ICC Atinge Máxima Histórica
O Indicador de Custo de Crédito (ICC) alcançou 23,4% em agosto, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, 29. Este é o maior nível registrado na série histórica que teve início em 2013.
Cálculo do ICC
Esse índice representa o volume de juros pagos, em valores monetários, por consumidores e empresas no mês. Ele é calculado a partir do total de operações de crédito, considerando o estoque existente, o que reflete a taxa média de juros efetivamente paga pelos brasileiros em operações de crédito contratadas anteriormente e ainda em vigor.
Taxa Selic e Juros
A Selic, taxa básica de juros do país, se mantém em 15% ao ano desde junho. Atualmente, este é o patamar mais elevado registrado em quase duas décadas.
Taxas de Juros em Aumento
Paralelamente, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 45,6% para 46% em agosto. No mesmo mês do ano anterior, a taxa era de 39,7%. Para pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre aumentou de 57,9% para 58,4%.
Para as empresas, a taxa de juros passou de 25% em julho para 25,2% em agosto.
Emissão de Empréstimos
Os juros altos exercem influência na concessão de empréstimos. No mês de agosto, houve uma redução de 3,3% nas concessões de crédito livre pelos bancos, que totalizaram R$ 555,6 bilhões. No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, essas concessões apresentaram um crescimento de 11,7%.
Variação nas Concessões
As concessões destinadas a pessoas físicas caíram 2% em agosto, totalizando R$ 313,5 bilhões, mas no acumulado dos 12 meses, registraram um crescimento de 11,1%. As concessões para empresas, por sua vez, recuaram 4,9% no mês, alcançando R$ 242,1 bilhões, com uma alta de 12,5% em um ano.
Cenário de Crédito
Cheque Especial
A taxa do cheque especial registrou uma ligeira queda, passando de 138,2% para 137,9%. No que se refere ao crédito pessoal total, também houve um pequeno aumento, com a taxa subindo de 49,1% para 49,3%.
Crédito para Veículos
O juro médio aplicável ao crédito voltado para a aquisição de veículos manteve-se estável em 27,3%.
Operações de Crédito Livres e Direcionadas
A taxa média no crédito total, que engloba operações livres e direcionadas (financiadas por recursos da poupança e do BNDES), apresentou uma leve variação, subindo de 31,6% para 31,8%. Um ano atrás, essa taxa era de 27,6%.
Spread do Crédito
O spread médio em operações de crédito livre aumentou de 31,8 pontos em julho para 32,3 pontos em agosto, conforme informado pelo Banco Central. Esta métrica indica a diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e o valor efetivamente cobrado aos clientes finais.
No que diz respeito ao segmento de pessoas físicas, o spread médio variou de 43,9 pontos para 44,5 pontos. Para operações relacionadas a empresas, o spread médio passou de 11,6 pontos para 11,8 pontos no mesmo período.
O spread médio do crédito direcionado, que inclui recursos da poupança e do BNDES, teve uma diminuição, caindo de 4,4 pontos em julho para 4,2 pontos em agosto. O spread total, que abrange tanto crédito livre quanto direcionado, apresentou uma leve variação de 20,4 pontos para 20,7 pontos nesse intervalo.
Inadimplência em Aumento
A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre subiu de 5,2% em julho para 5,4% em agosto, de acordo com informações do Banco Central. A taxa de inadimplência para pessoas físicas aumentou, passando de 6,5% para 6,8%. A taxa para empresas permaneceu inalterada em 3,3%.
O nível de inadimplência do crédito direcionado, que envolve recursos da poupança e do BNDES, também registrou um aumento, passando de 1,8% em julho para 2% em agosto. Ao considerar o crédito total, que inclui tanto o livre quanto o direcionado, a taxa passou de 3,8% para 3,9%.
Endividamento das Famílias
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 48,6% em julho, uma leve diminuição em relação aos 48,8% registrados em junho, conforme apontado pelo Banco Central no levantamento mensal sobre crédito referente a agosto. Este dado costuma ser divulgado com um mês de atraso em relação aos demais índices. O recorde histórico para esse indicador foi alcançado em julho de 2022, quando atingiu 49,9%.
Quando excluídas as dívidas imobiliárias, o endividamento totalizou 30,4% em julho, abaixo dos 30,6% verificados em junho.
O comprometimento da renda das famílias junto ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) passou de 28% para 27,9%. Quando consideradas apenas as dívidas provenientes de empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda diminuiu, caindo de 25,9% para 25,8%.
Com informações do Estadão Conteúdo
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


