Mineradora recuperou as perdas de março na B3, e há motivos para acreditar em mais uma toada de valorização, segundo fundamentos apresentados por Ruy Hungria, analista da Empiricus.
O mês de março apresentou incertezas para o mercado acionário brasileiro como um todo, em razão da aversão ao risco que impactou negativamente diversas ações. A Vale (VALE3) foi uma das empresas que sofreu com esse cenário: enquanto o Ibovespa encerrou o mês com uma queda de 0,9%, as ações da mineradora acumularam uma desvalorização de 6%, sendo cotadas a R$ 82,48 no último pregão do mês.
No entanto, segundo Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research, a diminuição no valor das ações da Vale foi “injustificada”, e ele acredita que elas podem continuar “destravando valor” para os investidores.
R$ 88,44, logrando recuperar completamente as perdas registradas em março, o que reforça a tese do analista sobre o potencial de valorização das ações.
A questão que se impõe é: será que as ações da Vale podem continuar a sua trajetória de alta? Para aqueles que desejam entender se “vale a pena” investir nas ações da Vale (VALE3) neste momento, Ruy Hungria relaciona cinco motivos que sustentam suas recomendações de compra.
Analista aponta 5 motivos para investir em Vale (VALE3) a partir de agora
Ruy Hungria baseia sua recomendação para as ações da Vale em diversos fatores. Entre eles, destacam-se cinco principais:
1. Minério de ferro em alta
Em decorrência da guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo não é o único ativo que demonstrou uma valorização expressiva: o minério de ferro também permanece com preços superiores a US$ 100 por tonelada. Há analistas que preveem um possível novo “boom das commodities” após as tensões decorrentes do conflito.
De acordo com o analista, entre os produtores de minério de ferro, a Vale se destaca por possuir alguns dos menores custos de operação. Assim, a alta nos preços da commodity pode, de maneira direta, beneficiar a empresa.
2. Receita em dólar
“Investir nas ações da VALE3 também representa uma forma de dolarização da carteira, uma vez que seus produtos são precificados em moeda forte”, afirma o analista. Deste modo, o investidor tem a possibilidade de diversificar seus ativos além do real brasileiro, sem a necessidade de se afastar da B3. “Isso é particularmente positivo em um contexto de incertezas”, complementa.
3. ‘Joia da coroa’ pouco conhecida
Poucos investidores conhecem a Vale além da sua “capa”. Contudo, Hungria ressalta a importância de uma de suas subsidiárias, a qual classifica como a “joia da coroa” das operações: a Vale Base Metals, que foca em cobre, níquel e outros metais básicos, que são essenciais no contexto da transição energética.
Para o analista, a Vale Base Metals está subprecificada em relação ao seu verdadeiro valor. “Deveria estar avaliada em 8 a 9 vezes seu Ebitda, mas atualmente a Vale inteira está sendo negociada a 4,5 vezes o Ebitda”, explica. “O mercado ainda não precificou devidamente a Vale Base Metals, que promete liberar cada vez mais valor nos próximos anos.”
4. Bom momento operacional
“A companhia tem apresentado resultados robustos nos últimos trimestres, o que evidencia um bom momento operacional”, afirma Hungria, que continua: “A nova gestão conseguiu estabilizar a empresa, proporcionando uma fase de maior previsibilidade e disciplina na alocação de capital. Essa nova fase resulta em uma geração de caixa forte e um foco ampliado no retorno aos acionistas.”
5. Valuation descontado em relação às concorrentes
Avaiada a 4,5 vezes o valor da firma sobre o Ebitda, a Vale apresenta um valuation inferior ao de suas principais concorrentes, que são as mineradoras australianas, as quais estão sendo comercializadas a “6 ou 7 vezes o Ebitda”, segundo Hungria.
Levando isso em consideração, o analista observa que “a Vale ainda se mostra descontada, apresentando um desempenho muito superior ao das concorrentes nos últimos trimestres”, o que cria uma oportunidade para aqueles que almejam uma valorização das ações.
Esses fatores contribuem para a atratividade das ações da Vale, que apresentam um dividend yield potencial de aproximadamente 9% para os acionistas em 2026, respaldado por dividendos recorrentes e outras distribuições adicionais.
Contudo, em nome da diversificação, vale mencionar que a VALE3 não é a única recomendação do analista para investimentos atualmente.
É fundamental manter uma variedade de ações, que ofereçam um bom equilíbrio entre risco e retorno, especialmente em um cenário de alta volatilidade nos mercados, como o que estamos vivenciando no momento.
“Continuamos otimistas em relação aos ativos brasileiros, mas compreendemos que o contexto atual demanda uma cuidadosa seletividade de empresas”, afirma o analista.
Assim, Vale (VALE3) foi escolhida para integrar a edição de abril da carteira Empiricus Top Picks, que contempla 10 ações brasileiras com alto potencial de investimento no momento.
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Fonte: www.moneytimes.com.br