Dados de Contratações nos EUA em Abril
O desempenho positivo do mercado de trabalho nos Estados Unidos em abril, divulgado na sexta-feira (8), trouxe um revés para as expectativas do futuro presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em relação ao corte das taxas de juros. A situação aumenta a margem de manobra das autoridades para usar a política monetária na gestão da inflação, que vem apresentando crescimento.
No mês de abril, a economia dos EUA gerou 115.000 novos postos de trabalho, superando as previsões dos especialistas. Além disso, foi revisado para cima o número de empregos criados em março, que agora é de 185.000. Esse aumento no emprego em abril indica que as contratações estão acima do nível que muitos analistas consideram necessário para manter a estabilidade no mercado de trabalho. A taxa de desemprego permaneceu inalterada em 4,3%.
As contratações refletem que o mercado de trabalho americano está em um estado positivo, mesmo diante do aumento das pressões inflacionárias, consequência do aumento dos impostos sobre importação durante a administração do presidente Donald Trump, combinado com a elevação nos preços da energia provocada pela guerra no Irã.
Esses dados reduziram as já escassas possibilidades de que o Fed pudesse realizar cortes nas taxas de juros ainda neste ano e reforçaram a opinião de um número significativo de responsáveis pela política monetária que estão preocupados com a inflação, preferindo manter as taxas em níveis estáveis por um período prolongado.
A Visão dos Especialistas
O chefe de economia dos EUA na Fitch Ratings, Olu Sonola, comentou: “O mercado de trabalho não está em expansão, mas tem se mostrado mais resistente do que muitos temiam”. Ele complementou que, se a taxa de desemprego continuar estável, a atenção do Fed se voltará para as questões inflacionárias. Sonola destacou que, caso as pressões sobre os preços permaneçam elevadas, “é improvável que a tendência de flexibilização do Fed se mantenha por muito mais tempo”.
Atualmente, o mercado prevê apenas 18% de probabilidade de um aumento nas taxas de juros na reunião de política monetária do Fed em dezembro. Este índice estava em cerca de 23% no final da última quinta-feira. Simultaneamente, o percentual de chance de que o Fed mantenha as taxas estáveis aumentou para 74,1%, em relação aos 70,1% do dia anterior.
Decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto
Recentemente, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu manter sua meta para a taxa de juros entre 3,50% e 3,75%. Na declaração de política monetária, o comitê manifestou a tendência de que novos cortes nas taxas não são iminentes. Essa decisão gerou discordâncias entre três presidentes de bancos regionais do Fed, que, em declarações subsequentes, argumentaram que a incerteza acerca das perspectivas econômicas e os riscos resultantes da guerra no Irã poderiam até levar o Fed a considerar um aumento das taxas em algum momento.
A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, expressou em uma entrevista de rádio que “nossa declaração deve refletir uma posição bastante neutra sobre se o próximo passo será uma redução, um aumento ou apenas manter a taxa por um tempo significativo”.
A diminuição das expectativas de um corte nas taxas de juros ocorre em um momento em que Warsh busca a confirmação do Senado para suceder Jerome Powell, que tem seu mandato encerrado em 15 de maio. Apesar de Warsh ter demonstrado interesse em promover cortes nas taxas, a realidade atual das pressões sobre os preços e a instabilidade política gerada pela guerra podem dificultar que ele encontre apoio para essa medida.
Desafios Políticos e Postura do Fed
Warsh enfrenta desafios ainda maiores no contexto político, considerando que Powell pretende manter seu cargo de diretor até 2028, o que implica na busca por garantias de que as investigações legais do governo Trump contra o banco central foram finalizadas. Powell declarou: “não pretendo ser… um dissidente de alto nível”, o que sugere que sua presença pode fortalecer as posições contrárias a cortes nas taxas.
No entanto, em uma entrevista recente para a televisão, Stephen Miran, um diretor do Fed, reiterou seu argumento a favor do corte das taxas, afirmando que a atual postura da política monetária pode estar limitando o mercado de trabalho. Miran, que permanecerá em seu cargo até a confirmação de Warsh, também mencionou que espera que a continuidade de Powell seja “transitória” e não uma medida que possa dificultar a direção do Fed.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


