Cortes na Selic devem iniciar apenas em março de 2026, afirma Megale, da XP Investimentos.

Cortes na Selic devem iniciar apenas em março de 2026, afirma Megale, da XP Investimentos.

by Ricardo Almeida
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Revisão da Projeção da Selic

A XP Investimentos decidiu adiar a sua projeção para o início do ciclo de cortes da Selic, passando de janeiro para março de 2026. Essa decisão foi comunicada pelo economista-chefe Caio Megale, que destacou que o Banco Central (BC) deverá adotar uma postura mais cautelosa em função do aumento dos riscos inflacionários e de uma comunicação mais severa.

Fatores que Influenciam a Decisão

Megale indicou que, apesar da evolução positiva do cenário econômico, que inclui uma queda nas taxas de inflação, o fortalecimento do real e uma desaceleração nas atividades econômicas, existem fatores que podem levar o BC a prolongar sua pausa monetária. Ele mencionou que “medidas de estímulo fiscal e parafiscal poderiam resultar em uma demanda doméstica mais robusta, inflação elevada e um aumento do déficit em conta corrente para o próximo ano”.

Expectativas do Mercado de Trabalho

Além disso, a XP observou que o mercado de trabalho permanece aquecido e que as expectativas inflacionárias ainda estão muito distantes da meta estabelecida. Por consideração a esses fatores, o economista sugeriu que o Comitê de Política Monetária (Copom) deveria esperar mais tempo antes de iniciar o ciclo de flexibilização, assegurando a continuidade do processo de desinflação.

Posição do Copom

A comunicação oficial do Copom reforça essa postura vigilante. No último comunicado, o comitê reafirmou que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste se considerar apropriado” e apresentou projeções de inflação que estão acima das expectativas do mercado. Essa análise é considerada pela XP como um indicativo da necessidade de uma abordagem mais cautelosa antes da redução da Selic.

Expectativa de Cortes Gradativos

Ainda que o adiamento tenha ocorrido, a XP mantém a expectativa de cortes graduais de 0,50 ponto percentual ao longo de 2026, levando a taxa básica de juros a 12% ao final do ciclo. Segundo Megale, esse nível de juros ainda representa uma política monetária restritiva, com juros reais em torno de 7,5%, valores que estão acima do que é considerado neutro na economia.

Necessidade de Reformas Fiscais

Para que a Selic converga a um nível mais próximo da neutralidade — estimado em 5,5% reais —, Megale enfatiza a importância do avanço nas reformas fiscais. Ele alertou que “sem reformas, o aumento da dívida pública pode reavivar o debate sobre a dominância fiscal que ocorreu no quarto trimestre de 2024”.

A situação econômica atual, segundo o economista, ainda apresenta um grau elevado de incerteza, que depende tanto do contexto geopolítico mundial quanto da trajetória fiscal e política no âmbito interno, especialmente após as eleições.

Inflação, PIB e Câmbio

A XP também revisou as suas projeções de crescimento econômico para 2025, fazendo uma leve redução, que agora reflete sinais mais amplos de desaceleração entre os diversos setores. A nova estimativa do PIB saiu de 2,2% para 2,1%.

Projeções para 2026

Para o ano de 2026, a instituição manteve a previsão de crescimento de 1,7%, embora reconheça que existem riscos inclinados para cima nas suas projeções.

Expectativas para o Câmbio

No que se refere ao câmbio, a expectativa de um dólar mais fraco a nível global levou a uma revisão das projeções para o real. Agora, a XP espera uma taxa média de R$ 5,30 por dólar em 2025, que anteriormente era de R$ 5,50, e uma taxa de R$ 5,50 em 2026, frente a uma expectativa anterior de R$ 5,70.

A casa de análise avaliou que os riscos estão equilibrados. De um lado, os altos juros no mercado doméstico tendem a sustentar o valor da moeda brasileira, enquanto, por outro lado, permanecem preocupações relacionadas ao quadro fiscal e ao aumento do déficit em conta corrente.

Pressões no Cenário Inflacionário

No que diz respeito à inflação, os preços de bens industrializados e alimentos permanecem sob controle, enquanto a situação do mercado de trabalho, que se mostra apertada, continua sendo a principal fonte de pressão para o ano de 2026.

A XP manteve as suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,8% para este ano e 4,5% para 2026, apresentando um viés de baixa devido ao comportamento favorável nos preços dos alimentos e itens administrados.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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