Copom reduz a Selic para 14,50% ao ano: Confira o comunicado.

Redução da Taxa Selic pelo Copom

(29/04/2026): O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira, 29, a decisão de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14,50% ao ano.

Função da Taxa Selic

A taxa básica de juros desempenha um papel fundamental como o principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação. Juros elevados têm o efeito colateral de frear a atividade econômica, encarecendo o custo do crédito e aumentando o gasto do governo com o pagamento de juros da dívida pública.

Reuniões do Copom em 2026

Para o ano de 2026, estão programadas oito reuniões do Comitê, que ocorrerão nas seguintes datas:

  • 27 e 28 de janeiro
  • 17 e 18 de março
  • 28 e 29 de abril
  • 16 e 17 junho
  • 4 e 5 de agosto
  • 15 e 16 de setembro
  • 3 e 4 de novembro
  • 8 e 9 de dezembro

Comunicado do Copom

O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição acerca da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, refletindo nas condições financeiras globais. Este cenário demanda cautela por parte dos países emergentes, em um contexto caracterizado por uma elevação da volatilidade de preços nos ativos e nas commodities.

Em relação ao cenário doméstico, os indicadores seguem apresentando uma trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, conforme previsto. O mercado de trabalho, por sua vez, ainda mostra sinais de resiliência. Dados recentes indicam que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se ainda mais da meta estabelecida para a inflação.

Expectativas de Inflação

As expectativas de inflação para os anos de 2026 e 2027, conforme apuradas pela pesquisa Focus, mantêm-se em níveis acima da meta, localizando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, que agora se configura como um horizonte relevante de política monetária, é de 3,5% no cenário de referência (Tabela 1).

Riscos associados à Inflação

Os riscos relacionados à inflação, tanto para alta quanto para baixa, permanecem elevados em comparação ao habitual, levando em consideração a incerteza em torno dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de elevação do cenário inflacionário, destacam-se:

  • (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por um período mais prolongado, com horizontes mais longos que possam incluir impactos potenciais de segunda ordem oriundos de restrições na oferta de petróleo e seus derivados;
  • (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços, superando as projeções de uma economia positiva;
  • (iii) a possibilidade de uma combinação de políticas econômicas, tanto externas quanto internas, que resultem em um impacto inflacionário superior ao esperado, exemplificado por uma taxa de câmbio que permaneça depreciada.

Por outro lado, entre os riscos de baixa, podem ser mencionados:

  • (i) uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica interna do que foi projetado, afetando assim o cenário inflacionário;
  • (ii) uma desaceleração global mais profunda em função de choques no comércio e nos preços do petróleo, além de um contexto de maior incerteza;
  • (iii) uma possível queda nos preços das commodities que traria efeitos desinflacionários.

Acompanhamento das Políticas Fiscais

O Comitê está ativamente monitorando como os desenvolvimentos da política fiscal interna influenciam a política monetária e os ativos financeiros, evidenciando a necessidade de cautela em um cenário de incertezas elevadas. Os indicadores atuais da atividade econômica apontam para uma recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas mantêm um alinhamento com uma trajetória de desaceleração acumulada para 2026. O ambiente continua marcado por expectativas desancoradas, projeções elevadas de inflação e pressões no mercado de trabalho.

Ao considerar os impactos prospectivos dos conflitos no Oriente Médio, o Comitê avalia principalmente os efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços das commodities, que impactam diretamente ou indiretamente a inflação no Brasil. Neste momento, as previsões de inflação continuam a distanciar-se da meta no horizonte relevante para a política monetária. Além disso, a incerteza em relação a essas projeções aumentou consideravelmente, devido à falta de clareza acerca da duração dos conflitos e de suas consequências sobre os parâmetros dos modelos de projeção utilizados. O Comitê fez a avaliação de que era adequado avançar com o ciclo de calibração da política monetária, visto que um período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em um patamar contracionista gerou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Isso cria condições para que ajustes no ritmo e na extensão dessa calibração, com base em novas informações, se tornem viáveis, assegurando um nível que seja compatível com a convergência da inflação para a meta estabelecida.

Decisão do Copom

O Copom decidiu, por fim, reduzir a taxa básica de juros para 14,50% ao ano, considerando essa decisão como alinhada com a estratégia de convergência da inflação em direção à meta ao longo do horizonte relevante. Além de buscar a estabilidade de preços, essa decisão também visa atenuar as flutuações na atividade econômica e incentivar o pleno emprego.

No atual cenário, caracterizado por um aumento significativo da incerteza, o Comitê reafirma a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária. Isso permitirá que as decisões futuras sobre a calibração da taxa básica de juros incorporem novas informações que contribuam para esclarecer a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

Membros do Comitê

A decisão foi aprovada pelos seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)

Índice de preços 2026 4º tri 2027
IPCA 4,6 3,5
IPCA livres 4,5 3,5
IPCA administrados 4,8 3,6

No cenário considerado como referência, a trajetória para a taxa de juros é baseada na pesquisa Focus, enquanto a taxa de câmbio parte de R$5,00/US$, evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo é projetado seguire as curvas futuras nos próximos seis meses, aumentando 2% ao ano posteriormente. Além disso, a hipótese de bandeira tarifária “amarela” foi adotada para dezembro de 2026 e 2027. O valor do câmbio foi obtido por meio do procedimento habitual.

(bc)

Fonte: br.-.com

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