Revisão do IPCA pelo Daycoval
O Daycoval revisou para baixo a sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, passando de 4,1% para 3,8%. Essa revisão solidifica a percepção de que o processo de desinflação está em andamento e abre espaço para o início do ciclo de cortes na taxa Selic, ainda que de maneira gradual.
Motivos para a Revisão
A redução das expectativas para o IPCA é resultado de um ambiente inflacionário menos pressionado do que o antecipado no final do ano anterior. De acordo com o banco, essa melhora se deve, principalmente, ao comportamento mais favorável da inflação importada, à acomodação da taxa de câmbio e à revisão para baixo dos preços administrados, que agora apresentam uma alta projetada de 3,6%, ao invés de 4,2% anteriormente estimados.
Além disso, a queda no preço da gasolina e a inclusão de deflação em despesas como emplacamentos e licenças contribuíram para este novo cenário econômico. Para os bens industriais, a expectativa também foi ajustada, de 3,5% para 3,0%, refletindo a menor pressão cambial e o impacto mais contido dos preços de commodities quando convertidos em reais. A análise é de que o primeiro semestre deve continuar a refletir os efeitos de um ambiente externo mais favorável.
Cautela Apesar da Revisão
Embora a revisão apresente uma atualização positiva, o banco ainda mantém uma postura cautelosa. A inflação de serviços é apontada como um dos principais pontos de atenção. Esta preocupação é especialmente relevante em um contexto de mercado de trabalho apertado e com ganhos reais de renda ainda em expansão. O núcleo da inflação, que é mais sensível à dinâmica salarial, continua sendo um desafio significativo para o Banco Central.
Expectativas Futuras para a Taxa de Juros
A nova projeção do Daycoval reafirma que o processo de desinflação está em andamento e abre a possibilidade para o início do ciclo de cortes nas taxas de juros, mesmo que de forma gradual. O banco espera que a taxa Selic encerre o ano em 12%, com um corte inicial de 0,25 pontos percentuais previsto para março.
Comunicação do Banco Central
O Daycoval observou que a comunicação mais dovish (ou mais suave) do Banco Central foi uma surpresa, mas ressalta que o cenário ainda é caracterizado por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”.
Perspectivas no Curto Prazo
Apesar das considerações anteriores, o banco afirma que a autoridade financeira pode implementar um início de ciclo de redução de juros de forma mais intensa. “A postura firme do Banco Central também é um fator relevante nesse processo. Nesse contexto, a adoção de uma postura mais dovish em um ambiente de alta incerteza pode prejudicar a reancoragem das expectativas de inflação”, é o que foi destacado no relatório confeccionado pelo banco.
Fonte: www.moneytimes.com.br

