Dinheiro do petróleo da Venezuela não será mais enviado ao Catar, afirma Secretário de Energia.

Encontro entre autoridades dos EUA e da Venezuela

O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concederam uma entrevista coletiva após uma reunião em Caracas. Este encontro marca a visita de mais alto nível de representantes do governo americano ao país da OPEC em quase três décadas, com o objetivo de realizar a primeira avaliação prática da indústria petrolífera venezuelana, que os EUA se propõem a ajudar na reconstrução. A data do encontro foi 11 de fevereiro de 2026.

Alterações na gestão das receitas de petróleo

Chris Wright informou à NBC News que a Venezuela não depositará mais suas receitas de petróleo em uma conta no Qatar. Durante a entrevista, ele explicou: "Uma conta foi criada no Qatar, controlada pelo governo dos EUA o tempo todo, para receber aquele dinheiro e depois transferi-lo para a Venezuela." Agora, conforme Wright, "temos uma conta no Tesouro dos EUA. O dinheiro não irá mais para o Qatar."

A administração Trump tomou controle das vendas de petróleo da Venezuela após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em uma ação militar no mês anterior. Wright se reuniu com a Presidente interina Delcy Rodríguez durante sua visita à Venezuela, sendo este o mais alto funcionário americano a visitar o país nas últimas décadas.

Receita com petróleo e acordos de venda

O Secretário de Energia afirmou que a receita proveniente das vendas de petróleo da Venezuela ultrapassa a marca de 1 bilhão de dólares. Ele comentou que os EUA possuem acordos de curto prazo para vender mais 5 bilhões de dólares em petróleo da Venezuela nos próximos meses. Segundo Wright, o petróleo já foi destinado a refinarias nos Estados Unidos e também à Europa.

Wright relatou que os EUA depositaram os primeiros 500 milhões de dólares provenientes das vendas de petróleo na conta do Qatar antes de transferirem os fundos de volta para a Venezuela. Isso gerou questionamentos por parte dos democratas no Congresso quanto à transparência e legalidade do acordo.

Motivos para o depósito no Qatar

O Secretário Chris Wright explicou que a decisão de manter as vendas inicialmente depositadas no Qatar decorreu do risco de os credores da Venezuela tentarem reivindicar esses fundos. A Venezuela enfrenta dívidas de dezenas de bilhões de dólares devido a calotes em sua dívida soberana e à nacionalização de ativos de empresas petrolíferas, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips.

Wright comentou, "Dado que a Venezuela possui muitos credores e deve uma grande quantia, existia um risco caso colocássemos o dinheiro em uma conta bancária dos EUA que foi criada rapidamente, pois credores poderiam congelar esses ativos." Ele enfatizou que, enquanto se deseja que os credores recuperem seu dinheiro, é urgente que esses fundos cheguem à Venezuela.

Reconhecimento do governo venezuelano

Os EUA enfrentam a complexidade adicional de não reconhecer oficialmente o governo de Delcy Rodríguez. O presidente Donald Trump reconheceu a Assembleia Nacional liderada pela oposição em 2019 durante seu primeiro mandato.

Em uma audiência no Senado, o Secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington precisa encontrar uma solução para a questão do reconhecimento do governo, para que os fundos possam ser depositados nos EUA. "É necessário reconhecer um governo, mas não reconhecemos este governo," disse Rubio. "Reconhecemos a Assembleia Nacional de 2015, portanto, precisamos encontrar uma forma criativa, legal, para atender a esse padrão."

Questões sobre o controle das receitas de petróleo

A receita de petróleo da Venezuela depositada nos Estados Unidos deveria, em teoria, estar sob o controle da Assembleia Nacional da oposição, devido ao reconhecimento feito por Trump. Scott Anderson, um especialista em direito internacional que já atuou no Departamento de Estado e na Embaixada dos EUA em Bagdá durante o governo de Barack Obama, levantou a questão sobre qual governo os Estados Unidos irão reconhecer eventualmente e em que momento isso ocorrerá.

O Secretário Wright declarou à NBC que eleições e uma transição de poder são prováveis na Venezuela durante o mandato de Trump. Ele afirmou que a supervisão do governo dos EUA sobre os assuntos internos da Venezuela deve se encerrar nesse ponto. "É uma questão de um processo para chegar lá," comentou Wright. "Afinal, a longo prazo, quem liderará politicamente a Venezuela dependerá dos próprios venezuelanos."

Fonte: www.cnbc.com

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