Propostas de Segurança dos Candidatos de Direita
Candidatos de direita à Presidência da República nas eleições de 2026 estão anunciando a intenção de adotar o "modelo Bukele" de El Salvador. Esse modelo, que envolve a construção de novas prisões e o endurecimento das políticas de combate ao crime, tem como objetivo estabelecer a segurança pública como uma prioridade central nas campanhas eleitorais.
Influência do Modelo Bukele
As propostas revelam a influência do presidente Nayib Bukele, que, ao restringir certos direitos civis, conseguiu reduzir significativamente os índices de criminalidade em El Salvador. A administração de Bukele inspirou políticas similares em diversos países da América Latina, refletindo uma tendência crescente entre líderes conservadores em responder à violência com medidas mais rigorosas.
Exemplos nas Eleições Recentes
Na Colômbia e no Peru, candidatos de direita obtiveram sucesso nas últimas eleições presidenciais, baseando suas campanhas em um forte compromisso com o combate ao crime.
Visitas a El Salvador
No Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ambos postulantes à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), viajaram a El Salvador. Durante a visita, eles conheceram o mega-presídio Cecot, que abriga até 40.000 detentos. Esta viagem tinha como finalidade compreender melhor o sistema penitenciário e fortalecer o apoio eleitoral a políticas mais duras contra a criminalidade.
Propostas de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, quem lidera as pesquisas entre os possíveis candidatos de direita, apresentou recentemente um plano de segurança pública. Esse plano inclui a construção de “cinco novos presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador.” Durante um evento público, o senador enfatizou que a solução passaria por "mais presídios e menos bandidos soltos", reiterando ideias promovidas por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Alianças e Apoios
Flávio Bolsonaro também se reuniu com o ministro da Segurança de Nayib Bukele em El Salvador ano passado e com outros políticos, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A simpatia pela abordagem de Bukele está ganhando força entre as lideranças conservadoras no Brasil.
Elogios à Abordagem de Bukele
O pré-candidato Zema elogiou a abordagem "pragmática" de El Salvador em uma entrevista à Reuters, ressaltando a diferença entre os sistemas de encarceramento dos dois países. Ele afirmou: “Em El Salvador, bandido fica preso. Aqui no Brasil, bandido fica solto.”
Sinais de Apoio em São Paulo
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo partido Republicanos, também indicou que o exemplo de El Salvador contém lições valiosas para o Brasil. Em um evento no final do ano passado, ele comparou a situação do país antes e depois das medidas implementadas por Bukele, reforçando a necessidade de ações mais rígidas no combate ao crime. "Devemos enfrentar o crime com a dureza que ele merece ser enfrentado", disse.
Abordagem de Bukele
A estratégia de Nayib Bukele voltada ao combate à criminalidade envolve um estado de emergência que se estende há anos, juntamente com prisões em massa e um policiamento reforçado com apoio militar. O governo de Bukele afirma que essas medidas resultaram em uma diminuição histórica nos homicídios, além de terem quebrado o domínio das gangues que anteriormente aterrorizavam a população.
Críticas e Questionamentos
Porém, essa repressão também levou à restrição de direitos constitucionais, à limitação da liberdade de imprensa e à interferência na independência do Judiciário. Organizações de direitos humanos acusam o governo salvadorenho de implementar prisões arbitrárias e casos de tortura. O governo, por sua vez, defende que essas ações são necessárias para desmantelar as gangues.
A Repercussão na América Latina
A influência do modelo de Bukele está se espalhando por toda a América Latina. A Costa Rica, por exemplo, recebeu Bukele em janeiro para inaugurar uma nova prisão no estilo Cecot, construída com apoio salvadorenho. A nova presidente, Laura Fernández, que tomou posse recentemente, prometeu uma “guerra pesada contra o crime organizado”.
Situação na Colômbia e Peru
Na Colômbia, o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, apresentou um plano para a construção de dez novas mega-prisões, o que gerou comparações com a abordagem de Bukele, embora ele tenha repugnado essas equivalências. No Peru, durante as eleições presidenciais recentes, a provável presidente eleita, Keiko Fujimori, se comprometeu a conduzir uma “guerra frontal” contra o crime, propondo leis antiterrorismo mais severas e um papel ampliado para as Forças Armadas.
Análise de Tendências Regionais
A satisfação dos eleitores que enfrentam insegurança crônica e uma crescente desconfiança nas instituições está levando a uma escolha por líderes que prometem um controle mais eficiente e decisivo da situação. No entanto, especialista em segurança pública e professor da Fundação Getulio Vargas, Rafael Alcadipani, adverte que a complexidade da situação no Brasil torna a implementação desse modelo muito mais desafiadora.
Desafios no Brasil
O Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, a qual quase quadruplicou entre 2000 e 2024, chegando a cerca de 909.000 detentos. Esses números indicam um sistema que opera muito além de sua capacidade, de acordo com o World Prison Brief da Universidade de Londres. Alcadipani ressalta que "o Brasil é muito mais complexo do que El Salvador" e implementar um plano similar seria uma tarefa extremamente difícil.
Fonte: www.moneytimes.com.br


