Curva de Juros Futuros em Queda
A curva de juros futuros do Brasil registra uma trajetória de queda nesta quinta-feira, dia 29, pela sexta sessão consecutiva. Esse movimento ocorre em meio à rotação global que tem enfraquecido o dólar diante do real, enquanto o mercado já precifica o início do afrouxamento monetário no Brasil, após as deliberações do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Queda nas Taxas e Expectativas de Corte
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) diminuem até 10 pontos-base nos vértices de curtíssimo e curto prazo, impulsionadas pelo aumento das expectativas do mercado quanto a um corte de 0,50 ponto percentual na Selic na próxima decisão de política monetária, programada para março. Por volta das 11h, no horário de Brasília, a taxa de DI para janeiro de 2027, que se refere ao curtíssimo prazo, operava a 13,480%, apresentando uma queda de 3 pontos-base em comparação ao ajuste anterior de 13,515%. A taxa de DI para janeiro de 2028 operava a 12,695%, em relação ao fechamento anterior de 12,780%, uma redução de 9 pontos-base. No que se refere ao médio e longo prazos, a variação é menor: a taxa de DI para janeiro de 2035, correspondente ao longo prazo, indicava 13,30%, ante 13,31% no fechamento anterior.
Mais cedo, a curva indicava uma probabilidade de 82% para um corte de 50 pontos-base na Selic em março, em contraste com apenas 18% de chance de uma redução de 25 pontos-base. No dia anterior, antes da reunião do Copom, as expectativas giravam em torno de 60% e 40%, respectivamente, à medida que os investidores percebiam chances crescentes para um corte mais significativo em função da forte queda do dólar, que se aproximou de R$ 5,20.
Corte dos Juros em Março
No dia anterior, o Copom deliberou por manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde meados de 2006. Com essa decisão, o comitê atingiu a quinta manutenção consecutiva, de acordo com as expectativas do mercado, e a votação foi unânime. No comunicado oficial, os diretores do Copom mencionaram que o cenário global permanece incerto, destacando a política econômica dos Estados Unidos, e enfatizaram que a situação atual requer “cautela” por parte dos países emergentes, especialmente em um ambiente caracterizado por tensões geopolíticas.
Em relação ao cenário interno, o Banco Central sublinhou que os indicadores de atividade econômica têm mostrado, conforme esperado, uma trajetória de moderação no crescimento, ao passo que o mercado de trabalho continua a apresentar sinais de resiliência. Também foi destacado que as expectativas referentes à inflação permanecem desancoradas.
Entretanto, o Copom sinalizou um possível corte nos juros para março. A instituição indicou que, caso o cenário esperado se confirme, poderá iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, reafirmando, porém, que manterá uma restrição adequada para assegurar a convergência da inflação em direção à meta estabelecida. O colegiado ressaltou que a extensão e o ritmo dos possíveis cortes dependerão da “evolução de fatores que proporcionem maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
A sinalização para um início de afrouxamento monetário teve como reflexo uma elevação nas apostas para um corte de 0,50 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,50% em março. “Embora tenha sido mantido um tom cauteloso em relação ao ritmo — que pode ser de 25 pontos-base, e não de 50 —, a mensagem foi bem recebida pelo mercado”, afirmou Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. “No fim das contas, o mais relevante é a confirmação de que o ciclo de afrouxamento monetário está prestes a começar.”
Fonte: www.moneytimes.com.br


