Dentro da fábrica de terras raras da Neo

Dentro da fábrica de terras raras da Neo

by Patrícia Moreira
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A Estônia e a Indústria de Terras Raras

Introdução à Fábrica de Narva

NARVA, Estônia — A Europa investe significativamente para romper a dependência da China na produção de terras raras, começando na fronteira com a Rússia. A maior instalação de terras raras do continente, localizada na extremidade da ala leste da OTAN, está aumentando a produção de ímãs como parte de um esforço regional para reduzir a dependência de importações da China.

Desenvolvimento da Fábrica

Desenvolvida pela empresa canadense Neo Performance Materials e inaugurada em meados de setembro, a fábrica de ímãs está situada na pequena cidade industrial de Narva. Esta cidade de fronteira é separada da Rússia pelo rio Narva, que representa a fronteira externa tanto da OTAN quanto da União Europeia.

Expectativas para o Futuro

Analistas anticipam que a instalação desempenhará um papel fundamental no plano europeu para diminuir a dependência da China, embora alertem que a região enfrenta um longo e desafiador caminho à frente para atingir suas metas estratégicas em relação aos minerais. Os ímãs à base de terras raras são componentes essenciais de tecnologias modernas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos médicos, aplicações de inteligência artificial e armamentos de precisão.

Rahim Suleman, CEO da Neo, em entrevista por chamada de vídeo à CNBC, informou que a fábrica está com a meta de produzir 2.000 toneladas métricas de ímãs de terras raras ainda este ano, aumentando gradualmente para 5.000 toneladas e além, em resposta a um mercado que cresce de forma acelerada.

Perspectivas de Mercado

A região europeia atualmente importa quase todos os seus ímãs de terras raras da China. No entanto, Suleman acredita que a unidade de Narva pode atender cerca de 10% dessa demanda. "Dito isso, nossa previsão é algo em torno de 20.000 toneladas. Portanto, ainda temos muito a fazer e construir, já que os clientes realmente precisam diversificar suas cadeias de suprimento," comentou Suleman.

Ele ressaltou que "não estamos falando de independência em relação a nenhuma jurisdição. Estamos apenas criando cadeias de suprimento robustas e diversificadas para reduzir o risco de concentração."

A Neo já anunciou contratos iniciais com Schaeffler e Bosch, fornecedoras automotivas importantes que atendem a gigantes como Volkswagen e BMW.

Desafios da Indústria Europeia

Os esforços da Europa para atender às suas metas de segurança de recursos enfrentam diversos obstáculos. Entre eles, os analistas apontam a escassez de financiamento, regulamentações restritivas, uma cadeia de suprimentos fragmentada e custos de produção relativamente altos. Essas questões levantam dúvidas sobre a viabilidade das ambiciosas metas de cadeias de suprimento da UE.

De acordo com Caroline Messecar, analista da Fastmarkets, "a Europa precisa aumentar significativamente a capacidade de produção de ímãs de terras raras para se aproximar de uma cadeia de suprimento diversificada para seus fabricantes de automóveis."

A Geopolítica das Terras Raras

A Rivalidade EUA-China

Uma questão que antes passava despercebida se tornou um trunfo importante na atual rivalidade geopolítica entre os EUA e a China.

Em outubro, a China concordou em adiar a implementação de novas restrições à exportação de minerais de terras raras, como resultado de um acordo entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos EUA Donald Trump. Contudo, as restrições anteriores da China, que desarticularam as cadeias de suprimento globais, permanecem em vigor.

Ryan Castilloux, diretor administrativo da consultoria Adamas Intelligence, destacou a gravidade do problema em uma conversa telefônica com a CNBC: "A ameaça ainda está presente; a guilhotina continua pendurada. Isso, em conjunto, fez com que todos no Ocidente, sejam usuários finais ou governos, reconhecessem os riscos que enfrentam. É um problema que, francamente, vale bilhões e impacta indústrias que movimentam trilhões."

Desafios da Diversificação

A Europa, particularmente, tem enfrentado turbulências tarifárias, conforme identificado na Previsão Econômica de Outono de 2025 pela Comissão Europeia. O documento assinala que as restrições de exportação da China ocasionaram distúrbios nas cadeias de suprimento em vários setores, como automotivo e de energia verde. Este cenário coloca a questão da diversificação de suprimentos em evidência para os formuladores de políticas europeus, especialmente considerando que a demanda deve continuar crescendo até 2030, enquanto a oferta da UE permanece altamente dependente de um único fornecedor.

Em resposta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em outubro que planos estavam sendo elaborados para lançar uma iniciativa chamada "RESourceEU" — semelhante à iniciativa "REPowerEU", que abordou outra questão de suprimento relacionada à energia.

O projeto de Narva antecede essas medidas, mas recebeu 18,7 milhões de euros (cerca de 21,7 milhões de dólares) em financiamento da UE, representando um exemplo do que a UE espera alcançar. Apesar de sua produção ainda ser modesta comparada à demanda total, o projeto demonstra como a UE planeja expandir a capacidade de produção de ímãs dentro do bloco e reduzir a dependência da China.

A Supremacia da China

A China é indiscutivelmente a líder na cadeia de suprimentos de minerais críticos, responsável por quase 60% da mineração de terras raras no mundo e mais de 90% da fabricação de ímãs. A Europa, por sua vez, é o maior mercado de exportação de terras raras chinesas.

Proximidade com a Rússia

A Localização da Fábrica

A localização da nova instalação da Neo gerou algumas preocupações, especialmente devido ao desafio de segurança associado à proximidade com a Rússia. Após a invasão em larga escala da Ucrânia por Moscovo no início de 2022, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que Narva era historicamente parte da Rússia e deveria ser retida.

Justificativa da Escolha

Em resposta à pergunta sobre a escolha da localidade para sua nova fábrica de terras raras, Suleman explicou que a empresa já possuía uma infraestrutura estabelecida na região. "Acreditamos que o lugar certo seria na Europa," disse ele. "E, posteriormente, decidimos entrar efetivamente na Estônia. Temos uma longa história neste país e já temos uma instalação de separação de terras raras que pode lidar tanto com terras raras leves quanto com o desenvolvimento de terras raras pesadas."

Ele também elogiou a qualidade da mão de obra estoniana, mencionando o alto nível educacional e o compromisso com o trabalho duro. "Ao somar tudo isso, junto com o apoio que recebemos tanto da Estônia quanto da UE, a escolha foi excelente para nós," acrescentou.

Reação dos Legisladores Estonianos

Os legisladores da Estônia têm recebido positivamente o potencial da fábrica de ímãs da Neo, afirmando que a instalação beneficiará tanto o desenvolvimento do país quanto da região mais ampla. Jaanus Uiga, secretário-geral adjunto de Energia e Recursos Minerais da Estônia, destacou que a abertura da fábrica ocorreu "na hora certa."

Observações sobre a Situação Atual

Em uma declaração à CNBC no dia 30 de outubro, Uiga reconheceu as tensões econômicas entre os EUA e a China no que diz respeito às terras raras, afirmando que a Estônia e a UE precisam se adaptar a uma situação em evolução. "É uma capacidade de processamento muito única que foi desenvolvida na Estônia, e estamos muito felizes com isso, pois se deu em uma região que está se afastando dos combustíveis fósseis," concluiu Uiga.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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