Resposta do Digimais à Auditoria
O Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo, se pronunciou em relação às observações feitas pela auditoria Clifton Larson Allen Brasil sobre os fundos de investimento que geraram R$ 639,8 milhões ao banco em um breve período.
Esclarecimento sobre os Apontamentos
De acordo com a instituição, as observações dos auditores se referem a prazos distintos entre o balanço do banco e os relatórios dos fundos, e não a erros nos valores apresentados. O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC solicitou uma posição oficial do banco, mas ainda não obteve resposta. No entanto, o banco forneceu esclarecimentos ao jornal Folha de S.Paulo.
Investimentos em Fundos
Segundo informações da Folha, o Digimais adquiriu R$ 357,6 milhões em cotas de fundos de investimento em participações no segundo semestre do ano anterior. Essas aplicações tiveram sua valorização elevada, atingindo R$ 997,5 milhões em dezembro, o que representa um crescimento de 178%.
Nota: Auditores indicaram que o FIP (Fundo de Investimento em Participações) é um veículo de renda variável que se concentra na aquisição de participações em empresas de capital aberto ou fechado, com um horizonte de investimento geralmente mais extenso.
Limitações na Avaliação
A auditoria declarou que não foi possível avaliar a razoabilidade dos valores atribuídos a essas cotas, uma vez que os fundos ainda não possuíam demonstrações financeiras próprias auditadas no momento da publicação do balanço do banco.
O Digimais informou ao jornal que as cotas foram adquiridas no segundo semestre de 2025 e ainda não havia completado o ciclo de auditorias até a data de fechamento do balanço do banco. Além disso, a instituição destacou que os ativos foram mensurados a preço justo por empresas especializadas e independentes, garantindo a transparência nas suas demonstrações financeiras.
Detalhes sobre os Fundos
Um dos fundos mencionados na reportagem é o Cajaíba, cujo patrimônio atinge R$ 419 milhões. Este fundo realiza investimentos na Cajaíba Participações, que detém propriedades na Praia Grande da Cajaíba, localizada em Paraty, no estado do Rio de Janeiro. O investimento do Digimais no fundo teve início em 29 de agosto de 2025, conforme os documentos enviados à CVM.
Transações com Holding
Outro aspecto abordado pelos auditores, conforme reportado pela Folha, diz respeito à venda de R$ 741,3 milhões em cotas do fundo Hermon para a B.A. Empreendimentos e Participações, holding controlada por Edir Macedo, proprietário do banco.
Nota: O FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) é constituído por recursos de investidores que aplicam em créditos a receber, como duplicatas ou parcelas de vendas.
A operação resultou em uma reversão de provisões para perdas, contribuindo com R$ 126 milhões para o resultado do banco no ano anterior, quando o Digimais registrou um lucro de R$ 31 milhões.
A auditoria indicou que a operação ainda aguarda pagamento, com vencimento previsto para 29 de dezembro de 2032, e que a remuneração pode não ser compatível com a natureza econômica da transação.
Operações Financeiras e Auditoria
O Digimais declarou que todas as suas operações financeiras estão em conformidade com as práticas comuns de mercado, são devidamente auditadas e estão alinhadas com as diretrizes de uma instituição de seu porte.
Fundos Não Auditores
Um ponto adicional levantado na reportagem indica que o Digimais investiu R$ 3 bilhões em fundos cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas devido à falta de documentação, o que corresponde a 73% do total investido pelo banco nesse tipo de veículo.
O banco não se pronunciou especificamente sobre essa questão, concentrando seu posicionamento nos fundos adquiridos no segundo semestre de 2025 e na transação com o fundo Hermon.
Acordo com o BTG Pactual
Em abril de 2026, o BTG Pactual firmou um acordo de intenção de compra do Digimais. Fontes próximas informaram que a conclusão dessa transação está condicionada a diversas tratativas, incluindo um acerto com o FGC para financiar a operação.
Nota: O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é uma entidade privada que visa proteger depositantes e investidores em instituições financeiras em situações de falência ou liquidação do banco.
O resultado da venda ao BTG Pactual ainda não está definido, continuando em andamento diante dos questionamentos levantados pela auditoria sobre os fundos do Digimais.
O BTG Pactual não se manifestou sobre a situação.
Operação Miragem
A Polícia Federal deflagrou, no dia 23 de outubro, a Operação Miragem com o objetivo de investigar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, supostamente cometidos durante a gestão do Digimais. Mais de 50 policiais federais estão cumprindo nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, com autorização judicial para quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos, além do bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores.
A corporação alega que o banco supostamente replicou estratégias semelhantes às utilizadas pelo Banco Master para superavaliar ativos e ocultar a deterioração da carteira de crédito, ao emitir títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado, allinhando-se à confiança dos depositantes no FGC. As investigações, respaldadas por relatórios do Banco Central, sugerem manipulação de demonstrativos contábeis para aparentar solvência. Os investigados podem enfrentar acusações por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito proibidas.
Fonte: timesbrasil.com.br


