Dólar e Real: Desempenho Recente
O dólar caiu abaixo de R$ 5 no início desta semana e parece ter estacionado nesse patamar. Na última quarta-feira, dia 15, a moeda encerrou a R$ 4,9922, apresentando a menor cotação desde abril de 2024. Essa variação marca uma sequência de três pregões com o dólar abaixo de R$ 5, indicando uma tendência de estabilidade.
Em entrevista ao Money Times, a economista Júlia Marasca, do Itaú BBA, analisa que o anúncio de um cessar-fogo temporário no Oriente Médio, aliado às expectativas de um acordo de paz definitivo entre os Estados Unidos e o Irã, contribuiu para o enfraquecimento global do dólar.
Segundo Marasca, esse cenário possibilitou uma valorização adicional do real, que já exibia um desempenho robusto mesmo diante do aumento da aversão ao risco global, superando outras moedas de países emergentes. A moeda brasileira alcançou o menor nível em dois anos, destacando-se no mercado internacional.
Marasca acredita que ainda não existem indícios de uma valorização excessiva do real. De acordo com o modelo de avaliação do Itaú BBA, o “preço justo” do dólar no mercado à vista é de R$ 4,95.
Por que o real resistiu às tensões geopolíticas
O desempenho da moeda brasileira tem se mostrado surpreendente, especialmente no contexto de alta nas tensões geopolíticas, conforme opina a economista. Mesmo em um ambiente de risk-off, que denota aversão ao risco, o real manteve-se próximo ao patamar de antes do início do conflito, mostrando um resultado superior ao de outras moedas emergentes. Desde o início do conflito até a última terça-feira, dia 14, a moeda brasileira subiu 3,4% em relação ao dólar, acumulando um crescimento de 9% ao longo do ano, de acordo com a Austin Rating.
Para Júlia Marasca, a valorização do real em relação ao dólar pode ser atribuída principalmente a dois fatores: o Brasil é um país exportador de petróleo e apresenta uma taxa de juros em um nível bastante elevado.
“O aumento do preço do petróleo tende a elevar o saldo comercial e atrair fluxo de dólares para o país. Por outro lado, economias que dependem mais da importação de petróleo e seus derivados enfrentam maiores dificuldades”, explicou a economista.
Adicionalmente, a Selic em dois dígitos continua oferecendo um retorno atrativo para investidores estrangeiros. “Esse diferencial de juros atuou como um buffer diante da volatilidade recente”, comentou.
Atualmente, a taxa básica de juros do Brasil está fixada em 14,75% ao ano, quando comparada com os juros dos Estados Unidos, que variam entre 3,50% e 3,75% ao ano. A equipe econômica do Itaú projeta que a Selic se posicione em 13% ao ano até dezembro, enquanto acredita que o Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central dos Estados Unidos, irá manter seus juros inalterados até ao final de 2026.
Expectativas para o Câmbio sob Desdobramentos Geopolíticos
A economista do Itaú BBA observa que a performance do câmbio deve seguir de perto os desdobramentos do conflito em curso no Oriente Médio. Num cenário que resulte na resolução do conflito, mas que deixe os Estados Unidos em uma posição relativamente enfraquecida, o dólar pode continuar a perder força, abrindo espaço para uma apreciação adicional do real.
Por outro lado, uma nova escalada nas tensões geopolíticas pode reverter essa tendência. “Caso o conflito retome uma trajetória de escalada, a aversão ao risco deverá predominar, impactando negativamente todas as moedas”, afirmou.
Riscos Domésticos e Expectativas para o Dólar
No cenário interno, a principal fonte de risco é a eleição presidencial programada para outubro. Historicamente, os períodos eleitorais elevam o prêmio de risco e aumentam a volatilidade dos ativos brasileiros, o que é um padrão que deverá se repetir em 2026.
“A eleição tende a ser apertada, o que deve pressionar o câmbio”, indicou. Além disso, o cenário fiscal também terá um papel importante. “Para que o real inicie um ciclo virtuoso de valorização, é necessário que haja a expectativa de um ajuste fiscal, independentemente do resultado eleitoral”, ressaltou a economista.
Segundo as previsões de Júlia Marasca, o dólar deve terminar o ano em torno de R$ 5,40. Essa estimativa reflete a combinação de um diferencial de juros menor entre Brasil e Estados Unidos, bem como um aumento do prêmio de risco decorrente das eleições presidenciais.
Fonte: www.moneytimes.com.br
