R$ 7 milhões observada no 1T25.
Em consequência, a alavancagem da companhia subiu para 67,2% do patrimônio líquido dos acionistas, marcando um avanço de 4,6 pontos percentuais em comparação anual.
O desempenho fraco dos lucros, combinado a um panorama macroeconômico desafiador, fundamenta a postura cautelosa em relação às ações da Helbor. Apesar dos papéis estarem sendo negociados com desconto, a alavancagem ainda elevada de 67% e um perfil de rentabilidade modesto de 1% de ROE anualizado no trimestre sustentam a recomendação de market perform (neutra).
Fonte: www.moneytimes.com.br

