Desempenho das Ações da CSN
As ações da CSN (CSNA3) apresentavam um recuo significativo nesta quinta-feira, 15 de março, após uma nova apresentação da empresa que abordou a redução de sua alavancagem financeira. O mercado estava avaliando as promessas do grupo de realizar vendas importantes de ativos nos próximos meses, uma delas sendo o controle da segunda maior produtora de cimento do Brasil.
Queda no Valor das Ações
Às 11h30 (horário de Brasília), as ações da CSN estavam entre as maiores perdas do dia, com uma diminuição de 4,8%, alcançando R$ 9,77. Enquanto isso, o Ibovespa (IBOV) operava em ligeira alta, superando os 165 mil pontos. A rival Usiminas (USIM5) também sofria uma queda de 3,5%.
A companhia revelou que planeja levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para diminuir cerca de 50% de sua dívida líquida, que atualmente é de R$ 37,5 bilhões. Para isso, a CSN, que nos últimos anos acumulou ativos em diversos setores, incluindo aço, cimento, mineração, energia e logística, pretende vender o controle de sua produtora de cimento e uma participação significativa, embora minoritária, em uma nova holding de infraestrutura que reunirá ativos de ferrovia, portos e transportadoras rodoviárias.
Vendas de Ativos da CSN
No que diz respeito à venda do controle da CSN Cimentos, que ganhou destaque em 2022 após a aquisição dos ativos brasileiros da LafargeHolcim, a empresa se comprometeu a assinar um acordo com um comprador entre o terceiro e o quarto trimestres deste ano.
O mesmo cronograma se aplica à CSN Infraestrutura, que, apesar do interesse do grupo em consolidá-la como uma holding única, será alvo de vendas escalonadas. A fatia de ativos no Sudeste deverá ser comercializada entre os terceiros e quartas trimestres de 2026, enquanto operações no Nordeste, incluindo a ferrovia Transnordestina, estão previstas para 2027.
Histórico de Vendas de Ativos
As vendas de ativos não são comuns na história da CSN. Contudo, nos últimos anos, o controlador Benjamin Steinbruch reiterou o empenho da empresa em levantar capital através da venda de alguns deles, visando obter recursos para investimentos e redução de dívidas.
A companhia abriu seu capital para operações de mineração em 2021, consideradas as “joias da coroa” do grupo, mas manteve uma participação variando entre 60% e 70%. No mesmo ano, a empresa tentou realizar um IPO de sua divisão de cimentos, mas a oportunidade não se concretizou. Recentemente, no final do ano passado, a CSN anunciou a venda de uma participação de R$ 3,35 bilhões na transportadora ferroviária MRS para sua própria mineradora.
No entanto, ao longo dos anos, a empresa também adquiriu novos ativos, como a geradora de energia CEEE por quase R$ 1 bilhão em 2022 e o controle da transportadora rodoviária Tora por mais de R$ 700 milhões no final de 2024.
Expectativas do Mercado
Analistas do JP Morgan publicaram um relatório informando que as notícias reveladas pela CSN são positivas. No entanto, enfatizaram que a companhia havia prometido a venda de ativos anteriormente e que uma execução bem-sucedida é crucial para estabilizar suas classificações de crédito e estabelecer um histórico mais sólido em gestão financeira.
Declarações de Benjamin Steinbruch
Steinbruch, na apresentação da empresa, comentou que a CSN, ao longo de 32 anos, acumulou ativos significativos. Ele mencionou que, em função das altas taxas de juros da economia, a CSN talvez tenha demorado "mais do que o necessário" para tomar decisões sobre esses ativos.
“Esperar mais não faz sentido e resolvemos tomar essas decisões para desalavancar em torno de R$ 18 bilhões”, afirmou Steinbruch, indicando que a realidade dos juros no país tem dificultado os investimentos e pressionado a situação de endividamento do grupo.
Steinbruch ainda ressaltou que a companhia nunca havia se comprometido de uma maneira tão transparente e pragmática com a redução da alavancagem e venda de ativos.
Metas de Alavancagem
Com as vendas do controle da CSN Cimentos e da participação na CSN Infraestrutura, a CSN espera reduzir sua alavancagem financeira de 3,14 vezes para 1,83 vez "no curto prazo" e chegar a uma alavancagem de 1 vez em um prazo de oito anos, conforme explicou o diretor financeiro, Antonio Marco Rabello.
Rabello também enfatizou que a redução a um nível de 1 vez será viabilizada pela expectativa de melhoria nos resultados do grupo, com a geração de caixa medida pelo Ebitda aumentando a partir de investimentos em modernização das instalações siderúrgicas e de mineração, além do avanço na área da CSN Infraestrutura, que inclui sete ativos, sendo quatro deles localizados no Sudeste – MRS, Tora e os terminais portuários Tecon e Tecar.
Mudanças na Estratégia de Vendas
Apesar da percepção de que a CSN poderia focar na venda de participações adicionais em sua divisão de mineração, especialmente em um contexto favorável de preços do minério de ferro, Rabello esclareceu que esta divisão representa uma “grande reserva de valor” para o grupo e que a CSN não tem interesse em desinvestir nessa área.
Analistas questionaram a decisão da empresa de manter uma participação minoritária na divisão de cimentos. Rabello respondeu que o interesse do investidor e a avaliação de mercado seriam os fatores que orientariam o percentual a ser monetizado durante as negociações, enfatizando que a ausência de janelas para um novo IPO contribui para o atual interesse de mercado.
Além disso, está em discussão a participação de grupos sem operações no Brasil, o que pode facilitar a aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Futuras Oportunidades de Mercado
Embora a CSN não tenha revelado valores específicos que pretende levantar com as vendas, Steinbruch indicou que a venda do controle da CSN Cimentos seria suficiente para resolver questões relacionadas ao endividamento da companhia. Os recursos excedentes seriam avaliados posteriormente para definir os próximos passos.
Rabello reiterou que a empresa está aberta a IPOs de todas as suas divisões, incluindo energia e infraestrutura, embora no momento não haja oportunidades favoráveis. Além disso, a CSN pode explorar vendas de ativos fora do Brasil, especificamente operações de siderurgia na Europa, mas conforme o executivo, as transações em cimento e infraestrutura já são suficientes para assegurar a desalavancagem desejada pela companhia.
Quando questionado sobre o nível de interesse dos investidores nos ativos do grupo, Rabello afirmou que a CSN “está realizando todas as ações corretas que os investidores têm solicitado nos últimos meses” e que resultados concretos podem ser esperados em breve.
Steinbruch também salientou que a divisão de siderurgia, com sua usina em Volta Redonda (RJ), fundada na década de 1940 e que recebeu novos investimentos, precisará de parcerias para modernizar seus equipamentos, dada a dificuldade do setor em crescer no Brasil em meio a um elevado volume de importações.
Fonte: www.moneytimes.com.br


