## Reunião do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia uma reunião nesta terça-feira, dia 17, para discutir as taxas de juros do país. Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, e há expectativa de uma redução na quarta-feira, dia 18, conforme sinalizado pela autoridade monetária em sua reunião anterior. Contudo, as expectativas do mercado em relação a essa decisão vêm se deteriorando nas últimas semanas.
### Cenário Atual
Em seu último comunicado, o Copom indicou que procederá com a redução da Selic “se o cenário esperado se confirmar”, um cenário que estava se tornando consistente até ser impactado por conflitos envolvendo os Estados Unidos e a maior região produtora de petróleo do mundo. O ataque dos EUA e de Israel ao Irã, ocorrido em 28 de fevereiro, parece ter influenciado as expectativas quanto ao corte de juros, levando o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.
Nas últimas 23 semanas, o mercado vinha acreditando que os juros poderiam ser cortados em 0,5 ponto percentual nesta reunião, reduzindo a Selic para 14,5%, conforme o boletim Focus, que apura as expectativas dos agentes econômicos. Porém, na publicação de segunda-feira, dia 16, a mediana do mercado começou a apontar para uma possibilidade menor de ajuste, sugerindo um corte de apenas 0,25 ponto percentual.
### Expectativas do Mercado
Outro indicador a ser considerado são as opções de contratos do Copom da B3, que mostraram um aumento na expectativa de que a Selic se mantenha inalterada. Um número maior de investidores agora opta por prever que a taxa será mantida em vez de ser reduzida de forma mais acentuada.
A XP, uma das instituições financeiras que revisou suas expectativas, publicou um relatório que recomenda a cautela, afirmando ser “melhor esperar um pouco mais”. A XP reavaliou a estimativa de um corte de 0,5 ponto para a manutenção da Selic. A análise da XP enfatiza que há mudanças e incertezas suficientes no cenário econômico que justificam uma abordagem cuidadosa, sem comprometer a credibilidade da política monetária. Desta forma, a instituição destaca que a guerra no Oriente Médio tem sido o fator mais destacado nesse contexto recente.
### Pressões Internas
Adicionalmente, as expectativas de atividade econômica no Brasil estão se mostrando mais animadoras, e os núcleos da inflação indicam que a pressão inflacionária pode estar acima da meta estabelecida. Desde a última reunião do Copom, em janeiro, quando a Selic foi mantida em 15%, as principais variáveis que influenciam a inflação mostraram sinais de alta.
## Divergência nas Projeções
Diversas instituições também revisaram suas estimativas quanto a uma possível redução, ainda que permaneçam na expectativa de um corte cauteloso de 0,25 ponto percentual. O ASA, por exemplo, comentou que as turbulências internacionais têm impacto direto sobre os preços das commodities, especialmente do petróleo, o que aumenta os riscos inflacionários internos.
A equipe de macroeconomia do ASA observou que, embora o Banco Central considere a curva de commodities em suas decisões, a recente alta dos preços influencia direta e indiretamente a inflação, com possíveis efeitos sobre as expectativas do mercado e os preços administrados.
No entendimento deles, esse choque pode elevar a projeção da inflação medida pelo IPCA, que pode se aproximar de 3,6% no terceiro trimestre de 2027, distanciando-se do centro da meta estabelecida. Tal deslocamento já reforçaria a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa por parte do Banco Central ao iniciar um ciclo monetário.
O Bank of America (BofA) também expressou a expectativa de continuidade em sua orientação fornecida em janeiro, mesmo diante de uma crescente incerteza no contexto internacional. O grupo de analistas do banco norte-americano acredita que o choque inflacionário gerado pela guerra no Oriente Médio é, em grande parte, exógeno, o que poderia permitir ao Banco Central não considerar os “efeitos de primeira ordem” e focar nas pressões locais.
Independentemente do tamanho do corte inicial, o BofA alerta para as expectativas em relação ao comunicado que será emitido: “aguardamos que os diretores adotem um tom cauteloso e evitem emitir uma orientação explícita sobre o ritmo futuro de flexibilização monetária”.
### Análise de Outros Especialistas
O Daycoval, que também projeta um corte de 0,25 ponto na Selic, sugere que o comitê deve reafirmar que o compromisso com a meta de inflação requer uma abordagem serena, onde o ritmo e a magnitude do ciclo dependerão da evolução de fatores que possam aumentar a confiança no atendimento da meta inflacionária no horizonte relevante para a política monetária.
Por outro lado, há instituições como o Inter que sustentam que há espaço suficiente para um corte de 0,5 ponto. Em um relatório assinado pela economista-chefe Rafaela Vitória, salienta-se que a inflação tem demonstrado sinais de alívio, embora tenha ultrapassado as expectativas de fevereiro.
A análise de Vitória também afirma que as pressões inflacionárias resultantes do aumento nos preços do petróleo são em parte compensadas pela desvalorização do dólar em relação ao real. “Esperamos um aumento pontual nos preços dos combustíveis nos próximos meses. Tal elevação, considerando o atual preço do petróleo em $90, estaria dentro dos limites da meta, a qual foi instituída justamente para acomodar choques temporários”, acrescenta a instituição.
### Considerações Finais
Ainda assim, a economista não descarta a possibilidade de um corte de 0,25 ponto, em virtude da maior incerteza econômica. O sentimento de cautela é compartilhado pela consultoria Eytse Estratégia, fundada por Sérgio Goldenstein, ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do BC. Goldenstein aponta que a elevação dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio tem elevado os temores de um aumento nas pressões inflacionárias, resultando na reavaliação da intensidade e do ritmo do ciclo monetário.
A consultoria destaca que a comunicação do Banco Central deverá manter um tom de cautela e serenidade, sem se deixar influenciar pela volatilidade de curto prazo no mercado. “A principal incerteza é a magnitude do corte inicial. Embora nosso entendimento sugira que um corte de 0,50 ponto seria a escolha apropriada, não descartamos a opção por um corte de 0,25 ponto, caso o Comitê opte por seguir as expectativas predominantes do mercado e considere que a instabilidade externa requer uma postura ainda mais cautelosa”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

