Tensão no IBGE Agrava com Novas Exonerações
O clima de tensão no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se intensificou com a exoneração de Claudia Dionísio e Amanda Tavares, ambas gerentes essenciais para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). Essa situação ocorre em meio a uma série de mudanças relacionadas à gestão de Márcio Pochmann e suas propostas para a reestruturação das estatísticas do órgão.
Exonerações Recentes
Na última segunda-feira, 26, fontes informaram que Claudia Dionísio, gerente de contas nacionais trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da mesma área, pediram demissão de seus cargos. Em comunicado oficial, o IBGE declarou que a transição na coordenação de contas nacionais está sendo conduzida “de forma dialogada”.
Essas exonerações ocorrem após a demissão de Rebeca Palis, que ocorreu na semana anterior, em 19 de outubro. A saída de Palis gerou um clima pesado dentro da instituição, levando à exoneração de seu vice, Cristiano Martins, uma situação que foi previamente divulgada pela coluna na sexta-feira, 23.
Papel de Rebeca Palis
Rebeca Palis ocupava a coordenadoria de contas nacionais e era responsável pelo cálculo do PIB. Nos bastidores, sua demissão é vista como uma retaliação a uma carta pública que ela assinou criticando as mudanças propostas pela gestão de Márcio Pochmann, indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mudanças nas Estatísticas do PIB
A atual gestão de Pochmann busca atualizar as estatísticas do PIB, com foco em captar as mudanças econômicas, incluindo transformações digitais. No entanto, essas propostas têm gerado descontentamento entre os servidores do IBGE. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do IBGE (ASSIBGE-SN) emitiu uma carta no dia 15 de janeiro de 2025, alertando sobre as "graves ameaças ao IBGE" resultantes das decisões da atual direção.
Questões de Soberania Geoestatística
Na carta, o sindicato afirma que as recentes decisões dos líderes do IBGE estão comprometendo "a soberania geoestatística brasileira". Entre essas decisões, destaca-se a criação de uma fundação de direito privado para gerenciar a “inovação tecnológica” no órgão.
A carta aponta que essa medida foi implementada sem a consulta de técnicos, comunidade científica e da sociedade civil, o que representa um precedente perigoso para a interferência de interesses privados no sistema geoestatístico do país.
Clima de Apreensão
A última sexta-feira também trouxe informações de que gerentes e coordenadores temiam novos atos de retaliação após as demissões de Rebeca Palis e Cristiano Martins. Segundo a fonte consultada, o ambiente estava tão tenso que a direção do IBGE estava programando o lançamento do plano de trabalho para 2026 fora do Rio de Janeiro, onde a maioria dos servidores está baseada. Essa decisão reforçou a alienação da gestão em relação aos coordenadores e gerentes, aumentando a tensão entre os funcionários.
Repercussões das Exonerações
Após a confirmação das saídas de Claudia Dionísio e Amanda Tavares, foi enfatizado que seus cargos são de "grande relevância" na coordenação de contas nacionais, especialmente na gerência responsável pelo cálculo trimestral do PIB. As gerentes em questão também têm a responsabilidade de atualizar periodicamente a base de cálculo do PIB, processo que está sendo realizado ao alterar a referência do PIB de 2010 para 2021.
Nota do IBGE
Em resposta à situação, o IBGE declarou que a mudança na coordenação de contas nacionais está em andamento de forma dialogada. O instituto assegurou que continua seguindo o cronograma de transição entre o atual coordenador e seu sucessor, garantindo o cumprimento integral do plano de trabalho e o cronograma de divulgações para o ano de 2026.
Fonte: veja.abril.com.br


