Copom apresenta perspectiva otimista sobre a desaceleração da inflação, afirma economista.

Redução da taxa Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, resultando na nova taxa de 14% ao ano. Esta decisão, que foi tomada de forma unânime, foi divulgada em um comunicado nesta última quarta-feira, dia 5, e provocou reações entre os analistas do mercado financeiro.

Avaliação da economista do Inter

Em uma entrevista concedida ao programa CNN Prime Time, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, analisou que o comunicado do Copom sugere uma visão otimista sobre a dinâmica dos preços. Rafaela declarou: “O Copom parece perceber a desaceleração da inflação de maneira positiva.”

A economista ainda considerou que este corte não deve ser o último dentro do atual ciclo de redução. Ela abordou que existe espaço para a continuidade da calibração na política monetária que rege os juros.

Rafaela Vitória enfatizou que uma das principais mensagens do comunicado se refere à desaceleração da inflação observada recentemente, ressaltando especialmente a inflação subjacente, que consiste nas medidas de aumento de preços que são mais sensíveis à atuação da política monetária. Segundo ela, “Essas medidas, em sua totalidade, já estão, de fato, dentro do intervalo da meta”. Com esse contexto, ela antecipa um novo corte também para setembro.

Custo do aperto monetário prolongado

Custo para a economia brasileira

Rafaela Vitória também discutiu os impactos do processo de desinflação na economia brasileira. Para ela, o aperto monetário que se estende por vários anos já se reflete em uma série de aspectos, como a desaceleração do crédito, o aumento da inadimplência, os processos de recuperação judicial que atingem empresas de variados portes e o elevado índice de endividamento das famílias.

“O prolongamento deste aperto monetário ao longo dos anos certamente impõe um custo significativo à economia”, observou a economista.

Ela recordou que, no início do ano, o mercado projetava cortes mais acentuados para a Selic, com expectativa de reduções que poderiam oscilar entre 50 e até 75 pontos-base. Contudo, o ritmo de alívio na política monetária foi mais lento e tardio do que era previsto, devido ao forte estímulo fiscal que foi observado durante esse período.

Risco fiscal no radar

Interferência do cenário político e fiscal

Ao ser indagada sobre os efeitos do contexto eleitoral e das políticas fiscais nas decisões futuras do Banco Central, Rafaela Vitória reconheceu que medidas de expansão fiscal — que incluem o aumento das transferências de renda e subsídios ao crédito — dificultaram a realização de cortes mais céleres na taxa de juros.

Ela alertou que o risco fiscal permanece uma preocupação constante e que o próximo governo terá que fazer uma escolha clara: “O próximo governo precisará equilibrar entre aumentar os gastos e manter os juros elevados por um período maior ou realizar um ajuste que permita que a taxa de juros caia de maneira mais rápida”, completou.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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