Existem diversas maneiras de começar 2026 com a mente tranquila e em paz financeira. Uma abordagem eficaz é colocar as contas em dia e considerar a renegociação de pendências financeiras. Especialistas em finanças pessoais destacam que no Brasil, as renegociações de dívidas muitas vezes resultam em descontos que variam entre 20% e 50%. Em alguns casos específicos, esses descontos podem chegar até 90% do valor devido.
Dessa forma, buscar um acordo com o credor se torna uma opção que vale muito a pena. Para facilitar esse processo, a organização é crucial. A seguir, são apresentadas as principais orientações de Nayra Sombra, planejadora financeira certificada pela Planejar, para lidar com a questão das dívidas e evitar que elas se tornem um fardo maior.
Quanto de desconto devo buscar na hora de renegociar?
A planejadora financeira explica que o percentual de desconto oferecido na renegociação pode variar consideravelmente. Essa variação é influenciada por diversos fatores, como a instituição financeira que detém a dívida, o tipo específico de dívida e o histórico de pagamento do devedor.
Segundo Nayra Sombra, “com base em fontes oficiais, é possível afirmar que os descontos médios de renegociação geralmente variam entre 20% e 50%, podendo ser significativamente maiores em casos de dívidas mais antigas, especialmente quando se trata de clientes que se encontram em situação de inadimplência severa.”
Em eventos de negociação de dívidas, como aqueles organizados por plataformas como a Serasa, as reduções podem chegar a até 90% para determinados tipos de dívida, embora isso geralmente exija que o devedor pague à vista. Vale ressaltar que essa situação é uma exceção e não uma regra, conforme alertou a planejadora. Além disso, o desconto tende a ser mais expressivo quando a dívida é elevada ou quando é antiga. “No caso de empréstimos pessoais, esse comprometimento pode ser menor, entre 10% a 30%, dependendo do tempo de inadimplência e da relação do cliente com o banco”, salienta Sombra.
A análise financeira que será realizada pelo banco também influencia na negociação. “Em casos de renegociação direta, especialmente com dívidas mais recentes, as instituições têm uma tendência a serem mais conservadoras e podem oferecer descontos menores (de 10% a 30%). Já em situações que envolvem dívidas mais antigas ou de grande magnitude, o banco pode estar mais disposto a conceder um desconto maior”, conclui a especialista.
Esperar feirões de renegociação de dívidas vale a pena?
Os eventos conhecidos como feirões de renegociação de dívidas apresentam-se como excelentes oportunidades para os devedores, mas não são a única forma disponível para resolver pendências. A recomendação dos especialistas em finanças é que busquem resolver suas situações financeiras o mais rapidamente possível. Isso se dá para evitar a incidência dos temidos juros compostos que recaem sobre as parcelas não pagas.
“Esses feirões frequentemente disponibilizam descontos atrativos, que podem proporcionar vantagens em comparação a uma negociação individual. No entanto, o ideal é não esperar unicamente pelos feirões, visto que o tempo se torna um inimigo em relação às dívidas”, enfatiza a especialista da Planejar.
Portanto, assim que o devedor perceber que sua dívida começou a aumentar, o recomendado é contatar o credor para iniciar a renegociação. “Tomar a iniciativa o mais cedo possível pode evitar a acumulação de juros elevados e facilitar uma negociação mais tranquila”, orienta Sombra.
Qual dívida deve ser negociada primeiro?
Na situação em que o endividamento se distribui por diversos tipos de crédito, a priorização deve ser dada às dívidas que possuem taxas de juros mais altas.
“A prioridade deve ser sempre das dívidas com taxas de juros mais elevadas, como cartões de crédito e empréstimos pessoais. Essas, em geral, apresentam taxas que podem ultrapassar 200% ao ano, dependendo da instituição”, afirma Nayra Sombra. “Essas dívidas podem rapidamente se tornar um fardo financeiro significativo.”
Um exemplo ilustrativo fornecido pela planejadora é o seguinte: se um indivíduo tem uma dívida de R$ 5.000 no cartão de crédito, pagando juros de 10% ao mês, o montante da dívida aumentará para R$ 13.000 ao longo de um ano. “Negociar essa dívida deve ser uma prioridade, para impedir que o total se eleve ainda mais”, aconselha Sombra.
Usar o 13º salário como entrada é uma boa estratégia?
A especialista considera que utilizar o 13º salário para quitar dívidas urgentes é uma estratégia positiva, desde que o devedor não comprometa suas necessidades básicas ao optar por essa alternativa.
“O 13º salário pode ser aplicado para saldar dívidas mais prementes, especialmente aquelas que apresentam juros elevados, como as do cartão de crédito ou cheque especial”, explica. “Por exemplo, se você possui uma dívida de R$ 3.000 no cartão de crédito e com o 13º salário de R$ 2.000 tem a oportunidade de negociar um desconto de 30%, é possível quitar a dívida por R$ 2.100, liberando espaço em seu orçamento e evitando a elevação de juros futuros.”
Qual o passo a passo para renegociar dívidas?
A pedido do site Bora Investir, Nayra Sombra delineou um roteiro a ser seguido no processo de renegociação de dívidas. Confira os passos sugeridos:
- Organize suas finanças: Registre detalhadamente o total da dívida, as taxas de juros, além das condições de pagamento. “Essas informações podem ser consultadas no site do banco ou por meio de plataformas como o Serasa eCred”, orienta a especialista.
- Avalie a sua capacidade de pagamento: Determine um valor mensal que pode ser pago sem comprometer o orçamento total. “Se possível, reserve uma parte do seu orçamento mensal para as dívidas”, afirma Sombra.
- Entre em contato com os credores: Inicie a conversa diretamente com a instituição financeira que detém a dívida. “Realize o contato pessoalmente, por telefone ou até pelo site da empresa. No caso de bancos privados, as chances de conseguir um acordo favorável podem ser maiores”, observa a planejadora financeira.
- Peça condições melhores: O tomador de crédito deve questionar sobre os descontos para o pagamento da dívida de forma antecipada e também sobre possíveis parcelamentos com taxas de juros mais baixas. “Em muitos casos, é possível negociar a redução das taxas de juros. Se a dívida data de um tempo longe, o banco pode propor uma maneira de quitação com grande redução dos juros”, afirma Sombra.
- Formalize o acordo: Por fim, a planejadora financeira orienta que, assim que um acordo for celebrado, o tomador deve solicitar a formalização. “Sempre que um acordo for realizado, peça para que ele seja documentado por escrito (seja um contrato ou e-mail) contendo as novas condições e as datas de pagamento estabelecidas”.
Fonte: borainvestir.b3.com.br


