Possível Venda da Participação da Cosan na Raízen
A participação da Cosan (CSAN3) na Raízen (RAIZ4) poderá ser significativamente diluída ao final do processo de reestruturação financeira da produtora de açúcar e etanol, que enfrenta dificuldades financeiras. O presidente da holding, Marcelo Martins, comentou na última sexta-feira que a Cosan pode optar por vender sua fatia na empresa, que se tornará minoritária. Ele indicou que a dissolução da holding deve ocorrer em um prazo de três a cinco anos.
Aporte de Capital e Conversão de Dívida
Durante uma conferência para apresentar os resultados trimestrais, Martins afirmou que a Cosan não irá acompanhar a Shell, sua parceira na joint venture Raízen, no aporte de capital previsto para a companhia, que é uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil.
Além disso, foram relatadas negociações em andamento com os credores da dívida da Raízen para conversão desse endividamento em ações da empresa, que se destaca como a maior produtora de açúcar do mundo, segundo o CEO da Cosan. A empresa também enfrenta altos índices de endividamento.
“Isso significa basicamente que, levando em consideração o volume da conversão e a contribuição de capital do nosso sócio, a Shell, haverá uma diluição substancial da participação da Cosan” na Raízen, declarou Martins.
O presidente da Cosan destacou que, apesar das negociações, ainda não há informações precisas sobre o tamanho da conversão ou sobre questões importantes relacionadas ao “preço da conversão”.
Expectativas sobre a Reestruturação
A Reuters reportou no início da semana que as discussões sobre a reestruturação da Raízen têm avançado para evitar uma recuperação judicial da empresa, que possui dívidas estimadas em cerca de R$ 65 bilhões. Nesse contexto, a Raízen deve deixar de ser um “investimento relevante” para a Cosan, dado que sua participação se tornará minoritária após a reestruturação, conforme ressaltou Martins.
“Estamos decidindo se teremos ações ordinárias ou preferenciais… Mas a nossa participação na Raízen não deve ser expressiva”, afirmou Martins, acrescentando que “não é intenção da Cosan continuar em um acordo de acionistas com a Shell”, o qual foi firmado há cerca de 15 anos.
Ele destacou: “E a partir do momento em que ocorrer a conversão e o aporte de capital, deixaremos de ter esse acordo existente na Raízen com a Shell.”
Possibilidade de Venda da Participação
O executivo menciona que a Cosan deve vender sua participação na Raízen, embora não tenha uma previsão específica quanto ao momento ou tamanho dessa alienação.
“Diante disso, o que se pode esperar é que teremos uma participação que, sim, pode ser vendida dentro de um horizonte que ainda iremos definir”, disse o executivo, destacando que ainda não há uma “decisão concreta” sobre a participação que será transmitida.
Com uma fatia reduzida na Raízen, espera-se que a Cosan busque “liquidez em algum momento” por meio da venda de suas ações na companhia de açúcar e etanol, explicou Martins.
Dissolução da Holding
Em resposta a uma pergunta de um analista sobre qual será o futuro papel da holding Cosan, que também possui participações em empresas como Rumo e Compass Gás e Energia, Martins informou que a holding deverá ser dissolvida em um processo que pode ter início em 2027.
Os acionistas da Cosan estão previstos para receber participações nas empresas em que a holding possui investimentos.
Segundo ele, o crescimento dos negócios será uma responsabilidade das empresas que compõem o grupo atualmente. “Assim, neste horizonte de três a cinco anos, é bastante razoável afirmar que a Cosan deixará de existir nesse período”, afirmou Martins.
Ele acrescentou: “Ou seja, à medida que avancemos na conclusão do nosso processo de desinvestimento e redução da alavancagem, vamos entender o que teremos de ativos e passivos dentro da companhia, e, em seguida, provavelmente realizaremos a distribuição direta das participações para os acionistas da Cosan.”
Martins mencionou que a ideia é que o processo, já acordado com os atuais e novos acionistas, ocorra “tão logo quanto possível”.
Objetivo de Redução do Endividamento
O primeiro passo para a Cosan é a redução do seu endividamento, que é o objetivo atual da empresa. Ele informou que estão sendo implementadas estratégias a esse respeito, incluindo a abertura de capital da Compass, que é um passo relevante nesse sentido.
Martins ressaltou que, ainda neste ano, a Cosan apresentará uma redução “substancial” do endividamento, com a dívida líquida expandida tendo fechado o primeiro trimestre em R$ 11,5 bilhões, representando uma redução de 34% em comparação anual. Para 2027, deve restar um saldo “residual” desse endividamento.
“É justo assumir que iremos iniciar esse processo de dissolução da holding a partir do ano que vem”, afirmou o CEO, sublinhando que, embora o custo de carregar a dívida exista, a empresa não realizará esse ajustamento “a qualquer custo”.
Por fim, com a dissolução da holding, os acionistas atuais da Cosan passariam a ser acionistas diretos das empresas investidas.
Fonte: www.moneytimes.com.br