A descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, localizada no Amapá, foi anunciada na sexta-feira, 14 de setembro, e foi recebida com otimismo pelo setor de petróleo e gás. Contudo, essa notícia também levantou preocupações sobre os desafios ambientais associados à exploração nessa região. Em entrevista ao CNN Prime Time, Telmo Ghiorzi, CEO da ABESPetro — Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo — comentou sobre o anúncio, enfatizando os obstáculos que precisam ser superados antes que a extração possa ocorrer efetivamente.
Otimismo aguardado há 13 anos
O bloco exploratório em questão foi leiloado sob o regime de concessão em 2013, e a descoberta é um marco que resulta de mais de uma década de espera por parte do setor. Ghiorzi afirmou: “É um otimismo que é aguardado há 13 anos”.
No entanto, ele enfatizou que a descoberta ainda não é conclusiva. Serão necessárias mais perfurações para delimitar, quantificar e qualificar a reserva. Ele mencionou: “Aparentemente, teremos uma reserva que, se tudo correr bem, será similar ao que foi encontrado na Guiana, que foram 11 bilhões de barris”.
Para contextualizar, o Brasil possui atualmente reservas que giram em torno de 15 bilhões de barris. Ghiorzi acrescentou: “Se encontrarmos nessa localização uma reserva parecida, a gente muda o patamar radicalmente”.
Questão ambiental permanece mal equacionada
Apesar do entusiasmo gerado pela descoberta, Ghiorzi foi categórico ao indicar que a questão ambiental ainda representa um sério obstáculo. Ele declarou: “Pesa negativamente e pesa muito. Esse permanece um enorme desafio”.
De acordo com ele, em condições ambientais mais favoráveis, já seria viável perfurar quatro ou cinco poços ao mesmo tempo na região. “Seguramente vai haver uma pressão agora de órgãos e instituições ambientais contrárias a que se perfure mais poços”, alertou.
Ghiorzi descreveu o tema ambiental como “muito mal equacionado ainda” e previu que a notícia da descoberta trará à tona desafios, controvérsias e movimentos contrários de diversos organismos ambientais.
Processo até a extração pode levar até oito anos
Ao ser questionado sobre o tempo necessário para que a produção efetiva se inicie, Ghiorzi detalhou as etapas do processo. A Petrobras precisará realizar mais perfurações — entre quatro e dez — para delimitar a reserva e, posteriormente, declarar a comercialidade à ANP (Agência Nacional do Petróleo).
Neste ponto, o bloco exploratório mudará de categoria e será designado como campo de petróleo, recebendo o nome de um elemento da fauna marinha. “Vai comprar uma plataforma que levará entre três a cinco anos para ser construída. Então, desse momento até o início da produção efetiva, podemos esperar algo entre cinco a oito anos”, explicou Ghiorzi.
Atratividade para grandes petroleiras e desafios tributários
Além da necessidade de licenciamento ambiental, Ghiorzi mencionou que o imposto sobre exportação é outro elemento que “não contribui” para atrair investimentos. Apesar disso, ele expressou otimismo quanto ao interesse de grandes empresas do setor na região.
“Há um interesse muito grande no Brasil, em toda essa região geográfica, da margem equatorial do Brasil e da margem equatorial de outros países da América do Sul”, afirmou Ghiorzi.
Ele citou a Exxon como uma das empresas que pode materializar seu interesse na área, juntamente com outras petroleiras, tanto nacionais quanto internacionais.
“O que importa é que o petróleo seja produzido no Brasil, que os empregos sejam gerados aqui e que a arrecadação permaneça no Brasil”, concluiu, ressaltando que o setor possui “mais de 50 anos de exploração offshore no Brasil sem nenhum evento de relevância” e que os desafios relacionados à exploração serão superados.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br