Desenrola 2.0: Nova Versão do Programa de Renegociação de Dívidas
O Desenrola 2.0, a nova versão do programa do governo federal voltado para pessoas endividadas, deve ser anunciado ainda nesta semana. A informação foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante uma coletiva na segunda-feira, dia 27.
Reunião com Lideranças do Setor Financeiro
O anúncio foi feito após uma reunião do ministro com os presidentes de bancos públicos e privados. Durante esse encontro, Durigan afirmou que os endividados poderão renegociar suas dívidas bancárias utilizando o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
Estrutura do Programa
O programa de renegociação de dívidas será apresentado em fases e contemplará três grupos focais: famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas. Na primeira etapa, as pessoas físicas serão as beneficiárias.
Condições de Refinanciamento
De acordo com o ministro, no Desenrola 2.0, os juros cobrados nos refinanciamentos devem ser mantidos abaixo de 2% ao mês. Além disso, os descontos que poderão ser oferecidos pelos bancos variarão entre 20% e 90% do total da dívida, englobando tanto os juros quanto o valor principal.
Uso do FGTS
Os beneficiários do programa terão a possibilidade de utilizar até 20% dos seus depósitos no FGTS. Durigan esclareceu que haverá uma limitação para a garantia do próprio fundo, que será um percentual do saque.
"É um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa, mas não necessariamente maior do que a dívida", explanou o ministro.
Críticas ao Programa
Entretanto, a medida tem enfrentado críticas de analistas e setores produtivos, que destacam que a utilização do FGTS para esse fim pode prejudicar o setor habitacional e reduzir o "colchão" financeiro dos trabalhadores.
A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) também expressou preocupação com a proposta do governo federal, considerando que ela pode desvirtuar a finalidade do fundo e impactar negativamente o setor habitacional.
Compromissos e Educação Financeira
Para evitar que as famílias contraírem novas dívidas, o Desenrola 2.0 estabelecerá algumas restrições. Os contemplados deverão comprometer-se a não adquirir novas linhas de crédito que sejam consideradas mais onerosas, como é o caso do crédito rotativo do cartão e do cheque especial.
Além disso, o programa também promoverá a educação financeira para os beneficiários, visando uma melhor gestão do dinheiro.
Apresentação do Programa
O desenho final do programa foi apresentado a representantes de fintechs e bancos na manhã da última segunda-feira. Entre os presentes estavam autoridades da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander, BTG e o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney.
Números do Endividamento Familiar
Recentemente, o endividamento das famílias subiu para 49,9% em fevereiro, atingindo o maior nível registrado na série histórica do Banco Central (BC). As informações constam do Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado na mesma manhã.
Além disso, segundo o relatório, o comprometimento da renda das pessoas físicas avançou, atingindo 29,7%, que também representa o maior percentual registrado na série histórica.
Expectativas do Setor Financeiro
Após as reuniões com bancos e fintechs, o ministro Durigan observou que houve um grande consenso entre os participantes sobre as medidas do governo. Ele destacou que o Executivo tem a expectativa de anunciar as novas medidas ainda nesta semana.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


