Em uma operação integrada de segurança nacional, o governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de sanções financeiras e o bloqueio de bens de dois cidadãos brasileiros e quatro empresas, sendo três delas localizadas no Brasil e uma em Portugal. Este grupo é acusado de fazer parte de uma rede criminosa dedicada à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, com ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A medida foi coordenada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), que é um órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. As investigações revelaram que a rede estava operando um esquema complexo que interligava transações em Miami e na cidade de São Paulo, movimentando milhões de dólares através do uso de criptomoedas e de arranjos comerciais sofisticados.
Como resultado dessa ação, todos os bens e interesses em bens das pessoas designadas ou bloqueadas mencionadas anteriormente, que se encontrem nos Estados Unidos ou sob a posse ou controle de pessoas americanas, foram bloqueados e devem ser reportados ao OFAC. As sanções também impedem que empresas e bancos dos Estados Unidos realizem qualquer tipo de transação com os indivíduos investigados, sob risco de enfrentar severas penalidades civis e criminais.
Desde o dia 5 de junho, o PCC é classificado como uma organização terrorista pelo governo americano.
O Núcleo do Esquema
O esquema desmantelado pelas autoridades norte-americanas atuava em duas frentes interligadas. Enquanto o setor americano operava na Flórida, a liderança logística estava baseada em São Paulo.
- Victor Henrique de Oliveira Shimada: Identificado como o líder da parte paulista e o principal elo entre os traficantes internacionais e os operadores na Flórida. Shimada é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil a mando do PCC.
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: Parente e secretária de Shimada, atuava como intermediária na captação de grandes quantias de dinheiro em espécie e gerenciava a logística vital do grupo.
O Tesouro americano destacou que Shimada já havia sido colocado em prisão domiciliar no Brasil em janeiro de 2025, após uma de suas empresas ter sido utilizada para lavar dinheiro de um desvio na negociação do Corinthians com a VaideBet.
As Empresas Utilizadas pela Rede
Para ocultar a origem dos recursos e evitar a detecção pelo sistema bancário tradicional, o grupo controlava quatro empresas que agora foram completamente bloqueadas pelos Estados Unidos:
- Victory Trading (São Paulo) – Prestação de serviços financeiros.
- Wave Construções Inteligentes (São Paulo) – Prestação de serviços financeiros.
- Pixwave Soluções de Pagamentos (São Paulo) – Setor de construção.
- Avenidas Flutuantes Unipessoal (Lisboa, Portugal) – Transporte e armazenamento.
Uso de Plataformas Chinesas
O Departamento do Tesouro enfatizou que o PCC se consolidou como a maior organização criminosa transnacional no Hemisfério Ocidental, expandindo suas atividades para o Reino Unido, Turquia e Japão.
Investigações recentes por parte de autoridades brasileiras, mencionadas no relatório americano, revelaram que a facção também utilizava uma rede de distribuição de eletrônicos e uma plataforma de comércio eletrônico da China para efetuar a lavagem de dinheiro através do comércio. Por meio desse método específico, foi registrada a movimentação de mais de US$ 190 milhões em um curto período de sete meses.
Fonte: timesbrasil.com.br