Decisão judicial destaca "participação consciente" de executivos do BRB em fraude do Master

Decisão judicial destaca “participação consciente” de executivos do BRB em fraude do Master

by Ricardo Almeida
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Fraude Envolvendo BRB e Banco Master

Executivos do BRB estiveram envolvidos em um esquema fraudulento orquestrado pelo Banco Master, com o objetivo de melhorar a fragilizada situação de liquidez do banco estadual. De acordo com a decisão judicial que autorizou a prisão e o afastamento de dirigentes de ambas as instituições, o esquema pode ter provocado perdas superiores a R$ 10 bilhões para a instituição pública.

Detalhes da Decisão Judicial

A decisão foi proferida pelo juiz federal Ricardo Augusto Leite e foi reportada pela Reuters. O documento revela implicações do BRB, que é controlado pelo governo do Distrito Federal, no colapso do Banco Master, que resultou em sua liquidação pelo Banco Central devido a sérios problemas de liquidez e desrespeito a regulamentos.

O juiz Leite destacou que existem indícios de que os dirigentes do BRB participaram conscientemente do suposto esquema fraudulento montado pelos gestores do Banco Master. Ele mencionou sinais de crimes de gestão fraudulenta que podem ter sido cometidos por executivos do BRB.

Prisões e Afastamentos

Na terça-feira, uma operação da Polícia Federal resultou na prisão do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros executivos. A operação incluiu buscas na sede do BRB e nas residências do então CEO, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia Júnior, que foram afastados de suas funções por um período de 60 dias, conforme decisão judicial.

Até o momento, BRB e Banco Master não ofereceram respostas imediatas aos pedidos de comentários sobre a situação.

Investigação e Auditoria

Em uma declaração feita na quarta-feira, o BRB anunciou que seu conselho decidiu contratar uma auditoria externa especializada com o intuito de examinar os fatos relacionados à operação policial.

A investigação se concentra na aquisição, pelo BRB, de títulos de crédito do Banco Master. Esses títulos incluíam aqueles vinculados a ativos que, conforme alegado, não existiam, e que tiveram como propósito aliviar a crise de liquidez enfrentada pelo banco privado.

Transferências e Impactos Financeiros

As transações entre as duas instituições durante essas operações totalizaram R$ 16,7 bilhões entre julho de 2024 e outubro de 2025. O juiz Leite afirmou que, a partir dessas transações, as carteiras de crédito do Banco Master passaram a representar 30% dos ativos do BRB, sugerindo que isso pode ter sido uma ação do banco público para apoiar o Master.

As acusações retratadas pela Polícia Federal indicam uma "predisposição comum de meios para a prática de uma série indefinida de delitos" por parte dos executivos do Banco Master, que posteriormente foram acompanhados pela liderança do BRB. O juiz mencionou que a anuência da instituição pública foi a mais grave até o momento, com potenciais prejuízos superiores a R$ 10 bilhões.

Tentativa de Aquisição e Transferências

Em março deste ano, o BRB havia anunciado planos para adquirir o Banco Master, uma operação que foi posteriormente impedida pelo Banco Central. Paralelamente, os executivos do BRB orquestraram transferências de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio com o intuito de manter o banco Master em funcionamento.

Esse valor, que foi bloqueado por ordem judicial sobre bens de vários executivos e CNPJs envolvidos no caso, incluindo o BRB e o Banco Master, correspondia ao déficit que o Master havia acumulado após emitir cerca de R$ 50 bilhões em títulos de dívida, enquanto contava com uma carteira de ativos, na maior parte, lastreados em ativos que apresentam baixa liquidez.

Aquisições Irregulares e Possíveis Fraudes

Para tentar preencher a lacuna financeira, o Banco Master adquiriu carteiras de crédito da Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A. sem realizar qualquer pagamento, segundo investigadores. A Tirreno é apontada como uma fachada para créditos consignados que, segundo alegações, não existiam. Os créditos teriam sido, de acordo com informações, originados pela instituição financeira Cartos.

A Cartos esclareceu que não há qualquer acusação de irregularidade contra a sua instituição e ressaltou que segue rigorosos padrões de conformidade. Até o momento, a Reuters não obteve contato com a Tirreno.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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