Crescimento do Crédito Privado
Atualmente, existem duas influências principais que estão limitando o crescimento do crédito privado: os prêmios atribuídos aos títulos públicos e uma legislação sobre falências que pode ser considerada complacente. Essa avaliação foi feita por Jean-Pierre Cote Gil, sócio da Vinland Capital.
Durante sua participação no painel de renda fixa do 12º Fórum de Investimentos no Brasil, promovido pelo Bradesco BBI, Cote Gil destacou que os processos de recuperação judicial e extrajudicial se tornaram cada vez mais comuns.
Em suas palavras, “Mesmo com as revisões mais recentes, a Lei de Falências ainda oferece espaço para que o devedor convide o credor a compartilhar as responsabilidades financeiras. Essa situação representa uma ineficiência que prejudica o mercado de crédito”, afirmou o especialista.
Ele ainda ressaltou que essa realidade se torna ainda mais desafiadora quando se considera o perfil dos investidores no Brasil, que geralmente apresentam uma aversão elevada ao risco.
Cote Gil sustentou que, em um contexto onde ocorrem múltiplos casos de proteção contra credores, torna-se inviável competir com as altas taxas oferecidas pelos títulos públicos.
O gestor acrescentou que, de um lado, há o investidor atraído pelas elevadas taxas do crédito privado, que aparentam ser vantajosas em decorrência dos juros. Por outro lado, o gestor enfrenta limitações impostas pelos spreads reduzidos, o que dificulta uma alocação eficaz entre risco e retorno.
É importante lembrar que o spread é a diferença entre as taxas dos títulos públicos e as taxas do crédito privado. Essa diferença remunera o risco que o investidor assume ao escolher adquirir um título de dívida empresarial ao invés de um título do Tesouro, que é considerado mais seguro.
“A próxima movimentação [no mercado de crédito privado] depende da implementação de uma Lei de Falências que seja mais favorável ao credor, além da necessidade de parar de competir com o financiamento estatal”, concluiu o gestor.
Desafios para os Gestores de Crédito
Os próximos meses prometem ser desafiadores para os gestores que lidam com crédito.
Cote Gil avaliou que a possibilidade de perdas financeiras é uma questão muito sensível para o investidor brasileiro, que tende a ter um perfil mais conservador. “Ter ganhos é sempre positivo e traz satisfação ao investidor. No entanto, a experiência de perdas é dolorosa e pode afastar os investidores”, afirmou durante o evento.
O cenário atual demanda correções nos preços e nas taxas dos títulos de crédito privado do Brasil.
Esses ajustes, que resultam em aumento das taxas e diminuição dos preços, impactam negativamente a rentabilidade dos fundos de crédito. Desde o início do ano, essa classe de ativos, que teve um desempenho positivo no ano anterior, começou a apresentar retornos negativos.
Para os investidores, essa situação pode ser um sinal de alerta. Os resgates de investimentos já se iniciaram, embora em volumes ainda modestos. No entanto, há uma expectativa de que esses resgates aumentem nos meses seguintes.
“O que estamos fazendo é tranquilizar os clientes, explicando que é um movimento natural em períodos de estresse, mas que tende a se estabilizar com o passar do tempo”, comentou o gestor da Vinland.
Do ponto de vista técnico, Alexandre Muller, sócio e gestor da JGP, acredita que um maior número de oportunidades de alocação está surgindo neste momento. Com as correções de preços, os prêmios de risco estão se tornando mais atrativos.
“Estamos vivendo ciclos. Após a euforia do ano passado, chegamos a um patamar de desconfiança. Isso vai levar um tempo, mas a confiança será recuperada e as condições do mercado tenderão a se normalizar novamente”, finalizou Muller.
Fonte: www.moneytimes.com.br

